Saiba como montar uma lancheira saudável e bem nutritiva
Biscoitos, bolachas, bolos e sucos ultraprocessados são, muitas vezes, opções mais comuns para compor a lancheira das crianças, principalmente por conta da praticidade. Mas, segundo a nutricionista e Gerente Científico da Divisão Nutricional da Abbott, Patrícia Ruffo, muitos destes alimentos possuem baixo valor nutricional ou excesso de gordura saturada, e ao optar por este tipo de alimentação, a criança pode deixar de ingerir nutrientes vitais e necessários para um crescimento saudável e, quando isso se torna uma prática diária a criança poderá enfrentar alguns desafios em seu desenvolvimento físico e cognitivo, ter menos energia no dia a dia, ficar mais doente, prestar menos atenção nas aulas, entre outros.
Dados do Estudo Nacional de Alimentação e Nutrição Infantil mostram que alimentos ultraprocessados já fazem parte da dieta das crianças brasileiras desde os primeiros anos de vida, representando cerca de 20% das calorias consumidas por menores de dois anos e chegando a aproximadamente 30% entre crianças de 2 a 5 anos1. Por isso, apostar na variedade e na combinação de diferentes alimentos é um passo essencial para tornar a lancheira mais equilibrada, nutritiva e atrativa para as crianças.
No entanto, variar no cardápio não é sempre uma tarefa fácil, mas, segundo Patrícia, é fundamental para uma alimentação mais equilibrada. “O ideal é incluir alimentos de diferentes grupos nutricionais, como proteínas (carnes magras, leite e derivados), carboidratos e fibras (grãos integrais) e alimentos ricos em vitaminas e minerais, como frutas, legumes e vegetais. Assim, é possível contribuir para uma alimentação mais saudável e apoiar o crescimento e o desenvolvimento da criança."
Planejar antecipadamente as opções de lanches da semana também pode ajudar os pais a não cometerem excessos e trazer mais praticidade à rotina. Além disso, envolver a criança nas escolhas dos itens que vão compor a lancheira é fundamental para melhor aceitação dos alimentos. “Escolha opções de conhecimento da criança. A lancheira da escola deve ser uma extensão da alimentação feita em casa. Não adianta colocar um alimento que a criança não costuma ingerir em casa, pois as chances de voltar na lancheira são grandes”, aponta Patrícia.
O uso de um suplemento oral infantil também pode ajudar, por exemplo, no caso de uma criança que costuma rejeitar certos tipos ou grupos de alimentos e/ou que esteja com altura e ou peso abaixo da média para aquela idade. Porém, nem todas as crianças necessitam fazer uso de uma suplementação, por isso, é fundamental o acompanhamento com um pediatra ou nutricionista para que, a partir do relato dos pais e de exames, possa investigar se a criança tem, de fato, uma dificuldade alimentar e, se necessário, indicar o uso de suplemento ou determinar um plano de ação para que a criança retome ao objetivo de um crescimento saudável.
Confira abaixo seis dicas para montar uma lancheira saudável e bem nutritiva:
- No lanche da escola, é importante incluir diferente grupos alimentares – com uma bebida que pode ser água, uma fruta, uma fonte de carboidrato e uma fonte de proteína para garantir mais equilíbrio nutricional.2,3.
- Para beber, opte pelos chás, água de coco ou sucos naturais (que podem ser colocados em recipientes térmicos para não perder os nutrientes com o passar das horas), mas a água, sempre é uma excelente opção. As lancheiras térmicas também são ótimas opções para o melhor acondicionamento da comida.
- Deixe as frutas cortadas e descascadas. A aparência é um fator determinante para a criança ingerir determinado alimento.
- Os pães podem e devem entrar na lancheira escolar, mas o ideal é variar o tipo para a criança não enjoar: pão francês, de forma ou de milho são algumas opções. É preciso estar atento ao recheio de cada pãozinho e os patês caseiros são opções saudáveis e nutritivas.
- Invista nos petiscos saudáveis: frutas desidratadas, mix de castanhas e cereais sem açúcar são opções nutritivas e saborosas. O ideal é colocar em um pote fechado ou até mesmo em um saquinho.
- Tenha a suplementação como uma aliada: ela é uma ótima alternativa para suprir as necessidades de nutrientes fundamentais para as crianças: proteínas, ferro, cálcio, zinco, fibras e vitaminas A e D.
Patrícia conclui: “Comer saudável é apenas parte de uma vida saudável, sendo importante também incentivar as crianças a serem ativas, praticarem exercícios físicos regularmente e dedicarem um tempo às atividades ao ar livre.”
Referências:
- UNIVERSIDADE FEDERAL DO RIO DE JANEIRO (UFRJ). Estudo Nacional de Alimentação e Nutrição Infantil – ENANI‑2019: Consumo alimentar de crianças menores de 5 anos. Rio de Janeiro: UFRJ, 2024. Disponível em: https://enani.nutricao.ufrj.br/relatorios/. Acesso em: junho 2026. 2
- Sociedade Brasileira de Pediatria. Manual de orientação para a alimentação do lactente, do pré-escolar, do escolar, do adolescente e na escola / Departamento de Nutrologia, 3ª ed. Rio de Janeiro, RJ: SBP, 2012. 148p. 3
- Weffort VRS et al. Manual do lanche saudável. São Paulo: Sociedade Brasileira de Pediatria. Departamento Científico de Nutrologia, 2011.


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