Procedimentos ajudam a corrigir falhas e recuperar fios, mas exigem técnicas e planejamentos diferentes para garantir naturalidade
A perda de cabelo faz parte da realidade de milhões de pessoas. Dados da National Council on Aging (NCOA) mostram que a alopecia androgenética, conhecida como calvície hereditária, afeta cerca de metade dos homens e das mulheres ao longo da vida. Aos 65 anos, aproximadamente 53% dos homens e 37% das mulheres apresentam algum grau de perda capilar.
A busca por tratamentos também cresce. Entre as opções disponíveis, os transplantes capilares e de barba estão entre os procedimentos mais procurados por quem deseja corrigir falhas e recuperar a densidade dos fios de forma permanente.
Embora utilizem princípios semelhantes, as duas cirurgias apresentam diferenças importantes. No transplante capilar, os folículos são retirados da região posterior do couro cabeludo, conhecida como área doadora, por concentrar fios geneticamente mais resistentes à queda. Já no transplante de barba, os pelos costumam ser extraídos da região abaixo do queixo e do pescoço.
“O transplante capilar tem como objetivo restaurar áreas afetadas pela calvície ou pelo afinamento dos fios. No transplante de barba, além da cobertura das falhas, existe uma preocupação maior com o desenho facial e com a direção de crescimento dos pelos em cada região do rosto”, explica o Dr. Vlassios Marangos, especialista em transplante capilar.
Os procedimentos são realizados com anestesia local e, na maioria dos casos, o paciente recebe alta no mesmo dia.
Recuperação rápida
O retorno às atividades profissionais costuma acontecer entre três e sete dias após a cirurgia, dependendo da extensão do procedimento e da rotina do paciente.
Durante o processo de cicatrização, pequenas crostas se formam nas áreas transplantadas e desaparecem, em geral, entre sete e 14 dias. Segundo o Dr. Alan Wells, especialista em transplante capilar sem raspagem dos cabelos e presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Capilar, os cuidados adotados nos primeiros dias influenciam diretamente na recuperação.
“É importante evitar impactos na região transplantada, proteger a área da exposição solar, realizar corretamente as lavagens orientadas pelo médico e respeitar o período de afastamento das atividades físicas. Esses cuidados ajudam na cicatrização e favorecem o desenvolvimento dos folículos transplantados”, afirma Wells.
Como qualquer procedimento cirúrgico, existem riscos, embora sejam pouco frequentes quando a cirurgia é realizada por profissionais capacitados. Entre eles estão infecções, sangramentos, inflamações e alterações temporárias de sensibilidade.
As contraindicações variam de acordo com cada paciente. Algumas doenças que comprometem a cicatrização, infecções ativas e a ausência de uma área doadora adequada podem impedir ou limitar a realização do procedimento.
Quando os resultados aparecem
Nas primeiras semanas após a cirurgia, é comum que os fios transplantados caiam. O processo, conhecido como eflúvio pós-transplante, é esperado e faz parte da adaptação dos folículos.
Os novos fios começam a surgir entre o terceiro e o quarto mês. A evolução torna-se mais perceptível entre seis e nove meses. O resultado final costuma ser observado entre 12 e 18 meses.
“O crescimento acontece gradualmente. Com o passar dos meses, os fios ganham comprimento, espessura e densidade. É um processo que exige paciência, mas que proporciona resultados bastante naturais”, explica Marangos.
Resultado permanente
Os fios transplantados são retirados de regiões geneticamente resistentes à calvície e tendem a manter essa característica após o transplante.
Isso não significa, porém, que a queda dos fios originais será interrompida.“O transplante corrige as áreas afetadas, mas não impede a evolução da perda dos fios nativos. Por isso, muitos pacientes precisam de acompanhamento e tratamentos complementares para preservar o resultado ao longo dos anos”, finaliza Wells.


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