Levantamento do Sebrae aponta que o mercado da beleza movimentou R$ 242,3 bilhões em 2025, enquanto especialistas destacam a necessidade de ampliar a capacitação profissional fora do eixo Sul-Sudeste.

O mercado brasileiro de beleza e cuidados pessoais movimentou R$ 242,3 bilhões em 2025, crescimento de 11,2% em relação ao ano anterior. Com esse desempenho, o Brasil ocupa a quarta posição entre os maiores mercados do mundo, atrás apenas de Estados Unidos, China e Japão, segundo dados do Sebrae.

A expansão também se reflete no empreendedorismo. Em média, cerca de 700 novos pequenos negócios ligados ao setor são abertos diariamente no país, o equivalente a quase 30 por hora. O avanço demonstra a força de um segmento que continua atraindo profissionais em busca de novas oportunidades.

Embora o crescimento seja nacional, ele ocorre de forma desigual. Grande parte dos cursos técnicos, feiras e eventos de atualização permanece concentrada nas regiões Sul e Sudeste. Já estados do Norte e do Centro-Oeste, como Rondônia, Acre e Mato Grosso, apresentam forte potencial de expansão, mas ainda convivem com a escassez de profissionais especializados em diversas técnicas.

Segundo a Associação Brasileira da Indústria de Higiene Pessoal, Perfumaria e Cosméticos (ABIHPEC), o setor gera mais de 480 mil empregos diretos e indiretos em todo o país. Entre as atividades com maior perspectiva de crescimento estão design de sobrancelhas, extensão de cílios, manicure e maquiagem. Dados do Sebrae mostram ainda que os profissionais da beleza representam 9,1% dos Microempreendedores Individuais (MEIs) registrados no Brasil.

Capacitação ainda é desafio fora do eixo Sul-Sudeste

Em muitas cidades de Rondônia, Acre e Mato Grosso, encontrar profissionais especializados em técnicas mais recentes ainda é um desafio. Salões e estúdios costumam contar com poucas especialistas, o que aumenta o tempo de espera para agendamentos e, em alguns casos, eleva o valor de serviços como a extensão de cílios.

O principal obstáculo é o acesso à qualificação. Como boa parte dos cursos, workshops e congressos acontecem nas regiões Sul e Sudeste, muitos profissionais precisam investir em viagens, hospedagem e dias sem atendimento para participar das capacitações. Para quem atua de forma autônoma, esses custos frequentemente adiam a especialização.

Ao mesmo tempo, a evolução do mercado também depende do acesso a produtos confiáveis. Trabalhar com insumos de qualidade influencia diretamente a segurança dos procedimentos, a durabilidade dos resultados e a experiência dos clientes.

Nos últimos anos, fabricantes e distribuidores especializados ampliaram sua atuação para atender profissionais de todas as regiões do país. Empresas como a Cherry Lash Brasil, por exemplo, disponibilizam produtos com distribuição nacional, facilitando o acesso de profissionais do Norte, Centro-Oeste e demais estados aos mesmos insumos utilizados nos grandes centros.

Mercado ainda oferece espaço para crescimento

A descentralização da qualificação e do acesso a produtos acompanha um movimento observado por especialistas do setor: o fortalecimento do mercado de beleza em regiões historicamente menos atendidas. Com a demanda por serviços estéticos crescendo em cidades de diferentes portes, profissionais que investem em capacitação tendem a encontrar menos concorrência em áreas onde determinadas especializações ainda são pouco comuns.

Esse cenário amplia as oportunidades para empreendedores da beleza em todo o país. À medida que conhecimento técnico e insumos de qualidade chegam a um número maior de profissionais, o mercado se torna mais competitivo, os consumidores passam a contar com serviços mais seguros e especializados, e o desenvolvimento do setor acontece de forma mais equilibrada entre as diferentes regiões brasileiras.