Especialista em educação financeira explica por que aumento de renda, patrimônio e saúde financeira nem sempre avançam no mesmo ritmo
O salário aumentou, mas a sensação de aperto financeiro continua presente para milhões de brasileiros. A contradição aparece em um momento em que a renda do trabalho segue em recuperação, enquanto o endividamento das famílias permanece próximo dos maiores níveis da série histórica. O fenômeno levanta uma dúvida recorrente: por que ganhar mais dinheiro nem sempre significa estar em uma situação financeira melhor?
Para Ricardo Hiraki, especialista em educação financeira, investidor e CEO da Plano Fintech, a forma como os brasileiros costumam medir a própria evolução financeira pode levar a conclusões equivocadas. Com experiência em gestão financeira e planejamento orçamentário, ele afirma que o aumento da renda, sozinho, não é suficiente para indicar uma melhora real na saúde financeira.
“Renda e patrimônio são coisas diferentes. Ganhar mais não significa necessariamente enriquecer. O que mostra evolução financeira é a capacidade de reduzir dívidas, construir reservas e transformar renda em patrimônio ao longo do tempo”, afirma.
Os números ajudam a contextualizar o desafio. Segundo a Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic), da Confederação Nacional do Comércio de Bens, Serviços e Turismo (CNC), 81,6% das famílias brasileiras estavam endividadas em maio de 2026, o maior percentual da série histórica. No mesmo período, levantamento da CNDL e do SPC Brasil apontou que o país atingiu 75,06 milhões de consumidores inadimplentes.
Ganhar mais não é a mesma coisa que enriquecer
Um dos erros mais comuns cometidos pelos brasileiros, segundo o especialista em educação financeira, é associar evolução financeira exclusivamente ao aumento da renda. Promoções, reajustes salariais e novas fontes de receita costumam vir acompanhados pelo crescimento das despesas, o que dificulta a construção de patrimônio e reduz a percepção de avanço financeiro no longo prazo.
“O salário é apenas um dos indicadores da vida financeira. Muitas vezes a renda cresce, mas o patrimônio permanece estagnado porque o padrão de consumo aumenta na mesma velocidade. Quando isso acontece, a sensação de progresso existe, mas os resultados concretos não aparecem”, diz o executivo.
O especialista Ricardo Hikari defende os cinco sinais de uma evolução financeira real
- As dívidas diminuíram
Entre os sinais que demonstram uma melhora financeira real, a redução das dívidas ocupa posição de destaque. Mais do que eliminar débitos, o importante é diminuir o comprometimento da renda com parcelas e juros.
De acordo com o CEO da Plano Fintech, uma pessoa pode ter aumentado seus ganhos ao longo do último ano, mas continuar financeiramente vulnerável caso uma parcela significativa da renda esteja comprometida com crédito caro, como cartão de crédito ou empréstimos pessoais.
- A capacidade de poupança aumentou
Outro indicador relevante é o aumento da capacidade de poupança. Guardar dinheiro de forma recorrente costuma representar uma mudança estrutural na relação com as finanças pessoais e na construção da saúde financeira.
“A pergunta não deveria ser apenas quanto você ganha. O mais importante é quanto consegue preservar depois de pagar suas despesas. A diferença entre receita e consumo é um dos melhores indicadores de evolução financeira”, afirma.
- O patrimônio cresceu
O crescimento patrimonial também deve fazer parte da avaliação. Investimentos, imóveis, participação em negócios ou qualquer outro ativo acumulado ao longo do tempo oferecem uma visão mais precisa da evolução financeira e da construção de riqueza.
“Muitas pessoas conseguem aumentar a renda, mas não conseguem aumentar o patrimônio. Quando isso acontece, o esforço cresce, mas a construção de riqueza não acompanha”, explica o especialista.
- Existe uma reserva de emergência
A formação de uma reserva de emergência representa um dos avanços mais importantes para a estabilidade financeira das famílias. Ter recursos disponíveis para lidar com imprevistos reduz a dependência de crédito e aumenta a segurança financeira.
Segundo o especialista em educação financeira, a reserva funciona como um dos principais indicadores de maturidade financeira, especialmente em períodos de instabilidade econômica ou mudanças profissionais inesperadas.
- O orçamento está mais organizado
A organização financeira e o controle do orçamento também estão entre os indicadores mais relevantes para avaliar a saúde financeira de uma família. Saber exatamente para onde o dinheiro está indo, acompanhar gastos e planejar objetivos futuros são hábitos que ajudam a transformar renda em resultados concretos.
Segundo o investidor, quem monitora regularmente suas finanças consegue identificar excessos, corrigir desvios e tomar decisões com mais clareza.
“Quem depende apenas da sensação para avaliar a própria situação financeira corre o risco de tirar conclusões equivocadas. Os números contam uma história muito mais precisa do que a percepção”, afirma.
Para o especialista em educação financeira, uma análise simples pode ajudar a entender se houve progresso nos últimos 12 meses: as dívidas diminuíram? A capacidade de poupança aumentou? Existe uma reserva de emergência? O patrimônio cresceu? O orçamento está mais organizado?
“A pergunta mais importante não é quanto uma pessoa ganha hoje. É quanto ela conseguiu construir ao longo do tempo. Quando patrimônio, reserva financeira e organização do orçamento avançam juntos, a evolução financeira deixa de ser uma percepção e passa a ser um resultado concreto”, conclui.
Sobre Ricardo Hiraki
Ricardo Hiraki é empreendedor e investidor em inovação e no mercado imobiliário. CEO e cofundador da Plano Fintech, é administrador com pós-graduação pela Fundação Getulio Vargas (FGV) e pela Universidade Presbiteriana Mackenzie. Atuou por quase dez anos em posições de liderança na área financeira no ambiente corporativo, com foco em gestão, controle de custos e apoio à tomada de decisão executiva.
Desde a fundação da Plano, Hiraki passou a se dedicar à criação e ao investimento em negócios de impacto, com o objetivo de ampliar o acesso à saúde financeira no Brasil. Sua atuação está concentrada no desenvolvimento de soluções que combinam tecnologia, educação financeira e novos modelos de serviço, voltados à organização do orçamento, redução de dívidas e decisões financeiras mais conscientes.
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Sobre a Plano Fintech
Fundada em 2018, a Plano Fintech é uma empresa de educação financeira que desenvolve soluções para pessoas que desejam organizar a vida financeira e tomar decisões mais conscientes sobre o uso do dinheiro. A empresa já apoiou mais de 200 mil brasileiros na redução de dívidas e no reequilíbrio financeiro.
A atuação da Plano combina plataforma digital com acompanhamento humano de educadores financeiros, permitindo a criação de planejamentos personalizados, identificação de excessos e estratégias práticas para redução de custos e despesas. Com presença em todo o Brasil, a fintech utiliza tecnologia, princípios de ESG e Open Finance para gerar impacto social em escala.
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Fontes de Pesquisa:
Pesquisa de Endividamento e Inadimplência do Consumidor (Peic) – CNC
https://portaldocomercio.org.br/publicacoes_posts/pesquisa-de-endividamento-e-inadimplencia-do-consumidor-peic-maio-de-2026/
CNDL e SPC Brasil
https://site.cndl.org.br/inadimplencia-bate-novo-recorde-e-atinge-7506-milhoes-de-consumidores-em-maio-aponta-cndl-e-spc-brasil/
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