Obrigatoriedade de novas informações nas notas fiscais acelera mudanças em precificação, contratos e planejamento de empresas que atuam com importação e exportação

A menos de um mês da entrada em vigor de uma nova etapa da reforma tributária, empresas que atuam com importação e exportação aceleram a revisão de processos fiscais, contratos e planejamento financeiro. A partir de 3 de agosto, empresas do regime regular deverão preencher obrigatoriamente os campos relativos ao Imposto sobre Bens e Serviços (IBS) e à Contribuição sobre Bens e Serviços (CBS) nos documentos fiscais eletrônicos, conforme cronograma divulgado pelo Comitê Gestor do IBS (CGIBS). A mudança, embora tenha caráter de transição, já começa a influenciar decisões estratégicas de negócios com operações nacionais e internacionais.


Para Thiago Oliveira, CEO da Saygo, holding especializada em comércio exterior, câmbio corporativo e inteligência operacional para importadores e exportadores, a reforma tributária deixa de ser um tema exclusivamente jurídico para se tornar uma questão de gestão empresarial. "A reforma tributária muda a forma como as empresas organizam suas operações. Não estamos falando apenas de impostos, mas de decisões que envolvem formação de preços, fluxo de caixa, contratos internacionais, gestão cambial e competitividade. Quem esperar a implementação completa para começar a se adaptar provavelmente terá custos maiores e menos capacidade de reação."

Segundo a Receita Federal, 2026 marca o início da implementação operacional da reforma tributária sobre o consumo, com adaptações graduais dos documentos fiscais eletrônicos e dos sistemas utilizados pelas empresas para viabilizar a transição para o novo modelo tributário.

Mudança vai além da emissão das notas fiscais

Na avaliação do empresário, limitar a adaptação à atualização dos sistemas fiscais é um dos principais erros das empresas. "Muitas organizações acreditam que basta adequar o ERP ou alterar a emissão das notas fiscais. Mas a reforma tributária exige uma revisão completa da operação. É preciso reavaliar contratos, estratégias comerciais, estrutura de custos, fluxo financeiro e até negociações com fornecedores e clientes."

Segundo ele, empresas com operações internacionais tendem a sentir os efeitos mais rapidamente porque trabalham simultaneamente com diferentes regimes tributários, moedas e cadeias logísticas. "Quando uma empresa importa insumos ou exporta produtos, qualquer alteração tributária pode afetar diretamente margens, capital de giro e competitividade. Por isso, o planejamento passa a ser uma vantagem competitiva."

Integração entre áreas reduz riscos

Para o CEO da Saygo, a implementação da reforma tributária exige que as áreas fiscal, financeira, comercial e de comércio exterior trabalhem de forma integrada. "Uma decisão tributária influencia diretamente a precificação, o fechamento de câmbio, a negociação internacional e o planejamento financeiro. As empresas que conseguirem conectar essas áreas terão mais previsibilidade durante a transição."

O executivo afirma que muitas companhias concentram seus esforços exclusivamente no cumprimento das obrigações fiscais, sem avaliar os impactos sobre toda a operação. "A reforma tributária exige uma visão muito mais ampla. O empresário precisa entender como cada decisão tributária repercute na gestão do negócio e na capacidade de competir, especialmente quando atua no comércio exterior."

Tecnologia será aliada na adaptação

Além das mudanças regulatórias, Thiago acredita que o novo modelo tributário deve acelerar investimentos em tecnologia e automação. "A integração entre dados fiscais, financeiros e cambiais permitirá decisões mais rápidas e maior controle da operação. Quanto maior a visibilidade sobre os processos, menor será o risco de erros, retrabalho e perda de eficiência."

Segundo ele, a reforma tributária representa também uma oportunidade para modernizar processos internos que há anos vinham sendo adiados. "Grandes mudanças costumam obrigar as empresas a rever práticas antigas. Quem aproveitar esse momento para organizar a operação, integrar informações e fortalecer a gestão chegará ao novo sistema tributário muito mais preparado."

 

Sobre Thiago Oliveira

Thiago iniciou sua trajetória empreendedora há mais de 20 anos. Com um Monza e dinheiro emprestado, fundou seu primeiro negócio em logística, que anos depois seria vendido por milhões de dólares. Tornou-se sócio da maior aceleradora de startups da América Latina, a ACE, e do maior Venture Capital da região, a Bossanova Investimentos.

Ao identificar os desafios enfrentados por importadores e exportadores no fechamento de câmbio, fundou a corretora de câmbio do grupo, inicialmente chamada Zebra e agora Saygo Câmbio, transformando o setor. Além de empreendedor, é mentor e conselheiro de diversas empresas e cofundador da Oliveira Foundation, ONG que já impactou mais de 100 mil crianças em países de língua portuguesa. Seu foco está em soluções cambiais, desenvolvimento tecnológico e estratégias para expansão internacional de empresas.

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Sobre a Saygo

A Saygo é uma holding brasileira especializada em comércio exterior, formada pela unificação da Proseftur Assessoria em Comércio Exterior e da Zebra Corretora de Câmbio. Com mais de 23 anos de experiência, a empresa oferece soluções integradas para importadores e exportadores, abrangendo assessoria em operações internacionais, serviços cambiais e desenvolvimento de tecnologias para otimização de processos globais. Seu compromisso é auxiliar empresas a ingressarem e expandirem suas atividades no mercado internacional, proporcionando estratégias inovadoras e suporte especializado. 


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Fontes de pesquisa

Comitê Gestor do IBS (CGIBS)
https://www.cgibs.gov.br/novo-marco-da-reforma-tributaria-inicia-em-03-de-agosto-com-preenchimento-obrigatorio-dos-campos-relativos-ao-ibs-e-a-cbs

Receita Federal
https://www.gov.br/receitafederal/pt-br/acesso-a-informacao/acoes-e-programas/programas-e-atividades/reforma-tributaria-do-consumo 


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