Salva-me, ó Deus, pois as águas me entraram até à alma. Atolei-me em profundo lamaçal, onde se não pode estar em pé; entrei na profundidade das águas, onde a corrente me submerge. Salmo 69:1-2.
Eu sou os meus escritos:
Eu extraio da minh'alma o que vem direto do Altíssimo. É por isso que eu me extravaso, porque no silêncio dos meus pensamentos é que a minha alma aflora.
É verdade que, muitas vezes, o que digo causa confronto, mas não posso modificar isto. Mesmo se eu quisesse, não poderia, porque não é o que eu sei, não é o meu conhecimento: é o que Deus quer que eu diga.
É como uma torneira: eu só a abro, e a água desce d'Ele. Não tem como variar. É o que é, e ponto final.
Conecto-me com os heróis da fé que suportaram o insuportável, mas não abriram mão da sua identidade — embaixadores do Céu.
Veja Davi, que mostra a intensidade do abatimento que trazia dentro de si e a resistência da sua genuína fé. Por isso ele alcançou o objetivo: porque, mesmo se debatendo com as águas que caem das pedras — e muitas vezes sem saber o que fazer ou para onde ir —, canalizou-se no que ele era e onde estava a sua base, e clamou pelo socorro do Alto. Ele não desistiu, mas persistiu.
E, enquanto ele estava em grande sofrimento, Deus trabalhava nos bastidores e o fez brilhar, tanto que até hoje ele está na história como um homem segundo o coração de Deus.
É assim que Deus faz: pega o que as pessoas chamam de desprezível e o eleva entre os povos.
O grão de areia que as multidões veem e sabem que existe, mas não notam, é posto sobre os olhos das multidões, que se atritam e cogitam entre si: "Mas este não é aquele que não tinha nenhuma instrução? Como pode agora estar assim?" Quando Deus quer, o inconcebível nasce.
Pois, assim como Davi e tantos outros, eu sou: a pétala da rosa que se encaixa em Deus.
Quando Deus elege, o seixo insignificante da beira do caminho passa a irradiar como uma estrela que reluz no Céu.
Não depende de mim, nem é sobre mim, mas é sobre a minha nascente — Deus.
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Pra. Elza Amorim


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