Análise da EQR mostra que o reaproveitamento de ativos urbanos ganha protagonismo diante do crescimento das cidades, da demanda por infraestrutura e dos desafios da sustentabilidade

O Brasil já é um país essencialmente urbano. Atualmente, cerca de 87% da população vive em cidades, o equivalente a mais de 180 milhões de pessoas que dependem diariamente da infraestrutura urbana para trabalhar, estudar, acessar serviços de saúde e se locomover. Mais do que um dado demográfico, esse cenário aponta para uma mudança importante na forma como o desenvolvimento urbano precisa ser pensado nos próximos anos.

Segundo dados da ONU Habitat e do Banco Mundial, a urbanização brasileira está entre as mais elevadas do mundo. Além disso, a maior parte da população está concentrada em menos de 1% do território nacional, o que torna as áreas urbanas consolidadas cada vez mais estratégicas do ponto de vista econômico.

Para a EQR, venture builder especializada em ativos reais, esse cenário reforça uma tendência que vem ganhando força no mercado: o futuro das cidades passa não apenas pela construção de novos empreendimentos, mas pela transformação inteligente dos imóveis e ativos já existentes.

"O estoque imobiliário brasileiro representa um patrimônio gigantesco. Em muitos casos, existem ativos subutilizados ou degradados em regiões consolidadas que podem voltar a gerar valor econômico, social e urbano sem a necessidade de expansão desordenada das cidades", explica a empresa.

A discussão também ganha força quando o assunto é sustentabilidade. De acordo com estudos da International Energy Agency (IEA) e do World Green Building Council (WGBC), a construção e a operação de edifícios respondem por aproximadamente 37% das emissões globais relacionadas ao consumo de energia. Diante desse cenário, a recuperação, modernização e reutilização de estruturas existentes passam a integrar estratégias importantes para reduzir impactos ambientais.

Outro indicador reforça a relevância do setor para a economia nacional. Segundo estudos da Câmara Brasileira da Indústria da Construção (CBIC) e da Fundação Getulio Vargas (FGV), toda a cadeia da construção civil representa cerca de 13% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, evidenciando seu papel na geração de empregos, investimentos e desenvolvimento.

Na avaliação da EQR, esses números mostram que o desafio urbano das próximas décadas será menos quantitativo e mais estratégico.

"O Brasil possui um enorme volume de ativos imobiliários que podem ser reposicionados para atender novas demandas do mercado. Transformar, revitalizar e dar uma nova destinação a esses imóveis representa uma oportunidade de gerar desenvolvimento econômico com maior eficiência e menor impacto ambiental", destaca a empresa.

Em um cenário de cidades cada vez mais adensadas, infraestrutura pressionada e necessidade crescente de sustentabilidade, especialistas apontam que o maior potencial do mercado imobiliário pode estar justamente na capacidade de enxergar valor onde muitos ainda veem apenas construções antigas. Afinal, o futuro urbano não depende apenas de erguer novos edifícios, mas de aproveitar, reinventar e potencializar aquilo que as cidades já construíram ao longo das últimas décadas.


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