A aprovação do medicamento Cenobamato pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária em março de 2026 abre uma nova frente de discussão sobre o tratamento da epilepsia focal farmacorresistente em adultos no Brasil. Indicado para pacientes que continuam apresentando crises mesmo após o uso de outras terapias, o fármaco surge como alternativa relevante diante de um cenário em que cerca de 30% das pessoas com epilepsia não respondem adequadamente às medicações disponíveis. Segundo a Organização Mundial da Saúde, aproximadamente 50 milhões de pessoas vivem com a condição no mundo, o que reforça o impacto clínico e social da chegada de novas opções terapêuticas.
Para a médica neurofisiologista clínica e cofundadora da ICTAL, Dra. Kamylla Thiago de Almeida, especialista em diagnóstico e acompanhamento de pacientes com epilepsia, a aprovação representa um avanço importante, mas não resolve sozinha os principais entraves do cuidado neurológico no país. “A chegada de novos medicamentos amplia as possibilidades terapêuticas e traz esperança para pacientes com epilepsia farmacorresistente, mas o resultado depende diretamente de diagnóstico correto e acompanhamento estruturado. Sem entender com precisão o tipo de crise e a evolução clínica do paciente, mesmo terapias inovadoras podem ter impacto limitado”, afirma.
O tema ganha relevância ao evidenciar desafios estruturais que vão além do acesso a tratamentos modernos. Especialistas apontam que muitos pacientes ainda enfrentam demora no diagnóstico, dificuldade de acesso a neurologistas e ausência de monitoramento contínuo das crises, fatores que comprometem a avaliação da eficácia terapêutica.
Segundo a Dra. Kamylla, o avanço terapêutico precisa caminhar junto com melhorias na organização do cuidado neurológico e no uso de dados clínicos para acompanhamento dos pacientes. “O impacto real de novas terapias depende de um sistema capaz de acompanhar a evolução das crises ao longo do tempo. Quando há monitoramento adequado, integração de informações clínicas e apoio tecnológico na análise dos exames, conseguimos personalizar o tratamento e aumentar as chances de controle das crises, que é o principal objetivo para melhorar a qualidade de vida dessas pessoas”, explica
Sobre a ICTAL
A ICTAL é um hub tecnológico focado em epilepsia, que desenvolve soluções digitais para apoiar tanto pacientes quanto profissionais de saúde. Seu principal produto é o aplicativo de diário de crises, que permite o registro contínuo e estruturado das crises epilépticas, integrando essas informações a um banco de dados clínico seguro e interoperável. Além do app, a ICTAL oferece soluções complementares voltadas à neurofisiologia clínica, incluindo integração com exames de EEG, curadoria de dados e suporte tecnológico para profissionais da área. A ICTAL dialoga com um ecossistema amplo, valorizando colaboração, transparência, inovação tecnológica responsável e impacto real na vida do paciente.
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