Há eleições que escolhem governantes.


E há eleições que revelam o grau de maturidade de uma sociedade.


2026 será um desses momentos.


Nos próximos meses, os brasileiros serão convocados às urnas para escolher deputados estaduais, deputados federais, senadores, governadores e o próximo presidente da República. Será uma das maiores mobilizações democráticas do planeta. Milhares de candidatos, milhões de eleitores e um país inteiro debatendo seu futuro.


Ou pelo menos deveria ser assim.


Porque, infelizmente, o que temos assistido nos últimos anos não é um grande debate nacional sobre o futuro do Brasil. O que vemos é uma crescente transformação da política em um campo de batalha emocional, onde a paixão muitas vezes ocupa o espaço que deveria pertencer à razão.


A polarização tornou-se um produto de consumo.


Ela gera audiência.


Ela gera curtidas.


Ela gera engajamento.


Mas raramente gera soluções.


Enquanto brasileiros discutem diariamente quem venceu a última disputa ideológica nas redes sociais, questões fundamentais permanecem esperando respostas: como melhorar a educação? Como ampliar o acesso à saúde? Como modernizar a infraestrutura? Como gerar empregos de qualidade? Como aumentar a produtividade e reduzir desigualdades regionais?


São perguntas menos emocionantes que os confrontos políticos da internet.


Mas são elas que definem a qualidade de vida das pessoas.


A democracia não foi criada para que os cidadãos escolhessem inimigos.


Foi criada para que escolhessem caminhos.


Por isso, talvez seja hora de encarar a pré-campanha eleitoral com mais seriedade.


A pré-campanha deveria funcionar como um grande laboratório de ideias. Um período em que os pré-candidatos percorrem cidades, ouvem comunidades, identificam problemas e constroem propostas concretas a partir das necessidades reais da população.


O político que apenas fala demonstra convicção.


O político que escuta demonstra inteligência.


E entre falar e escutar existe uma diferença que pode determinar o sucesso ou o fracasso de uma gestão inteira.


Em Rondônia, essa reflexão ganha contornos ainda mais importantes.


Nosso estado possui características próprias, desafios próprios e vocações econômicas próprias. O eleitor rondoniense, seja qual for sua posição política, tem o direito — e talvez o dever — de exigir dos candidatos muito mais do que alinhamentos ideológicos.


Deve exigir planejamento.


Deve exigir metas.


Deve exigir projetos.


Deve exigir visão de futuro.


Nenhuma família melhora de vida porque um político venceu uma discussão na internet.


Nenhum hospital funciona melhor porque um vídeo viralizou.


Nenhuma estrada é construída por meio de hashtags.


O progresso continua nascendo do trabalho, da gestão eficiente e da capacidade de transformar ideias em resultados.


Talvez o verdadeiro desafio de 2026 não seja decidir quem vencerá a eleição.


Talvez o desafio seja descobrir se o eleitor brasileiro está disposto a evoluir junto com sua democracia.


Porque democracias amadurecem quando seus cidadãos amadurecem.


E cidadãos amadurecem quando deixam de perguntar apenas “de que lado você está?” para começar a perguntar:


“Qual é o seu plano?”


No fim das contas, a história não costuma ser generosa com aqueles que apenas alimentam conflitos.


Ela costuma reservar seus melhores capítulos para aqueles que apresentaram soluções.


E talvez seja exatamente disso que o Brasil mais precise neste momento.


Menos torcidas.


Mais ideias.


Menos rótulos.


Mais propostas.


Menos paixão cega.


Mais razão.


Porque uma eleição passa.


Mas as consequências das escolhas permanecem por muitos anos.


Jotta Junior