Episódio mais recente de desgaste envolve o atacante Folarin Balogun, dos Estados Unidos
Gianni Infantino chegou à Copa do Mundo de 2026 como o rosto institucional da maior edição da história do torneio.
Mas a exposição do presidente da FIFA também veio acompanhada de desgaste de imagem. Uma análise de publicações online dirigida pelo Aposta Legal durante os dias da competição indica que 52% das menções ao dirigente durante o Mundial tiveram teor negativo.
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Segundo o levantamento, a percepção sobre o presidente da FIFA já era majoritariamente crítica antes da Copa. No período anterior ao Mundial, foram registradas 47% menções negativas, contra 53% menções positivas sobre Gianni Infantino.
Com o início da competição, esse quadro se agravou: durante a Copa, 52% das publicações monitoradas tiveram teor negativo, indicando que a exposição do dirigente aumentou junto com uma leitura mais desfavorável de sua imagem.
No levantamento, uma menção de sentimento negativo é aquela que associa Infantino a reclamações, ironias ou avaliações desfavoráveis. Entram nessa classificação publicações que questionam sua atuação, decisões da FIFA sob sua gestão ou usam o dirigente como símbolo de problemas na organização da Copa.
Caso Balogun expõe a FIFA a acusações de interferência política
A negatividade ao dirigente se agrupa principalmente em torno de temas como logística, uso de jatos privados, decisões de arbitragem e percepção de tratamento desigual entre as seleções.
O episódio mais recente de desgaste envolve o atacante Folarin Balogun, dos Estados Unidos. Expulso na vitória por 2 a 0 sobre a Bósnia e Herzegovina, o jogador deveria cumprir suspensão automática e desfalcar a seleção anfitriã nas oitavas de final contra a Bélgica. A FIFA, no entanto, suspendeu a aplicação da punição por um período probatório de um ano, liberando o atleta para a partida.
Segundo reportagens do New York Times e da Reuters, a decisão foi precedida por uma ligação de Donald Trump a Infantino pedindo a revisão do caso. O presidente americano celebrou publicamente a reviravolta em sua rede social, agradecendo à FIFA por "reverter uma grande injustiça".
A reação do futebol internacional foi dura. A UEFA afirmou que a entidade cruzou uma linha vermelha e classificou a medida como inédita, incompreensível e injustificável. A Federação Alemã pediu esclarecimentos imediatos sobre a suposta interferência política, e a Federação Belga estuda medidas jurídicas.
A FIFA se apoiou no artigo 27 do Código Disciplinar, o mesmo dispositivo usado para liberar Cristiano Ronaldo de uma punição das Eliminatórias antes do Mundial. Mas, para os críticos, a existência de precedente não neutraliza o problema central: a percepção de que a seleção do país-sede recebeu um tratamento que nenhuma outra equipe teria, por intervenção direta de seu chefe de Estado.
Para a imagem de Infantino, o caso condensa as duas críticas mais sensíveis do torneio. De um lado, retoma a discussão sobre tratamento desigual entre as seleções.. De outro, transforma a proximidade entre o presidente da FIFA e Donald Trump, até então um tema diplomático, em uma questão de integridade esportiva.
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