Com o aumento das doenças respiratórias crônicas e o avanço das discussões sobre rastreamento do câncer de pulmão, exames de imagem ganham protagonismo ao permitir diagnósticos mais precoces, acompanhamento preciso e decisões clínicas mais seguras.

Tosse persistente, falta de ar, chiado no peito e cansaço constante ainda são sintomas frequentemente tratados como algo passageiro. Mas o avanço das doenças respiratórias crônicas e o aumento, em 28%, das internações por doenças respiratórias em 2026, apontado pelo InfoGripe, da Fiocruz, têm ampliado o alerta entre especialistas, especialmente diante da preocupação crescente com o diagnóstico precoce do câncer de pulmão.  

Nesse cenário, os exames de imagem ganharam papel central na investigação clínica, permitindo diagnósticos mais rápidos, monitoramento preciso e maior segurança na definição dos tratamentos. A discussão ganhou força recentemente após a Comissão de Saúde da Câmara dos Deputados aprovar regras gerais para ampliar o diagnóstico precoce do câncer de pulmão no SUS, reforçando a necessidade de acesso mais rápido a exames especializados e protocolos de rastreamento. 

Segundo a Dra. Claudia Friedrich, médica radiologista especialista em imagem abdominal e torácica da Fundação Instituto de Diagnóstico por Imagem - FIDI, a medicina diagnóstica deixou de atuar apenas na confirmação de doenças e passou a integrar decisões clínicas desde os primeiros sinais de alteração pulmonar.  

“Hoje, os exames de imagem permitem identificar alterações antes mesmo de sintomas mais graves aparecerem. Isso muda completamente a condução clínica porque amplia as possibilidades de tratamento, reduz o risco de evolução silenciosa de algumas doenças respiratórias e ajuda a evitar que muitos pacientes cheguem aos serviços de saúde em quadros mais graves”, explica a médica. 
 
Para Friedrich, o envelhecimento populacional e o aumento das doenças crônicas devem ampliar ainda mais a demanda por exames respiratórios nos próximos anos, especialmente em áreas ligadas ao rastreamento do câncer de pulmão, acompanhamento de fibroses e monitoramento de pacientes idosos.  

“Existe uma tendência de crescimento contínuo nessa direção. As pessoas estão vivendo mais, convivendo mais tempo com doenças crônicas e buscando diagnósticos mais precoces. Isso faz com que a medicina diagnóstica tenha um papel cada vez mais estratégico dentro da saúde”, conclui. 

Acompanhamento 

Entre os principais exames utilizados atualmente estão a radiografia de tórax, a tomografia computadorizada (especialmente a tomografia de alta resolução), o ultrassom pulmonar beira leito, a angiotomografia para investigação de embolia pulmonar e, em situações específicas, exames como PET-CT (Tomografia por Emissão de Pósitrons combinada com Tomografia Computadorizada) e ressonância magnética. 

Nos últimos anos, a tomografia ganhou protagonismo especialmente no acompanhamento de doenças como DPOC, fibrose pulmonar e câncer de pulmão. Isso porque o exame consegue mostrar detalhes estruturais do pulmão com precisão muito superior à do raio-X convencional. Em pacientes fumantes, idosos ou com exposição ocupacional prolongada, esse rastreamento pode representar a diferença entre um diagnóstico precoce e a descoberta tardia da doença. 

“A tomografia de alta resolução consegue identificar pequenas alterações pulmonares, áreas iniciais de fibrose e até nódulos muito pequenos. Em muitos casos, conseguimos acompanhar a progressão da doença com bastante precisão e orientar intervenções antes de um comprometimento mais avançado da função respiratória”, afirma a especialista. 

A tecnologia também vem transformando o diagnóstico em situações agudas. Um estudo recente da Radiological Society of North America (RSNA) mostrou que a tomografia com tecnologia photon-counting apresentou desempenho superior aos modelos convencionais no manejo do câncer de pulmão, ampliando qualidade de imagem e capacidade diagnóstica. 

Outro avanço importante está no ultrassom pulmonar realizado à beira do leito, principalmente em ambientes hospitalares e unidades de terapia intensiva. Dados da Sociedade Brasileira de Anestesiologia indicam que o método pode alcançar sensibilidade entre 89% e 100% na identificação de derrame pleural, superando, em alguns cenários, a radiografia tradicional. 

O futuro do exame 

Além da evolução dos equipamentos, a inteligência artificial começou a acelerar etapas importantes da análise diagnóstica. Hoje, sistemas conseguem identificar automaticamente nódulos pulmonares, áreas de opacidade e padrões suspeitos, priorizando exames mais graves e reduzindo o tempo de resposta para médicos e pacientes. “Esse avanço não substitui a análise médica, mas funciona como uma camada adicional de apoio. Ela ajuda a reduzir falhas perceptivas, prioriza casos críticos e traz mais agilidade para ambientes com grande volume de exames”, explica Claudia. 

Com a evolução da medicina diagnóstica, os exames de imagem passaram a ocupar um papel cada vez mais estratégico na prevenção e no acompanhamento das doenças respiratórias. Tecnologias mais precisas, aliadas à ampliação do diagnóstico precoce, têm contribuído para tratamentos mais rápidos, monitoramento contínuo e melhora na qualidade de vida dos pacientes, especialmente em um cenário de envelhecimento populacional e aumento das doenças crônicas. 

 

REFERÊNCIAS: 

Câmara dos Deputados (23/04/2026): Comissão aprova regras gerais para o diagnóstico precoce de câncer de pulmão no SUS — https://www.camara.leg.br/noticias/1265628-comissao-aprova-regras-gerais-para-o-diagnostico-precoce-de-cancer-de-pulmao-no-sus RSNA - Radiological Society of North America (03/02/2026): Photon-counting CT Outperforms Conventional CT in Lung Cancer Management — https://www.rsna.org/media/press/2026/2640 
 
SBA - Sociedade Brasileira de Anestesiologia (Março/2025): Avaliação da Função Respiratória com Ultrassom Beira Leito — https://www.sbahq.org/wp-content/uploads/2025/03/atow-523.pdf (89% a 100% para derrame pleural) comparados ao raio-X 

 

Dra. Claudia Friedrich 
Médica radiologista especialista em imagem abdominal e torácica, com mais de 13 anos de experiência em diagnóstico por imagem. Formada em Medicina em 2003, realizou residência em Cirurgia Geral entre 2005 e 2007 e residência em Radiologia entre 2008 e 2011, além de fellowship em imagem abdominal e torácica em 2012. Atualmente, atua como médica assistente em hospital estadual de São Paulo e integra o corpo clínico da FIDI.  

Sobre FIDI - Fundada em 1986 por médicos professores integrantes do Departamento de Diagnóstico por Imagem da Escola Paulista de Medicina – atual Universidade Federal de São Paulo (UNIFESP) –, a FIDI é uma Fundação privada sem fins lucrativos que reinveste 100% de seus recursos em assistência médica à população brasileira, por meio do desenvolvimento de soluções de diagnóstico por imagem, realização de atividades de ensino, pesquisa e extensão médico-científica, ações sociais e filantrópicas. Com mais de 2.100 colaboradores e um corpo técnico formado por mais de 500 médicos parceiros, a FIDI está presente em 100 unidades de saúde nos estados de São Paulo, Rio de Janeiro, Minas Gerais, Mato Grosso do Sul e Goiás. É a maior empresa especializada em diagnóstico por imagem do Brasil. Em 2025, foram 4,8 milhões de exames realizados - um crescimento de 11% em relação a 2024, entre ressonância magnética, tomografia computadorizada, ultrassonografia, mamografia, raios-X e densitometria óssea. Com soluções customizadas em diagnóstico por imagem, a FIDI oferece serviços de Telerradiologia, Gestão Completa, Consultoria, Educação Médica e Inteligência Artificial. 

A Fundação também trabalha na proposição de soluções inovadoras para a saúde pública, como sistema de análise de imagens de tomografia computadorizada por inteligência artificial e participou da primeira Parceria Público-Privada de diagnóstico por imagem na Bahia. Por duas vezes, a FIDI recebeu o prêmio Referências da Saúde 2019 e 2020, na categoria Qualidade Assistencial, e por três vezes foi medalhista em desafios internacionais de aplicação de inteligência artificial no diagnóstico por imagem, propostos na conferência anual da Sociedade Norte-Americana de Radiologia, considerado o maior congresso do setor no mundo. Ao final de 2020, a Central de Laudos da FIDI obteve a certificação ISO 9001:2015 de Gestão da Qualidade e em 2023 renovou a certificação, pela International Organization for Standardization e, em 2021, recebeu o selo de “Excelente Empresa Para se Trabalhar” (GPTW). 

Desde 2014, a FIDI atua na carreta-móvel do programa Mulheres de Peito, iniciativa do Governo do Estado de São Paulo e operacionalizado pela Fundação Instituto de Pesquisa e Estudo de Diagnóstico por Imagem (FIDI), é que oferece exames gratuitos de mamografia. Já são mais de 300 municípios atingidos, cerca de 300 mil mamografias, 7 mil ultrassons, 700 biópsias, e mais de 3 mil mulheres encaminhadas 

 

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