
Álcool, excesso de comidas gordurosas e noites mal dormidas; saiba as escolhas que podem minar os resultados
Com a Copa do Mundo já movimentando bares, churrascos, encontros entre amigos e familiares, muitos brasileiros que utilizam medicamentos injetáveis para emagrecer enfrentam um desafio: manter os resultados do tratamento em meio às mudanças de rotina típicas do período. Embora os análogos ao hormônio GLP-1, chamados popularmente de "canetas emagrecedoras, auxiliem no controle da fome e da saciedade, especialistas alertam que elas não anulam os impactos dos excessos alimentares, do consumo de álcool e da privação de sono.
A preocupação ganha relevância diante do alto número de pessoas que utilizam as medicações. Segundo dados da Euromonitor, 5,5% dos brasileiros já fazem uso de Mounjaro ou Ozempic - superando a média global que é de 3,7%. Nesse cenário, períodos de celebração coletiva, como o mundial de futebol, podem representar um teste para quem está em processo de emagrecimento.
Segundo o médico Marcelo Carneiro, nutrólogo e cirurgião bariátrico da Obesicenter (SP), que também comanda casos do reality Quilos Mortais Brasil, um dos erros mais frequentes é acreditar que o medicamento é capaz de compensar escolhas inadequadas feitas durante os jogos. "As canetas são uma ferramenta importante no tratamento da obesidade, mas não funcionam isoladamente. Quando o paciente passa vários dias consumindo mais calorias, bebendo álcool e dormindo pouco, isso pode impactar diretamente os resultados obtidos até então", explica.
O especialista destaca que o álcool merece atenção especial. Além de ser altamente calórico, ele pode potencializar efeitos gastrointestinais já associados ao tratamento, como náuseas, refluxo e desconfortos digestivos. "Muitas vezes, o problema não é apenas a bebida, mas tudo o que vem junto dela. O álcool favorece o consumo de petiscos e contribui para que o paciente ignore os sinais de saciedade, comendo em maior quantidade alimentos que não fazem parte da dieta", alerta.
As noites mais curtas também podem influenciar o processo de emagrecimento. Jogos em horários alternativos, comemorações após as partidas e alterações na rotina de descanso afetam hormônios ligados ao controle da fome, favorecendo o aumento do apetite e a busca por alimentos mais calóricos no dia seguinte. "O sono é uma parte importante no processo de emagrecimento e no tratamento da obesidade. Quando ele é negligenciado por vários dias seguidos, o organismo tende a reagir aumentando a sensação de fome e reduzindo a saciedade", explica o médico.
Outro comportamento que preocupa os especialistas é a interrupção do tratamento durante o torneio. Para Marcelo Carneiro, pausar o uso do medicamento sem orientação médica é “jogar fora” o investimento e disciplina conquistados até ali. "A Copa dura algumas semanas, mas a obesidade é uma doença crônica. O paciente não precisa deixar de participar das comemorações, mas deve entender que equilíbrio e planejamento continuam sendo fundamentais. O objetivo não é passar o torneio em restrição e recluso e sim evitar excessos que comprometam meses de dedicação", conclui.
Sobre o Dr. Marcelo Carneiro
Marcelo Carneiro é nutrólogo especialista em emagrecimento e cirurgião bariátrico da clínica Obesicenter (SP). É membro Titular da Sociedade Brasileira de Cirurgia Bariátrica e Metabólica (SBCBM), da IFSO – International Federation for the Surgery of Obesity and Metabolic Disorders, além de médico do reality Quilos Mortais Brasil.
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