Presidente da Câmara ignora relatório contra Luciano Demazzi, afronta Procuradoria da Mulher e transforma Legislativo em trincheira de proteção política

A Bronca Popular



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O presidente da Câmara de Aripuanã, Magno Guslinski Barro, o Wado Coopemiga (PSDB), parece decidido a entrar para a história não como defensor da moralidade pública, mas como o homem que transformou a Câmara Municipal em escudo político para proteger o vereador Luciano Demazzi, expulso do União Brasil por praticar violência política e de gênero contra a prefeita Seluir Peixer Reghin.

Nos bastidores, cresce a suspeita de que Wado se sente respaldado politicamente pelos deputados estaduais do PSDB, Carlos AvaloneJuca do Guaraná e Chico Guarnieri.

O movimento do presidente da Câmara em favor de Luciano Demazzi vem causando revolta justamente porque a própria comissão criada pela Casa concluiu pela falta de decoro parlamentar e recomendou oficialmente a cassação do mandato.

Mesmo diante do relatório conclusivo, Wado segura a leitura do parecer, empurra o caso com a barriga e ignora até manifestação formal da Procuradoria da Mulher da Assembleia Legislativa, que enviou ofício cobrando celeridade na apreciação do processo e repudiando a violência contra a mulher.

A reação do presidente foi interpretada como deboche político.

Em vez de explicar por que protege um vereador cercado por denúncias e medidas relacionadas à Lei Maria da Penha, Wado resolveu atacar o suplente Cilmo Santos, numa tentativa clara de desviar o foco do escândalo.

Wado não é juiz eleitoral, não é Ministério Público e tampouco possui autoridade para revisar uma decisão legitimada pelas urnas e pela Justiça Eleitoral

O presidente tenta justificar a blindagem alegando que o suplente responderia a processo de improbidade. Mas essa avaliação não lhe compete. Wado não é juiz eleitoral, não é Ministério Público e tampouco possui autoridade para revisar uma decisão legitimada pelas urnas e pela Justiça Eleitoral.

O argumento utilizado é tão frágil quanto perigoso: manter no cargo um parlamentar acusado de violência política e de gênero porque o suplente não lhe agrada politicamente.

Trata-se de uma inversão moral grotesca.

A função do presidente da Câmara é cumprir o rito legal e colocar o relatório em votação, não escolher quem merece assumir mandato.

Mais grave ainda: segundo apuração da reportagem, Wado estaria articulando um golpe baixo nos bastidores.

O que Luciano Demazzi sabe que faz Wado agir como advogado de defesa e não como presidente do Legislativo?

A suspeita é de que o presidente trabalha para promover alterações no Regimento Interno da Câmara com o objetivo de anular o parecer da comissão que recomendou a cassação de Luciano Demazzi. O movimento já espalha forte cheiro de pizza em Aripuanã e aprofunda a sensação de aviltamento do parlamento municipal.

Nos corredores da política local, cresce uma pergunta incômoda: o que Luciano Demazzi sabe que faz Wado agir como advogado de defesa e não como presidente do Legislativo?

Enquanto isso, a Câmara afunda em descrédito, a população perde a paciência e o presidente insiste em manobras que colocam o corporativismo político acima da ética, da moralidade pública e do respeito às mulheres.

Chico Guarnieri cobra rigor contra Luciano Demazzi

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O deputado estadual Chico Guarnieri entrou em contato com a reportagem para manifestar solidariedade à prefeita Seluir Peixer Reghin e repudiar, com veemência, qualquer ato do presidente da Câmara de Aripuanã que possa minimizar os fatos ou assegurar impunidade ao vereador acusado de violência contra a mulher.

“Não apoio e não convalido qualquer ato de violência contra a mulher. Defendo, para o caso do vereador Luciano, o mesmo rigor que defendemos no episódio envolvendo o então presidente da Câmara de Barra do Bugres, Junior Chaveiro, que foi preso, afastado do cargo e teve o mandato cassado após agredir a namorada”, afirmou.