Psicóloga explica como experiências, crenças e padrões emocionais mantêm o comportamento tímido ao longo dos anos
Ao contrário do que muitos acreditam, a timidez não é uma característica restrita à infância ou adolescência. Para grande parte das pessoas, ela segue presente na vida adulta, influenciando relações pessoais, profissionais e a forma como o indivíduo se posiciona no mundo.
Embora o amadurecimento traga mais repertório social e experiências, isso não significa que o desconforto desapareça. Em muitos casos, ele apenas muda de forma, tornando-se mais discreto, mas ainda presente no comportamento e nas decisões do dia a dia.
De acordo com a psicóloga especialista em timidez e ansiedade social, Karina Orso, a permanência desse padrão está ligada a construções emocionais ao longo da vida. “A timidez não é simplesmente falta de prática social. Ela geralmente está associada a crenças internas, como medo de julgamento, receio de rejeição e autocrítica elevada, que não desaparecem automaticamente com o tempo”, explica.
Na vida adulta, esse comportamento tende a se manifestar de maneira mais sutil. Pode aparecer na dificuldade de se posicionar no trabalho, no receio de falar em reuniões, na evitação de interações sociais ou na tendência de se manter em segundo plano. Ainda que muitas pessoas consigam cumprir suas responsabilidades, há um desgaste interno significativo envolvido nessas situações.
Esse padrão também pode ter origem em experiências anteriores, como críticas frequentes, rejeições ou episódios constrangedores, que reforçam a necessidade de autoproteção. “Ao longo do tempo, a pessoa aprende a evitar situações que geram desconforto. O problema é que essa evitação limita o desenvolvimento da confiança”, destaca a especialista.
Diante desse cenário, pequenas mudanças de comportamento podem ajudar a interromper esse ciclo. A psicóloga Karina Orso aponta algumas atitudes práticas que contribuem para lidar melhor com a timidez no dia a dia:
- Reduzir a autocrítica e questionar pensamentos automáticos negativos;
- Evitar comparações constantes;
- Permitir-se participar de interações, mesmo com desconforto;
- Começar com pequenas exposições no cotidiano;
- Entender que a comunicação não precisa ser perfeita.
A expectativa de que a timidez desapareça naturalmente com o tempo pode intensificar a frustração. Quando isso não acontece, surgem comparações e cobranças internas que reforçam o ciclo de insegurança. Além disso, o contexto da vida adulta, com ambientes profissionais mais exigentes e pressão por desempenho, pode aumentar o receio de errar ou de se expor, fazendo com que o silêncio pareça uma alternativa mais segura.
Apesar disso, a timidez não é fixa. Segundo Karina, a confiança se constrói a partir da experiência. “A segurança não vem antes da ação, ela é desenvolvida no contato com situações reais. É assim que a pessoa percebe que consegue lidar com o desconforto”, afirma.
Karina também reforça a importância de um olhar mais acolhedor sobre si. “A timidez não precisa ser eliminada, mas compreendida. Quando a pessoa deixa de lutar contra quem é e passa a se apoiar, a comunicação se torna mais leve e possível”, conclui.
Sobre Karina Orso
Karina de Oliveira Orso é psicóloga especialista em timidez e ansiedade social, CRP 07/29458. Após superar a própria timidez, direcionou sua atuação profissional para ajudar pessoas que enfrentam dificuldades de comunicação, medo de julgamento e insegurança nas interações sociais. É idealizadora do Curso Interagindo e do Grupo Espaço de Expressão, metodologia voltada ao fortalecimento emocional e desenvolvimento da confiança. É também fundadora da Clínica Psicoline, especializada no atendimento de pessoas tímidas e com ansiedade social. Saiba mais aqui!
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