malha fina do Imposto de Renda

Mudança no cruzamento de dados e fim da Dirf provocam inconsistências no sistema; Receita Federal afirma que situação é "administrável", mas orienta atenção ao informe de rendimentos

Foto do perfil do autor - Carolina Sott

Florianópolis

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A extinção da Dirf e a migração para o eSocial causaram um erro de sincronia que levou milhares de contribuintes à malha fina do Imposto de RendaFoto: Agência Brasil/Reprodução/ND Mais

O fim de uma era na Receita Federal trouxe um “presente” indigesto para milhares de brasileiros em 2026. A aposentadoria da Dirf (Declaração do Imposto sobre a Renda Retido na Fonte), aquele documento clássico que as empresas usavam para consolidar os ganhos dos funcionários, provocou um “curto-circuito” no sistema.

O resultado? Mais de 257 mil contribuintes foram direto para a malha fina do Imposto de Renda devido a divergências no novo modelo de coleta de dados. 

No total, o volume de declarações retidas por inconsistências já ultrapassa 1 milhão, o que representa 6,96% dos envios realizados até 23 de abril – um salto em comparação aos 5,22% registrados no mesmo período do ano passado.

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257 mil declarações na malha fina: por que isso aconteceu?

Até o ano passado, a Dirf era o porto seguro da Receita: um documento anual e consolidado. A partir de 2025, tudo mudou. Agora, o Fisco puxa os dados mensalmente de duas bases digitais: o eSocial e a EFD-Reinf.

O problema é que a teoria superou a prática. Como esses sistemas são mais complexos e exigem atualizações constantes (como lançamentos de férias e prazos rígidos), qualquer atraso ou erro da empresa gera um conflito de informações.

Se houver erro nos valores retidos, a empresa deve retificar os dados mensalmente para liberar o Imposto de Renda do trabalhadorFoto: Reprodução/ND MaisSe houver erro nos valores retidos, a empresa deve retificar os dados mensalmente para liberar o Imposto de Renda do trabalhadorFoto: Reprodução/ND Mais

“Trata-se de um efeito pontual, que tende a ser reduzido ao longo da campanha”, afirma a Receita Federal, definindo a situação como “administrável”.

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‘Um transtorno’: o lado de quem paga a conta

Para quem está do outro lado da tela, a experiência tem sido frustrante. É o caso de Edilson Bastos, técnico em edificações na Bahia, que viu sua declaração do Imposto de Renda 2026 cair em pendência mesmo seguindo o informe de rendimentos oficial. “Achei que o erro era meu, foi um transtorno”, relata. As informações são do UOL.

As empresas também sentem o peso. Francielly Chicon, especialista em processamento de folhas de pagamento, aponta que o acúmulo de trabalho foi inevitável para tentar ajustar os dados em tempo hábil.

Diferente da Dirf, o novo sistema exige que eventos específicos, como férias e rescisões, sejam relatados exatamente no mês em que ocorrem, aumentando o rigor fiscalFoto: Reprodução/ND MaisDiferente da Dirf, o novo sistema exige que eventos específicos, como férias e rescisões, sejam relatados exatamente no mês em que ocorrem, aumentando o rigor fiscalFoto: Reprodução/ND Mais

Além disso, entidades como a ABRH e o Sescon-SP criticam a falta de um período de transição. Para os especialistas, a Dirf deveria ter funcionado em paralelo por mais um ano para evitar esse apagão de dados.

Caiu na malha fina ou vai declarar agora? Saiba o que fazer:

Se você ainda não enviou sua declaração do Imposto de Renda ou se já está com pendências, siga estas orientações:

SituaçãoO que fazer
Ainda não entregouUse o Informe de Rendimentos fornecido pela sua empresa. Se ele estiver correto, confie nele, mesmo que a pré-preenchida mostre algo diferente.
Divergência de dadosProcure o RH da sua empresa imediatamente. Eles precisam corrigir o erro no sistema deles para que sua declaração saia da malha fina automaticamente (geralmente em uma semana).
Novo informe recebidoSe a empresa te enviar um documento corrigido, você precisará fazer uma declaração retificadora para atualizar os valores junto à Receita.

A Receita Federal reforça que o eSocial unificou o envio de informações e substituiu 15 formulários antigos, e que os erros atuais são esperados em uma transição tecnológica desta magnitude. O foco, agora, é a correção rápida por parte das fontes pagadoras.


O último dia para enviar o documento é 29 de maio, às 23h59.