Sintomas muitas vezes silenciosos e inespecíficos tornam o diagnóstico desafiador e reforçam a importância de atenção precoce por parte de pais, cuidadores e profissionais de saúde

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Nem sempre os tumores cerebrais apresentam sinais evidentes. Uma dor de cabeça que insiste, um comportamento que muda aos poucos, um cansaço que não passa. Em muitos casos que ocorrem em crianças e adolescentes, os primeiros sintomas são silenciosos e é justamente aí que mora o risco.

Foi assim com Laura Beatriz. Em 2019, aos 9 anos, durante um passeio em família no Nordeste, uma queda enquanto brincava com a prima parecia apenas mais um episódio comum da infância. Dois dias depois, no entanto, algo começou a chamar a atenção da mãe: Laura passou a perder a força nos braços.

A família voltou para São Paulo e buscou atendimento médico. Os primeiros exames não apontaram alterações. Ainda assim, os sinais persistiam e evoluíam. Aos poucos, Laura também começou a perder a força nas pernas, passou a sofrer novas quedas e apresentar dificuldades que antes não existiam.

Diante da progressão dos sintomas, a família voltou a procurar ajuda. Foi então que, por meio de uma tomografia, veio o diagnóstico: um glioma de baixo grau, tipo de tumor cerebral.

Durante o Maio Cinza, mês dedicado à conscientização sobre os tumores cerebrais, especialistas reforçam um alerta importante: reconhecer esses sinais precocemente pode fazer toda a diferença no tratamento e no futuro dessas crianças.

Os tumores do sistema nervoso central estão entre os mais frequentes na oncologia pediátrica, ao lado das leucemias. No Brasil, o Instituto Nacional de Câncer (INCA) estima 7.560 novos casos de câncer infantojuvenil por ano entre 2026 e 2028, e os tumores cerebrais figuram entre os principais diagnósticos nessa faixa etária.

Apesar dos avanços da medicina, o diagnóstico ainda é um desafio. Isso porque os sintomas iniciais costumam ser inespecíficos e podem ser facilmente confundidos com situações comuns da infância, o que, muitas vezes, atrasa a investigação.

“O tumor cerebral na criança está entre os mais desafiadores da oncologia pediátrica, tanto do ponto de vista do diagnóstico quanto do tratamento. Mas sabemos que, quanto mais cedo esse diagnóstico é feito, maiores são as chances de alcançar um bom resultado”, explica o oncopediatra Sidnei Epelman, diretor do Serviço de Oncologia Pediátrica do Santa Marcelina Saúde, e fundador e presidente da TUCCA (Associação para Crianças e Adolescentes com Câncer). 

Sinais que não devem ser ignorados

O cérebro, responsável por funções essenciais como movimento, memória, emoções e atividades involuntárias, pode manifestar sinais diferentes dependendo da região afetada. Por isso, não existe um padrão único de sintomas, o que exige atenção redobrada de pais, cuidadores e professores.

Entre os principais sinais de alerta estão dor de cabeça persistente, especialmente quando associada a vômitos (muitas vezes pela manhã), alterações visuais, dificuldades de equilíbrio, mudanças de comportamento e sonolência excessiva. Convulsões sem febre também devem ser investigadas com urgência.

“Na prática, quem primeiro percebe que algo não está bem são os pais, cuidadores ou professores. A criança começa a apresentar sintomas que não eram habituais, e esses sinais passam a se repetir ou piorar com o tempo. Esse padrão precisa ser valorizado”, reforça Epelman.

Em crianças menores, os sinais podem ser ainda mais sutis e, por isso, mais fáceis de passar despercebidos. Irritabilidade constante, aumento do tamanho da cabeça fora do padrão esperado, alterações no olhar e regressão do desenvolvimento motor estão entre os indícios que exigem avaliação médica.

Já em crianças maiores e adolescentes, sintomas como visão turva, perda de coordenação, cansaço excessivo e alterações comportamentais progressivas também podem indicar alterações neurológicas importantes.

Um dos principais pontos de atenção, segundo o médico, é a evolução dos sintomas ao longo do tempo. “O que chama atenção não é um sintoma isolado, mas a persistência e a progressão”, afirma.

A recomendação é clara: qualquer mudança fora do padrão habitual da criança, especialmente quando persistente, deve ser avaliada por um profissional de saúde. “Não podemos normalizar esses sinais. Quanto antes essa criança chega a um centro especializado, maior é a chance de diagnóstico adequado e de um tratamento eficaz”, completa.

Diagnóstico, tratamento e acesso

O diagnóstico de tumores cerebrais é feito, principalmente, por meio de exames de imagem, como ressonância magnética e tomografia, que permitem identificar alterações no sistema nervoso central. Em muitos casos, a confirmação envolve também biópsia e avaliação especializada para definição do tipo de tumor. 

O tratamento varia de acordo com a localização e as características da doença, podendo incluir cirurgia, quimioterapia e radioterapia. No caso de Laura, o início dessa jornada marcou uma mudança profunda na rotina da família, que passou a conviver com consultas, exames e decisões difíceis, uma realidade comum a milhares de famílias brasileiras.

“Não é só sobre ter tratamento disponível, é sobre garantir que ele aconteça no tempo certo. Esse intervalo entre o primeiro sintoma e o início do cuidado pode mudar completamente a evolução da doença”, finaliza Sidnei Epelman.


Sobre a TUCCA

Fundada em 1998 pelo oncologista pediátrico Sidnei Epelman e pela psicanalista Claudia Epelman (in memoriam), a TUCCA (Associação para Crianças e Adolescentes com Câncer) é uma organização sem fins lucrativos que desenvolveu um modelo pioneiro de parceria público-privada na oncologia pediátrica que atende pacientes do Brasil e da América Latina. 

Em parceria com o Santa Marcelina Saúde - hospital de alta complexidade na Zona Leste de São Paulo -, mantém o primeiro e único serviço dedicado ao tratamento do câncer infantojuvenil da região, oferecendo tratamento integral baseado em diagnóstico rápido e preciso, terapias de ponta, equipe altamente qualificada e medicamentos de alto custo. Todo o tratamento é gratuito, viabilizado pelo Sistema Único de Saúde (SUS) complementado com doações que garantem acesso a atendimento multidisciplinar de excelência e a toda a assistência necessária ao longo do tratamento.

A estrutura abrange desde o atendimento ambulatorial, para infusões e consultas, até toda a infraestrutura de internação, garantindo suporte completo a crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade. A assistência vai além do cuidado médico e inclui suporte social e emocional por meio de uma equipe multidisciplinar que acompanha os pacientes e suas famílias durante toda a jornada.

Entre os diferenciais estão o Centro de Atenção Integrada à Criança com Retinoblastoma, referência nacional no tratamento da doença, um Laboratório de Patologia Molecular (o primeiro para pacientes SUS em São Paulo, que beneficia pessoas de todo o Brasil e da América Latina desde 2018), o primeiro hospice pediátrico do país, inaugurado em 2013, e transporte gratuito para eliminar barreiras de acesso ao tratamento. Esse olhar humanizado tem resultado em índices de cura de 80%, taxa comparável à dos principais centros de referência em oncopediatria da Europa e dos Estados Unidos. Nesse contexto, a TUCCA | Santa Marcelina Saúde é a primeira organização da América Latina a integrar o programa global de câncer pediátrico do Memorial Sloan Kettering Cancer Center (MSK), fortalecendo o intercâmbio de conhecimento, protocolos e inovação.

Ao longo de mais de 25 anos, a parceria com o Santa Marcelina Saúde já beneficiou aproximadamente 6 mil crianças e jovens, provando que é possível democratizar a excelência oncológica quando há sinergia entre capacidade instalada e investimento estratégico por meio da filantropia. Toda essa estrutura é integralmente mantida por doações, patrocínios e eventos beneficentes, reforçando o compromisso da TUCCA com a saúde, a vida e a dignidade de seus pacientes.

Para apoiar ou saber mais: www.tucca.org.br


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