O aumento das recuperações judiciais no Brasil está diretamente ligado ao nível elevado de juros e à volatilidade de variáveis econômicas, segundo Fabio Astrauskas, economista da Siegen Consultoria. A análise foi feita durante o Country Risk Conference Brasil, evento promovido pela Coface, no painel Market Perspectives, que também contou com a participação de Ricardo Guimarães, CEO do BNP Paribas Brasil; Leila Zorzetto, diretora do Grupo Disam; e Roshan Shafa, CFO do Groupe SEB.
De acordo com ele, a manutenção prolongada da taxa de juros em patamares de dois dígitos é o principal fator por trás da alta recente.
“Há evidências de que juros elevados por um período prolongado impulsionam as recuperações judiciais, mesmo em cenários de crescimento econômico”, afirmou.
O especialista também destacou o impacto da volatilidade de câmbio, preços de commodities e custos de insumos, que dificulta o planejamento financeiro das empresas.
Segundo ele, o descasamento entre custos e preços de venda compromete margens e pode levar empresas a situações de estresse financeiro.
Astrauskas ressaltou ainda o crescimento das recuperações extrajudiciais, favorecidas por mudanças na legislação, que tornaram o instrumento mais ágil e flexível.
Esse modelo permite renegociar dívidas específicas com credores selecionados, antes de uma eventual recuperação judicial mais ampla.
AI
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