Imagina disparar 62 tiros contra um carro de família e ser absolvido?


Foi exatamente o que aconteceu nesta semana. A maioria dos ministros do Superior Tribunal Militar (STM) decidiu manter a absolvição de militares pela morte do músico Evaldo Rosa e a redução drástica das penas pelo assassinato do catador Luciano Macedo. O crime, ocorrido em 2019 no Rio de Janeiro, teve as sentenças originais de 30 anos reduzidas para menos de 4 anos em regime aberto.


Essa decisão não é um fato isolado; ela faz parte de um cenário de retrocessos jurídicos. Enquanto o STM suaviza punições para militares, o Congresso avança com o "PL da Dosimetria", que abre caminho para reduzir as penas dos envolvidos nos atos golpistas de 8 de janeiro. 


É contra essa impunidade do Estado que movimentos como as Mães de Maio lutam. Este mês marca os 20 anos dos "Crimes de Maio", quando mais de 500 pessoas — em sua maioria jovens negros — foram mortas por forças policiais em São Paulo. O que nasceu do luto de mães como Débora Silva tornou-se um dos maiores movimentos de direitos humanos do Brasil, transformando a dor em defesa contra o racismo e a opressão.


Neste Dia das Mães, o podcast Pauta Pública recebeu Débora Silva para uma conversa emocionante e potente. Ela nos lembra que, diante de um sistema que tenta nos acovardar, o único caminho é a resistência: “Não tem outro caminho para atingir o sistema a não ser gritar, ocupar e resistir. Não é ‘sim, senhor’, é ‘não senhor’. Para eles respeitarem a dor do luto”, afirma Débora. 


“Nós estamos decididas a parir uma nova sociedade, nós estamos determinadas. Cada dia que passa é um aprendizado a mais. É o poder da transformação e não se acovardar. Essa é a palavra chave: não se acovardar.


E por que o jornalismo importa nesta luta?


O sistema conta com o seu esquecimento. Eles contam com o cansaço das mães, com a poeira nos processos e com o silêncio das redações.


O jornalismo investigativo da Agência Pública é o que impede que o barulho dos 62 tiros seja abafado pelo silêncio dos tribunais. Nós vamos a fundo nas apurações para que a impunidade não vire regra.


Mas o jornalismo independente só sobrevive com apoio real.


Neste Dia das Mães, não ofereça apenas homenagens. Inspire-se na coragem daquelas que decidiram não se acovardar e "parir uma nova sociedade". Apoie a Pública. Sua doação é o que garante nossa independência para investigar o poder e lutar por reparação.


Não deixe que a injustiça vença pelo cansaço. Escolha um lado: o da memória e da justiça.


Te vejo nas trincheiras, Aliada(o)?