No Dia das Mães, especialistas alertam para os impactos da sobrecarga física e emocional na saúde de mulheres que acumulam funções de cuidado ao longo da vida

No cotidiano de muitas famílias, o cuidado com filhos, parceiros e familiares idosos ainda recai majoritariamente sobre as mulheres. No contexto do Dia das Mães, a data reforça uma realidade que vai além da celebração: a sobrecarga física, emocional e mental associada a essa função pode ter efeitos diretos na saúde ao longo dos anos.

Dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística mostram que as mulheres brasileiras dedicam, em média, quase o dobro de tempo que os homens aos afazeres domésticos e ao cuidado de pessoas. Esse acúmulo de funções, muitas vezes invisível, tende a impactar desde a qualidade do sono até o equilíbrio hormonal e metabólico.

“Cuidar exige energia física, disponibilidade emocional e atenção constante. Quando isso acontece de forma prolongada, sem espaço para recuperação, o organismo começa a dar sinais de sobrecarga”, afirma a endocrinologista e PhD Alessandra Rascovski, autora do livro Atmasoma – O equilíbrio entre a ciência e o prazer para viver mais e melhor.

Segundo a médica, sintomas como cansaço persistente, dificuldade de concentração, alterações no sono e oscilações de humor podem surgir de forma gradual e, muitas vezes, são interpretados como parte da rotina. “Existe uma tendência de naturalizar esse estado de exaustão, especialmente entre mulheres que exercem múltiplos papéis. Mas o corpo responde a esse acúmulo, mesmo quando os exames ainda não mostram alterações evidentes”, explica.

O impacto do cuidado contínuo no organismo

Do ponto de vista fisiológico, a sobrecarga associada ao cuidado contínuo pode ativar mecanismos relacionados ao estresse crônico, com repercussões em diferentes sistemas do corpo. A ativação prolongada do eixo hipotálamo-hipófise-adrenal, responsável pela liberação de cortisol, está associada a alterações no metabolismo, no sono e na resposta inflamatória.

Além disso, a falta de tempo para autocuidado pode comprometer hábitos fundamentais para a manutenção da saúde, como alimentação equilibrada, prática de atividade física e acompanhamento médico regular.

Para a dermatologista Stephanie Bellotti, da Atma Soma, esse cenário também se reflete diretamente na saúde da pele, que muitas vezes funciona como um dos primeiros indicadores de sobrecarga do organismo. “A pele é um órgão extremamente sensível às alterações internas. O estresse crônico, a privação de sono e a sobrecarga emocional podem desencadear ou agravar quadros como acne, queda de cabelo, dermatites e até o envelhecimento precoce”, afirma.

Ela explica que, além dos impactos físicos, há também uma dimensão importante relacionada à autoestima. “Quando a mulher está constantemente sobrecarregada, o autocuidado costuma ser um dos primeiros aspectos negligenciados. Isso não afeta apenas a saúde da pele, mas também a forma como ela se percebe. A autoestima pode ficar fragilizada, criando um ciclo em que ela se cuida cada vez menos”, diz.

Cuidar de si também é parte do cuidado

O reconhecimento da saúde da mulher cuidadora como uma questão relevante passa, também, por uma mudança de perspectiva sobre o próprio conceito de cuidado.

“Cuidar de si não é uma pausa na rotina, mas uma condição para sustentá-la. Quando a mulher mantém sua saúde física e mental preservadas, ela consegue exercer o cuidado de forma mais estável e menos desgastante”, afirma Alessandra Rascovski.

De acordo com a World Health Organization (OMS), fatores como estresse crônico, sedentarismo e alimentação inadequada estão entre os principais determinantes de doenças crônicas não transmissíveis, responsáveis por cerca de 74% das mortes no mundo. Esse cenário reforça a importância de intervenções precoces e acompanhamento contínuo.

Para Stephanie Bellotti, o acompanhamento dermatológico regular também deve fazer parte dessa rotina de cuidado. “A saúde da pele não deve ser observada apenas quando surgem alterações mais evidentes. Mudanças na textura, na oleosidade, no surgimento de manchas ou na queda de cabelo podem ser sinais importantes de desequilíbrios internos e merecem atenção”, explica.

As especialistas destacam que o cuidado com a mulher cuidadora deve considerar o organismo de forma integrada, levando em conta aspectos físicos, emocionais e hormonais. Nesse contexto, informação qualificada e acesso a acompanhamento multidisciplinar são fundamentais para reduzir impactos e promover mais qualidade de vida ao longo dos anos.

No Dia das Mães, o debate sobre a saúde feminina ganha um novo olhar: reconhecer que o cuidado começa, também, por quem cuida. “Ao longo da vida, muitas mulheres foram ensinadas a cuidar de todos ao redor, mas pouco incentivadas a olhar para si mesmas com a mesma atenção. Reconhecer os próprios limites, respeitar os sinais do corpo e incluir o autocuidado na rotina não é um ato de egoísmo, e sim uma estratégia de saúde. Sustentar o cuidado pelo outro começa, necessariamente, pelo cuidado consigo mesma.”, conclui Alessandra Rascovski.


Sobre a Atma Soma

Liderada pela endocrinologista Alessandra Rascovski, autora do livro Atmasoma: o equilíbrio entre a ciência e o prazer para viver mais e melhor - a clínica tem foco na prática da medicina de soma, unindo várias especialidades em prol dos pacientes, respeitando a sua individualidade e oferecendo a eles uma vida longa e autônoma.

A clínica conta com um time de médicos e profissionais assistenciais de diversas áreas, como endocrinologia, urologia, ginecologia, nutrição, gastroenterologia, geriatria, dermatologia, estética, medicina oriental e ayurveda, com olhar dedicado à prática do cuidado focado no eixo neurocognitivo, metabólico e hormonal.


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