O encontro reuniu cerca de 700 empresários na Avenida Paulista para debater o uso de inteligência artificial, novos processos de liderança e o futuro do foodservice no Brasil
Escassez de mão de obra, margens pressionadas e dificuldade para lucrar mesmo com casas cheias impulsionaram a 5ª edição do Encontro Nacional Donos de Restaurantes, realizado entre 27 e 29 de abril, no Shopping Center 3, na Avenida Paulista, em São Paulo. O evento reuniu cerca de 700 empresários do segmento de alimentação de diferentes regiões do país, em um momento em que bares e restaurantes buscavam respostas para desafios operacionais que vinham limitando expansão e rentabilidade.
Idealizador do encontro, Marcelo Marani, especialista em gestão gastronômica, fundador e CEO da Donos de Restaurantes, afirmou que a procura pelo evento refletiu uma mudança de postura dos empresários. “O dono do restaurante percebeu que o movimento no salão não garantia lucro. Muita gente vendia bem e seguia sem caixa, sem equipe estável e sem previsibilidade. O evento cresceu porque o setor passou a buscar gestão profissional”, disse.
Criado em 2022, o encontro chegou à quinta edição consolidado como um dos principais fóruns privados voltados ao foodservice nacional. O público foi formado majoritariamente por empresários com faturamento acima de R$ 150 mil mensais, além de consultores, fornecedores e executivos ligados à cadeia de alimentação fora do lar. A edição de 2026 teve apoio de empresas do setor, como iFood e Unilever, além de marcas ligadas à tecnologia e serviços para o segmento.
Estratégia e vozes que movem o mercado
Ao longo de três dias, a programação foi estruturada em temas práticos ligados à rotina do negócio, como gestão financeira, precificação, margem de lucro, liderança, marketing, redes sociais, expansão, produtividade da cozinha e uso de inteligência artificial aplicada a restaurantes. Também houve conteúdos voltados à operação, tomada de decisão, cultura organizacional e crescimento consistente.
Entre os principais convidados estiveram Erik Momo, presidente da Associação Nacional de Restaurantes, que falou sobre estratégias comerciais e campanhas para aumento de vendas, e Paulo Solmucci, presidente executivo da Abrasel, que abordou o cenário do segmento no pós pandemia, desafios operacionais e o papel dos aplicativos.
Também participaram Pedro Silveira, CEO do Grupo Alife Nino, e Rafael Mello, vice presidente do Madero, em painel sobre os bastidores da expansão de grandes redes no Brasil. A programação contou ainda com nomes como Netão, do Bom Beef, com palestra sobre construção de marca e crescimento orgânico nas redes sociais, e Isaac Azar, CEO do Paris 6, que tratou de branding e posicionamento.
Segundo Marani, o encontro foi estruturado para responder a uma dor recorrente do segmento. “Durante anos, parte do mercado tratou restaurante como talento culinário apenas. Hoje ficou claro que restaurante é empresa, depende de indicador, processo e liderança. Quem não profissionalizou a operação começou a perder margem”, afirmou.
O desafio da rentabilidade e eficiência operacional
Pelos temas apresentados, a escassez de mão de obra, a necessidade de cardápios mais rentáveis, o fortalecimento de marca e a profissionalização da gestão estiveram entre os assuntos centrais desta edição. O avanço dos aplicativos e a busca por crescimento sustentável também apareceram como preocupações frequentes entre empresários.
A falta de equipes estáveis seguiu como um dos principais gargalos para bares e restaurantes. “Não faltava só garçom ou cozinheiro. Faltava gente treinada, preparada e alinhada com cultura de resultado. Sem equipe estruturada, o dono vira refém do improviso diário”, disse Marani.
Outro ponto recorrente foi a lucratividade. Mesmo com casas movimentadas em datas fortes e fins de semana, muitos estabelecimentos relataram dificuldade para transformar faturamento em resultado líquido. Para o organizador, esse descompasso vinha de erros básicos. “Preço mal calculado, desperdício alto, compras ruins e ausência de rotina financeira corroem negócios que parecem saudáveis por fora”, afirmou.
Ao final do encontro, a avaliação entre participantes foi de que o segmento entra em uma fase mais madura, com menos espaço para decisões intuitivas e maior pressão por eficiência. O avanço do evento desde 2022 acompanha essa transição do foodservice brasileiro: de um mercado focado apenas em vender mais para outro pressionado a operar com eficiência e disciplina financeira.
Sobre Marcelo Marani
Marcelo Marani é fundador e CEO da Donos de Restaurantes, uma das principais escolas para donos de restaurantes da América Latina. Professor formado em Ciência da Computação, com mestrado em Administração de Empresas, defendeu em 2007 uma tese que mostrava que 70% dos donos de restaurantes não trabalham com qualquer tipo de fidelização.
Empresário, sócio de mais de 10 empresas do foodservice, com um faturamento de R$28MM em 2025, tem mais 27 anos de experiência no mercado de alimentação e é considerado um dos maiores especialistas em gestão e aumento de faturamento para restaurantes do Brasil.
Marani é autor do livro Transforme o seu Restaurante em um Negócio Milionário, da editora Gente. É também host do podcast mais escutado no Brasil para donos de restaurantes. Foi apresentador de TV, no programa Café com Chef da Band domingo de manhã.
Já treinou mais de 35 mil empresários, em 23 capitais do Brasil, e já fez trabalhos em Portugal e na Argentina.
Para mais informações, visite o Instagram ou pelo site.
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