Paciente de 1 ano e 8 meses, diagnosticado com tumor no fígado e metástase no pulmão, está na fase final do tratamento no Santa Marcelina, em parceria com a TUCCA, na Zona Leste de São Paulo

Maitê tinha pouco mais de 1 ano quando começaram os primeiros sintomas de constipação e distensão abdominal. Com o Dia Mundial de Combate ao Câncer chegando, a história da criança atendida pela rede pública, na Zona Leste da capital paulista, evidencia como o acesso ao tratamento pode ser determinante no desfecho da doença. O que parecia um quadro comum da infância levou a família a buscar atendimento e, poucos dias depois, a um diagnóstico que mudaria completamente suas vidas. “Nenhuma mãe que gera um filho tão esperado imagina que um dia vai ouvir essa palavra tão terrível: câncer”, conta Yasmin, de 22 anos, mãe da criança.

Encaminhada para acompanhamento pela TUCCA, em colaboração com o Santa Marcelina Saúde, na Zona Leste de São Paulo, a criança foi diagnosticada com hepatoblastoma, um tumor maligno no fígado, já com metástase no pulmão. Diante do quadro, a indicação inicial incluía a necessidade de transplante hepático. “O desespero maior era limpar o pulmão, porque o fígado da Maitê já não servia mais. Precisava de transplante urgente”, relembra a mãe.

Encaminhada para acompanhamento no Serviço de oncologia do Santa Marcelina, mantido em parceria com a TUCCA, na Zona Leste de São Paulo, a criança foi diagnosticada com hepatoblastoma, um tumor maligno no fígado, já com metástase no pulmão. Diante do quadro, a indicação inicial incluía a necessidade de transplante hepático. “O desespero maior era limpar o pulmão, porque o fígado da Maitê já não servia mais. Precisava de transplante urgente”, relembra a mãe.

 

O tratamento foi iniciado com quimioterapia. Após três ciclos, os exames indicaram uma resposta significativa: a doença pulmonar deixou de ser identificada e parte do fígado foi preservada, afastando a necessidade do transplante.

Com a regressão do quadro, a paciente passou por uma cirurgia de alta complexidade, com duração de 12 horas, para retirada do tumor. O resultado trouxe uma nova perspectiva para o tratamento. “Voltamos com a Maitê completamente limpa. Não tinha mais metástase no pulmão e o tumor foi retirado. Hoje, estamos finalizando o tratamento”, afirma Yasmin.

O caso foi conduzido dentro de um modelo que integra o atendimento pelo SUS ao acesso a estrutura de alta complexidade, viabilizado pela atuação conjunta da TUCCA com o Santa Marcelina Saúde. A iniciativa permite que crianças em situação de vulnerabilidade social tenham acesso a diagnóstico rápido, terapias atualizadas e acompanhamento multidisciplinar.

“Cada paciente é único. E é preciso fazer com que as terapias que oferecemos hoje sejam ainda mais precisas e melhores do que as de ontem”, afirma o oncologista pediatra Sidnei Epelman, diretor do Serviço de Oncologia Pediátrica do Santa Marcelina Saúde e fundador e presidente da TUCCA.

Para Yasmin, a experiência também revela a dimensão emocional do tratamento. “Você é tudo o que o seu filho precisa. A sua força transmite força para ele. E pode acreditar: não tem ninguém mais forte do que essas crianças”, diz.

Casos como esse evidenciam a possibilidade de acesso a tratamento especializado em oncologia pediátrica na rede pública, mesmo em regiões periféricas, com impacto direto nas chances de sobrevida e na qualidade do cuidado oferecido.

Câncer no Brasil

No Brasil, o câncer infantojuvenil segue como a principal causa de morte por doença não acidental entre crianças e adolescentes, embora represente cerca de 3% dos diagnósticos. A estimativa é de 7.560 novos casos por ano. “Essa diferença é inaceitável e reflete desigualdades que vão muito além do acesso geográfico. Enquanto em países desenvolvidos as chances de cura superam 80%, temos regiões do Brasil onde metade das crianças com câncer não sobrevive”, afirma o oncopediatra Sidnei Epelman, diretor do Serviço de Oncologia Pediátrica do Santa Marcelina Saúde, e fundador e presidente da TUCCA.

No cenário geral, o Brasil deve registrar cerca de 781 mil novos casos de câncer por ano até 2028, segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA). O número representa um aumento em relação ao triênio anterior e acompanha uma tendência global de crescimento da doença.

Esse avanço está associado a múltiplos fatores, como o envelhecimento da população e mudanças no estilo de vida. Entre os principais riscos evitáveis estão o tabagismo, o consumo de álcool, a obesidade, o sedentarismo e a alimentação inadequada, fatores que, juntos, têm impacto direto no aumento da incidência de diversos tipos de tumor.

Os dados também revelam diferenças importantes no perfil da doença entre as regiões do país. Enquanto Sul e Sudeste concentram maior incidência de cânceres associados ao envelhecimento e ao estilo de vida, regiões com menor acesso a políticas de prevenção ainda registram altas taxas de tumores evitáveis, como o câncer de colo do útero.

Em nível global, a Organização Mundial da Saúde (OMS) estima que cerca de 40% dos casos de câncer poderiam ser prevenidos. O dado reforça a importância de políticas públicas voltadas à prevenção, ao diagnóstico precoce e ao acesso ao tratamento adequado, fatores determinantes para aumentar as chances de cura e reduzir desigualdades no cuidado oncológico.


Sobre a TUCCA

Fundada em 1998 pelo oncologista pediátrico Sidnei Epelman e pela psicanalista Claudia Epelman (in memoriam), a TUCCA (Associação para Crianças e Adolescentes com Câncer) é uma organização sem fins lucrativos que desenvolveu um modelo pioneiro de parceria público-privada na oncologia pediátrica que atende pacientes do Brasil e da América Latina. 

Em parceria com o Santa Marcelina Saúde - hospital de alta complexidade na Zona Leste de São Paulo -, mantém o primeiro e único serviço dedicado ao tratamento do câncer infantojuvenil da região, oferecendo tratamento integral baseado em diagnóstico rápido e preciso, terapias de ponta, equipe altamente qualificada e medicamentos de alto custo. Todo o tratamento é gratuito, viabilizado pelo Sistema Único de Saúde (SUS) complementado com doações que garantem acesso a atendimento multidisciplinar de excelência e a toda a assistência necessária ao longo do tratamento.

A estrutura abrange desde o atendimento ambulatorial, para infusões e consultas, até toda a infraestrutura de internação, garantindo suporte completo a crianças e adolescentes em situação de vulnerabilidade. A assistência vai além do cuidado médico e inclui suporte social e emocional por meio de uma equipe multidisciplinar que acompanha os pacientes e suas famílias durante toda a jornada.

Entre os diferenciais estão o Centro de Atenção Integrada à Criança com Retinoblastoma, referência nacional no tratamento da doença, um Laboratório de Patologia Molecular (o primeiro para pacientes SUS em São Paulo, que beneficia pessoas de todo o Brasil e da América Latina desde 2018), o primeiro hospice pediátrico do país, inaugurado em 2013, e transporte gratuito para eliminar barreiras de acesso ao tratamento. Esse olhar humanizado tem resultado em índices de cura de 80%, taxa comparável à dos principais centros de referência em oncopediatria da Europa e dos Estados Unidos. Nesse contexto, a TUCCA | Santa Marcelina Saúde é a primeira organização da América Latina a integrar o programa global de câncer pediátrico do Memorial Sloan Kettering Cancer Center (MSK), fortalecendo o intercâmbio de conhecimento, protocolos e inovação.

Ao longo de mais de 25 anos, a parceria com o Santa Marcelina Saúde já beneficiou aproximadamente 6 mil crianças e jovens, provando que é possível democratizar a excelência oncológica quando há sinergia entre capacidade instalada e investimento estratégico por meio da filantropia. Toda essa estrutura é integralmente mantida por doações, patrocínios e eventos beneficentes, reforçando o compromisso da TUCCA com a saúde, a vida e a dignidade de seus pacientes.

Para apoiar ou saber mais: www.tucca.org.br


press manager