Balbinotti explica entrada na política, defende candidatura à direita e critica o presidente Lula

Yasmin Silva/MidiaNews

O empresário Odílio Balbinotti, que é o primeiro suplente na chapa de José Medeiros

O empresário Odílio Balbinotti, que é o primeiro suplente na chapa de José Medeiros

CÍNTIA BORGES E JONAS DA SILVA
MIDIA NEWS

O bilionário do agronegócio Odílio Balbinotti (PL) disse apostar no crescimento eleitoral do deputado federal José Medeiros (PL) na corrida ao Senado, apesar do desempenho ainda discreto nas pesquisas de pré-eleição.

 

Não se assustem se o Medeiros chegar em primeiro lugar lá na frente, porque realmente tem muita oportunidade de crescimento

Primeiro suplente na chapa encabeçada por Medeiros, Balbinotti apontou que o desempenho ainda tímido do colega acontece por ele ainda não ser conhecido por metade da população mato-grossense. E ponderou que, com o abraço do ex-presidente Jair Bolsonaro à campanha, a candidatura pode deslanchar. 

 

“Mato Grosso é um estado de direita. O povo quer votar em candidato de direita. E o Medeiros sendo conhecido como o candidato que foi indicado pelo presidente Bolsonaro, eu tenho certeza que também vai ajudar ele angariar votos”, disse o bilionário ao MidiaNews.

 

“Não se assustem se o Medeiros chegar em primeiro lugar lá na frente, porque realmente tem muita oportunidade de crescimento”, completou.

 

Balbinotti ficou conhecido nacionalmente por figurar entre os maiores doadores de campanhas eleitorais bolsonaristas, sendo que em 2024 doou quase R$ 4 milhões. Agora, como pré-candidato, disse que deve pedir a colaboração de empresários.

 

“Eu fico um pouco constrangido. Esse negócio de você pedir doação... É muito mais fácil você doar”, disse.

 

Na entrevista, o megaempresário afirmou que pretende colaborar com o programa de governo do presidenciável Flávio Bolsonaro (PL). Ele também declarou que votaria a favor do impeachment de ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) e criticou o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT).

 

 

Confira os principais trechos da entrevista (e o vídeo com a íntegra ao final da matéria):

 

MidiaNews - O senhor é um empresário do agronegócio muito bem sucedido. Por que o interesse em entrar para política? Teve alguma influência do seu pai, o ex-deputado federal Odílio Balbinotti?

 

Me sinto realizado, mas eu vejo que na política consigo fazer realmente grandes transformações na sociedade

Odílio Balbinotti - Tem um pouco de tudo. Um pouco de inspiração do meu pai que fez um legado como empresário e na política. E isso realmente acaba me estimulando a dar uma contribuição. Infelizmente, ele faleceu neste ano. Como filho dele, fico me perguntando: será que eu também posso contribuir? Acho que isso pesou, sim.

 

Outra coisa é que eu tive a oportunidade de realizar os meus sonhos empresariais aqui no Mato Grosso. No âmbito empresarial, eu me considero uma pessoa bastante realizada, que colabora com a sociedade, gera riqueza, oportunidade de trabalho.

 

Me sinto realizado, mas eu vejo que na política consigo fazer realmente grandes transformações na sociedade. Eu penso que chegou o momento de eu colaborar.

 

MidiaNews - Mas, por que não encabeçar a chapa e se colocar como suplente? 

 

Odílio Balbinotti – A minha vontade no início era uma candidatura ao Governo do Estado, mas eu precisava discutir isso com a família, dentro da empresa, e foi o que eu fiz. Eles me deixaram ir até um limite, que é a suplência de senador.

 

Na suplência, eu posso colaborar com a minha experiência, com o Medeiros. O Medeiros vem da Polícia Rodoviária Federal, apesar de grandes contribuições para o agro. E eu posso colaborar com esse meu conhecimento empresarial e do agronegócio. Ou seja, é uma candidatura que fica muito forte em termos de contribuição, de conhecimento, para a gente fazer uma coisa bacana no Senado. 

 

A suplência foi a possibilidade que eu tinha nesse primeiro momento. Eu não podia me entregar totalmente numa candidatura a Governo do Estado. Porque, uma candidatura ao governo é uma loucura diuturna e no Senado é diferente. Lá você legisla e tem mais tranquilidade para fazer o seu mandato. 

 

MidiaNews — Esse ensaio como pré-candidato ao Governo do Estado acabou movimentando o meio político. O recuo ocorreu apenas por essa questão familiar ou houve outros motivos que pesaram?

 

Odílio Balbinotti - O pessoal às vezes não acredita, mas foi só a família, mesmo. Eu, quando boto uma coisa na cabeça, eu vou e faço. E eu tinha colocado na cabeça de ser candidato a governador. Mas eu conversei com a minha esposa, e era uma mudança de vida muito grande, e a gente resolveu não entrar. Nós dois.

 

Porque o projeto não pode ser só meu. Na minha família, na minha casa, tem que ser um projeto em conjunto. No caso de suplência de Senado, é um projeto em conjunto. Ela está me ajudando, me acompanhando, e isso é muito bacana. É o que eu queria para a minha vida: sempre ter esse apoio.

 

MidiaNews – E a sua esposa, Tânia Balbinotti, deve ser candidata a algum cargo?

 

Odílio Balbinotti - Não, ela não tem nenhuma pretensão política. Ela só vai me apoiar mesmo. 

 

MidiaNews -  O senhor figura como um dos principais doadores de campanha do País. Nesse projeto ao Senado junto com o Medeiros, o senhor pretende se autofinanciar. Como isso vai funcionar? 

 

Yasmin Silva/MidiaNews

Odílio Balbinotti

O empresário do agro Odílio Balbinotti, que garantiu que a esposa Tânia - ex-secretária de Saúde de Rondonópolis - não disputará cargo eletivo

Odílio Balbinotti - A legislação permite doação em no máximo 10% do valor da campanha, se não me engano. Se for uma campanha de R$ 4 milhões, por exemplo, eu vou poder doar até 10%.

 

Ou seja, dessa vez, eu saí do lado de doador e estou indo para o lado de político. Eu vou precisar que outros colegas empresários e doadores deem sustentação para essa campanha. Dessa vez, eu estou do outro lado.

 

MidiaNews – E o senhor acredita que possa ter essa troca, já que auxiliou outras campanhas em pleitos anteriores?

 

Odílio Balbinoti - Tem muita gente que é grata a esse apoio que eu dei. Dentro do PL mesmo, muitas prefeituras eu apoiei. Muitos candidatos a vereador e deputado que se elegeram são pessoas gratas e estão ajudando nessa minha entrada na política. Mas, na questão financeira, já é um pouco diferente.

 

Eu fico um pouco constrangido, com esse negócio de pedir doação... É muito mais fácil você doar, quando você tem condições, do que você pedir doação. E eu estou nessa situação de pedir para os empresários que querem que uma candidatura com meu o perfil e a do Medeiros avance, contribuam. 

 

É que eu acredito ser o único jeito da gente conseguir fazer uma campanha realmente equivalente às dos nossos adversários políticos.

 

MidiaNews - Normalmente, a sigla "banca" boa parte da campanha. O PL já se comprometeu?

 

Odílio Balbinotti - Existem compromissos, mas, lá na frente, sempre há dificuldades. Muita gente precisa de dinheiro no país inteiro. A gente tem que fazer essas conversas com os empresários, com todo mundo, para se preparar: se faltar dinheiro do PL nacional, a gente ter condição de fazer a nossa campanha e cumprir os compromissos assumidos. Porque você vai assumindo compromissos, e isso tem que ser cumprido depois.

 

 

MidiaNews - Nas mais recentes pesquisas de opinião, o pré-candidato José Medeiros tem aparecido atrás do governador Mauro Mendes e da deputada Janaina Riva. Qual o caminho e estratégias vocês devem adotar para fazer o Medeiros crescer? Ele ainda precisa ser mais conhecido? 

 

O Medeiros sendo conhecido e conhecido como o candidato que foi indicado pelo Bolsonaro, tenho certeza que vai ajudar a angariar votos

Odílio Balbinotti – A última pesquisa que eu vi, do Instituto Veritá [divulgada em 2 de abril], o Medeiros estava mais ou menos empatado com a Janaina em segundo lugar e o Mauro em primeiro. Ou seja, o Medeiros está bem colocado, considerando que ele é conhecido por cerca de 45% ou 50% das pessoas no Estado. Ele tem um espaço gigantesco de crescimento.

 

Outros candidatos, como o governador Mauro Mendes, têm o conhecimento de praticamente 100% da população. Então, Medeiros tem uma grande oportunidade de ser conhecido.

 

A segunda grande oportunidade que o Medeiros tem é no fato de Mato Grosso ser um estado de direita. Praticamente 70% dos moradores do estado se consideram de direita. O povo quer votar em candidato de direita. E o Medeiros sendo conhecido e conhecido como o candidato que foi indicado pelo presidente Bolsonaro, eu tenho certeza que também vai angariar votos. 

 

E não se assustem se o Medeiros chegar em primeiro lugar lá na frente, porque realmente tem muita oportunidade de crescimento. 

 

MidiaNews – Os dois principais rivais do Medeiros nessa eleição devem ser o governador Mauro Mendes e a deputada Janaina Riva, que também se posicionam à direita, também já pediram voto aos bolsonaristas. Essa bandeira bolsonarista bastará? Não fica um pouco confuso na cabeça do eleitor?

 

Odílio Balbinotti - Fica confuso, sim, e a obrigação da nossa campanha é fazer essa distinção. O candidato indicado pelo Bolsonaro, do PL, que é o partido do presidente, é o Medeiros. 

 

“Ah, mas outras candidaturas querem se alinhar ao Flávio Bolsonaro.” E, em Mato Grosso, não há escapatória. O candidato que realmente quer ter possibilidade de eleição precisa estar alinhado à candidatura do Flávio. Meu pensamento é esse.

 

Então, fora o PT e os alinhados ao presidente Lula, todos estão convergindo para a candidatura de Flávio Bolsonaro. Isso é natural e muito bom, porque nós também precisamos eleger um presidente, não apenas senadores de direita. Isso é muito bem visto pela nossa campanha.

 

 

Agora, a nossa obrigação é diferenciar qual é a candidatura do Bolsonaro, a candidatura de direita que é de direita há muito tempo, não apenas agora. Isso nós precisamos mostrar para a população.

 

MidiaNews - Essas candidatura à presidência, por exemplo, como a do ex-governador Ronaldo Caiado não é de direita de fato?

 

Fiquei muito impressionado com a subida do Flávio e isso está muito relacionado a essa transferência de voto do Bolsonaro

Odílio Balbinotti - Ela é de direita, mas não é a direita bolsonarista. E hoje a gente vê que o pessoal quer ligar o nome ao Bolsonaro. Não é nem questão de ser ou não de direita. A gente viu o Flávio, que colocou o nome como pré-candidato à presidência e rapidamente já está empatado, até passando nas pesquisas, o que mostra que tem uma influência muito forte da questão do Bolsonaro. 

 

O Caiado é de direita, lógico, uma direita tradicional. Mas quem tem essa capacidade impressionante de transferência de votos e deixa todo mundo impressionado é o Bolsonaro. Eu mesmo fiquei muito impressionado com a subida do Flávio e isso está muito relacionado a essa transferência de voto do Bolsonaro. E o pessoal quer colar nessa transferência de voto.

 

MidiaNews – O senhor não vê como uma atitude oportunista candidatos tentarem colar a imagem a do ex-presidente?

 

Odílio Balbinotti - Eu não diria oportunista. É preciso entender qual é a visão desse candidato: se ele está sendo só oportunista ou se ele tem realmente alinhamentos com os pensamento da direita. Eu vejo que alguns desses que estão se alinhando têm pensamento também de direita. E acho esse alinhamento normal. 

 

Às vezes é um centro ou um centro-direita. Tem muitas coisas que não concordam com o bolsonarismo, mas você vê que são coisas normais. Que é uma possibilidade dessas ideias não serem tão convergentes. Isso pra mim não é oportunismo, é um alinhamento necessário onde se junte toda a direita. 

 

 

MidiaNews - Essa questão do crescimento nas intenções de voto do Flávio se dá também por ele ter adotado esse discurso um pouco mais moderado que o do pai. O senhor acredita que isso também pode atrair mais apoio?

 

Odílio Balbinotti – Acredito, sim. A candidatura do Flávio não é só uma questão ideológica, não é só a transferência de voto do Bolsonaro, mas é uma candidatura de propostas, que vem ao encontro do público de centro - o público, não é o centrão, não podemos confundir as coisas - que quer respostas, qualidade de vida, obras, prosperidade... E ele está conseguindo passar essa mensagem: de que ele é uma candidatura não só de direita, com as questões ideológicas preservadas, mas com propostas, e elas estão sendo bem vistas pelo pessoal de centro. 

 

Ele é um jovem, ele tomou vacina lá no início da pandemia. Com a imprensa, mesmo, ele tem outra postura. Ele não entra em embates tão fortes com a imprensa, como o Bolsonaro tinha essa característica de ser muito incisivo e às vezes dava muito choque, muito barulho. E é uma pessoa diferente que comunica muito bem.

 

MidiaNews - Durante a campanha, para agregar voto ao Medeiros, para o Flávio Bolsonaro, e até para o Wellington Fagundes, vocês vão exigir uma espécie de “certificação” para comprovar se a pessoa é bolsonarista? 

 

Yasmin Silva/MidiaNews

Odílio Balbinotti

O pré-candidato a suplente de senador, Odílio Balbinotti, disse ser favorável a impeachment de ministros do STF

Odílio Balbinotti - Não tem como você perguntar se a pessoa é bolsonarista. O que eu acho é que a população tem que cobrar algumas atitudes desses políticos. Nós já vimos que 65%, ou até um pouco mais, diz que um candidato a Senado precisa fazer um enfrentamento ao STF.

 

Ou seja, a população está muito consciente de que o Supremo saiu fora da caixinha, do que realmente são os deveres e obrigações do Supremo.

 

A população, diz então: “Eu quero alguém que vote o impeachment, se for preciso”. O senador vai ter que se expor e falar se ele vota o impeachment ou não. É uma forma de estar alinhado.

 

MidiaNews - E o senhor votaria para o impeachment do Alexandre de Moraes, por exemplo?

 

Odílio Balbinotti - Por tudo que a gente tem visto, sem dúvida alguma. Os ministros Alexandre de Moraes, Dias Toffoli, que aparecem nesse envolvimento com o Banco Master, isso é um escândalo gigantesco. É que está tão fechado, existe um acordo tão forte entre Governo Federal e STF, que isso acaba sendo normalizado. E não pode ser normalizado.

 

A imprensa está muito forte, mostrando que isso não é normal para a população. Se a população está indignada, como é que o Senado, que é o reflexo da população, não vai fazer essa contenção que precisa ser feita?

 

MidiaNews - Como o senhor avalia tanto poder que um banqueiro como Daniel Vorcaro teve para envolver, inclusive, todos os poderes? 

 

Odílio Balbinotti - Isso é assustador. A gente fica assustado com a forma como as pessoas se dispõem a isso. Porque ofertas, eu acredito, existem em todos os países... Há gente tentando corromper o poder para conseguir proteção, para ter mais poder e assim por diante. Então, ficam tentando corromper o sistema.

 

O problema é que as pessoas estão se deixando corromper e pessoas que têm o mais alto grau de poder no Brasil. Democraticamente, o que precisa ser feito? Para mim, é a eleição. É votar em pessoas que têm compromisso com essas mudanças.

 

Você vai ter senadores que terão compromisso em fazer essas correções dentro do Supremo. E teremos, dentro do Supremo, pessoas que não aceitam coisas absurdas dessa forma. Um agente público ou um funcionário de alto escalão não pode ser corrompível.

 

Agora, não depende só da índole da pessoa. Ela também precisa ter medo. As instituições têm que ser fortes para realizar essas investigações e não permitir que essa corrupção aconteça. É um conjunto de fatores, mas passa pela política.

 

 

MidiaNews – Os mega empresários Blairo Maggi e Eraí Maggi estão atuando para reeleger o ex-ministro e senador Carlos Fávaro. Por que eles têm tanto interesse em reeleger Carlos Fávaro?

 

Odílio Balbinotti - Não tenho esse conhecimento da proximidade deles com o Fávaro. Mas a gente vê que eles têm essa intenção de eleger Fávaro. 

 

Esses dias até me questionaram sobre o Fávaro fazer uma ponte entre o agronegócio e o governo Lula. Eu achei estranho. Porque o Fávaro não fez a ponte que precisava fazer com o agro. O relacionamento do Governo Federal com o agro precisa melhorar, porque a grande potência é o agro. E eu acho que essa ponte não foi bem feita.

 

MidiaNews - Quem poderia liderar essa ponte junto ao Executivo e quais seriam as demandas?

 

Nós estamos encerrando esse governo de esquerda, que tem alguns posicionamentos que são incompatíveis com o agro

Odílio Balbinotti – Nós estamos encerrando esse governo de esquerda, que tem alguns posicionamentos que não são compatíveis com o agro. Há muitas divergências. Por exemplo, a insegurança jurídica, causada pelo marco temporal que está travado no Supremo e que conta com apoio do Executivo. É difícil fazer essa ponte.

 

Agora, eu acredito que, elegendo o Flávio, as coisas se alinham muito mais, porque há muito mais convergência de pensamento entre um governo de direita e o agro.

 

MidiaNews - O senhor acredita que o poderio econômico, que pode ser injetado nessas eleições por gigantes do agro, pode desequilibrar essa disputa? 

 

Odílio Balbinotti - Não deveria, porque tem os limites. E todos os senadores vão ter, a princípio, um equilíbrio de forças. Eu acho que vão ter equilíbrios de forças.

 

MidiaNews - Como está a questão da segunda suplência? Vocês têm preferência por algum perfil?

 

Odílio Balbinotti – O José Medeiros está trabalhando essa parte. Ele me convidou para ser o primeiro suplente. E eu vejo que ele está fazendo diversas conversas, com segmentos distintos. Eu sou empresário do agro e ele está buscando outros segmentos. 

 

MidiaNews - Você pode nos adiantar quais segmentos? 

 

Odílio Balbinotti – É mais para ter outro segmento. Ter alguém de Cuiabá seria bacana, do comércio, ou de outros segmentos que complementem essa candidatura.

 

Yasmin Silva/MidiaNews

Odílio Balbinotti

O megaempresário Odílio Balbinotti, que disse que José Medeiros é quem está articulando quem integrará a segunda suplência

MidiaNews - Mas alguém que já está na política?

 

Odílio Blabinotti - O que vi não são conhecidos da política.

 

MidiaNews – O eleitor vai escolher esse ano dois senadores. O PL em Mato Grosso vai pedir o segundo voto para quem? 

 

Odílio Balbinotti - Depois que confirmarmos as candidaturas, vamos ter uma parceria. Mas, por enquanto, não há nada definido. Eu digo isso com certeza porque é coerente com a população, para que ela entenda quem são, de fato, os seus parceiros.

 

MidiaNews – E, esse segundo voto, pode ser o ex-governador Mauro Mendes?

 

Odilio Balbinotti - Todas as possibilidades estão abertas. O Mauro pode ser, sim.

 

MidiaNews – Mas o Medeiros tem uma resistência com a candidatura da Janaina Riva, ao MDB.

 

Odílio Balbinotti - A resistência com o MDB, nem vou falar que é com a Janaina, é que em todas as cidades onde o PL venceu, nós tínhamos como adversário o MDB. Cuiabá, Várzea Grande, Rondonópolis... Era o MDB que estava do outro lado. É natural que a gente não queira que não seja o parceiro preferencial, porque era o nosso adversário. E você tem que ter adversário. Não dá para juntar com todo mundo.

 

E no MDB estão os principais adversários nos municípios. E os prefeitos têm influência nessa discussão. Eles são quem puxa voto para o Senado, para deputado e nós temos que ouvir eles. E eles sempre têm essa preocupação.

 

MidiaNews – Odílio, você deve assumir alguma parte na coordenação de campanha do senador Flávio Bolsonaro para presidência da República?

 

Odílio Balbinotti - A única conversa que eu tive, nesse sentido, foi com o Rogério Marinho, que é o coordenador da campanha no Brasil, em que eu me coloquei à disposição, e ele falou que queria a minha colaboração, para um plano de governo na parte do agro. 

 

Eu fui presidente da Fundação Mato Grosso por 10 anos, que é uma fundação importantíssima, da Associação Brasileira dos Obtentores Vegetais (Braspov), fui fundador do CESB, Comitê Estratégico Soja Brasil. Ou seja, eu tenho bastante experiência e contato com essas entidades para trazer coisas bacanas para dentro do plano de governo do Flávio. 

 

 

MidiaNews – O senhor pode fazer uma avaliação sobre a gestão Lula?

 

Odílio Balbinotti - É lógico que eu tenho um olhar crítico, porque o pensamento desse governo é diferente do que eu defendo. Eu vejo um governo perdulário, que gasta demais. E isso era um sinal ruim desde o início, e hoje estamos vendo 80% da população endividada.

 

O Governo Federal "fechou-se a boca", perdeu-se a capacidade de investimento. Isso é muito ruim, porque nós precisamos de obras, nós precisamos desenvolver o nosso país. E não foi só o gasto excessivo que foi o problema. 

 

Ainda teve o problema dos juros, porque quando o governo gasta demais, existe uma inflação. Mas não é uma inflação do bem, que é acontece porque tem muita riqueza nesse setor, não. Era o motivo do governo gastar demais.

 

O governo gastando demais e tendo inflação, o que aconteceu? Juro alto. Juro alto está sacrificando o nosso Brasil. E se você pegar essas pessoas que estão endividadas, tem muita relação com o juro alto. Poderia ter subido o juro, que era necessário em determinado momento, mas tinha que ter descido. Mas para o juro descer, tinha que ter economizado. O governo tinha que ter mais contenção, com mais juízo. 

 

Para compensar esses gastos foram aumentados os tributos. O que aconteceu? Aumenta os impostos, aumenta o custo dos produtos. Hoje o "cobertor está curto". A pessoa ganha um salário que parece até bom, mas não está dando para fechar o mês e está se endividando. Tudo isso é causa e consequência desse problema de gastar demais. 

 

MidiaNews – O senhor entrará para uma disputa difícil. Teme o jogo sujo da política? O senhor está preparado?

 

É um jogo sujo. A política tem dessas coisas e eu estou preparado

Odílio Balbinotti – Eu também não sou tão ingênuo. É um jogo sujo. A política tem dessas coisas e eu estou preparado. Eu tenho uma vida transparente e que está colocado aí o escrutínio. Se surgir alguma coisa, nós vamos responder com a maior transparência e tranquilidade como sempre foi o que a gente fez.

 

MidiaNews – A relação do senador Wellington Fagundes e o deputado federal José Medeiros tem alguns atritos. O que o senhor tem feito para reduzir ou acabar com essa rusga ou ruído no PL? 

 

Odílio Balbinotti - O PL já definiu as suas candidaturas. Definiu está definido! Nós temos o senador Wellington, como candidato ao Governo do Estado, e o deputado Medeiros ao Senado. O que existia era uma discussão de qual partido se aproximar ou não. E isso ficou claro: o MDB é oposição ao PL em todas as prefeituras.

 

Isso criaria uma situação muito ruim para ser administrada dentro dessa parceria. Acho que foi isso que foi discutido. E é natural. Mas isso parece que pacificou, pelo menos da parte do Medeiros, que é quem eu acompanho.

 

MidiaNews – O senhor sabe se o senador Wellington Fagundes, que é sogro da Janaina Riva, aceitou bem essa possibilidade de não coligar com o MDB?

 

Odílio Balbinotti - Eu não sei com profundidade o que está na cabeça do senador Wellington. Lógico que, para ele, é uma situação complicada. Mas foi discutida e enfrentada com maturidade. E parece que está tudo muito claro dentro do partido.

 

 

MidiaNews – Nos bastidores também dão conta de um ruído entre o prefeito Cláudio Ferreira, de Rondonópolis,  e Wellington Fagundes. O senhor pode fazer uma mediação entre os dois?

 

Odílio Balbinotti - Nem experiência eu tenho o suficiente para entrar nessas discussões. Eu entro mais como conselheiro. Quem está capitaneando essas questões são eles. O Cláudio está fazendo essa conversa, o Abilio... Eles não são candidatos hoje, mas são importantes dentro da campanha. 

 

MidiaNews – O prefeito Abilio Brunini disse que deve se manter neutro na campanha ao Governo do Estado. O senhor acredita que até a campanha, tanto o Abilio quanto o prefeito Cláudio devem tomar uma posição pela candidatura do PL?

 

Odílio Balbinotti - Para os prefeitos é um pouco mais complicado, porque tem a questão da administração do município. Eles têm que estar bem com o Governo. Existe a questão do bom entrosamento, de ter diálogo, e eles estão mais preocupados com isso, de manter o diálogo.

 

MidiaNews – O Wellington pode superar a pecha de político “melancia” durante a campanha?

 

Yasmin Silva/MidiaNews

Odílio Balbinotti

O empresário Odílio Balbinotti, que disse que Wellington Fagundes deve romper a pecha de "candidato melancia"

Odílio Balbinotti – O Wellington, nos últimos anos, quis mostrar que tinha um posicionamento de direita. E ele realmente votou e falou sobre as questões que envolvem a direita. Isso deu uma condição para ele diferente do que ele tinha. As pessoas podem mudar de opinião, o que não pode mudar, às vezes, é radicalmente, de um dia para o outro, como nós vimos o outro senador... Fica esquisito, é traição, e o pessoal não perdoa. 

 

No caso do Wellington, ele vem fazendo essa transição e vem se identificando realmente com todas as pautas de direita. Ele conseguiu ganhar muito com isso.

 

MidiaNews – A tendência é que tenha um segundo turno na eleição ao Governo do Estado. Vocês conseguirão abraçar e levar o Wellington ao segundo turno? 

 

Odílio Balbinotti - A campanha que eu me dispus a entrar, muito forte, foi a do Medeiros. A demanda para a candidatura do Medeiros já é muito grande. Tem a do Flávio e tem a do Wellington ainda. 

 

Eu não sei até que ponto eu vou conseguir me envolver na candidatura do Wellington. Mas eu acho que o Wellington é muito habilidoso e ele está construindo uma boa ponte para chegar super competitivo lá na frente.

 

MidiaNews -  O senhor fará esforços para ajudar na campanha do Wellington?

 

Odílio Balbinotti – Ele é um candidato do PL. Eu sou do PL. Nem poderia ser diferente, então, sem dúvida alguma.

 

MidiaNews - O governo Mauro Mendes trouxe avanços significativos nos últimos sete anos ao Estado, como estradas, pavimentações, saúde... Como o senhor avalia a gestão Mendes Pivetta?

 

Odílio Balbinotti – A população tem uma boa avaliação do governo. Ou seja, foram feitas muitas obras e dadas respostas a diversas demandas da população. O governador foi Mauro nesse período, e acho que agora o Pivetta está tendo uma oportunidade muito bacana. Para ele, será mais uma forma de se validar como um candidato com potencial e capacidade.

 

Eu acho que o governo do Mauro foi um bom governo. Infelizmente, tivemos problemas nos governos anteriores, um por falta de financiamento, pois enfrentou uma fase muito difícil; outros por problemas de corrupção. Isso é ruim para o Estado.

 

Precisamos de governos que consigam dar continuidade às obras. Isso é fundamental. Haverá momentos de queda, por conta de menor arrecadação. Em períodos de crise, a capacidade de investimento do Estado diminui. Precisamos ter esse discernimento.

 

Não é fácil. Agora vem uma dificuldade. O próximo governador enfrentará um momento mais complicado, provavelmente com redução na arrecadação de ICMS e do Fethab, já que o agricultor também está pressionado. O próprio Pivetta assumiu o compromisso de extinguir o Fethab 2.

 

A gente vê que houve uma fase muito boa de arrecadação, que favoreceu a administração do Mauro. Mas ele fez as obras. É merecido.

 

 

MidiaNews – A sua participação na eleição este ano como suplente ao Senado pode ser o primeiro degrau para, em 2030, encarar uma disputa ao Governo do Estado? 

 

Odílio Balbinotti - Um passo de cada vez. O passo que estou dando é o de colaborar com Medeiros. Se você falasse em oportunidade política — o que muitos me disseram, afirmando que esta eleição era a minha chance, porque tenho perfil —, realmente seria interessante disputar. Mas não entrei.

 

Não acho que minha esposa vá mudar minha opinião daqui a quatro anos. Provavelmente, essa minha entrada na política será apenas essa mesmo.

 

Veja entrevista na íntegra:

 

 

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