Mais de 650 famílias correm risco de perder suas casas após decisão judicial; ALMT entra no caso para tentar evitar “caos social”
Uma decisão judicial reacendeu um drama que se arrasta há quase três décadas e colocou centenas de famílias de Cuiabá à beira do despejo. Diante da gravidade da situação, o presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso, Max Russi, se reuniu nesta segunda-feira (13) com moradores do Residencial Villas das Minas e dos condomínios Lavras do Sul I e II, em uma tentativa de conter o que já é tratado como uma crise social iminente.
A ordem de reintegração de posse foi determinada pelo juiz Márcio Aparecido Guedes, da Primeira Vara Cível de Cuiabá, em favor da empresa Trunk Gestão Empresarial Ltda. A decisão atinge imóveis ligados à massa falida da Trese Construtora, em um processo judicial que se arrasta há quase 30 anos.
Na prática, a medida ameaça retirar mais de 650 famílias de suas casas — muitas delas residentes há décadas nos imóveis. Parte significativa dos moradores afirma ter adquirido os apartamentos de forma legítima e, após a falência da construtora, investido recursos próprios para concluir as obras e garantir moradia.
Durante o encontro, Max Russi anunciou que a Procuradoria da Assembleia Legislativa ingressará no processo como amicus curiae, instrumento jurídico que permite a participação de terceiros para contribuir com argumentos técnicos e jurídicos. A estratégia busca reforçar a defesa do direito à moradia e abrir caminho para uma solução conciliatória.
“A Assembleia estará ao lado de vocês nessa luta. Vamos buscar uma saída humana e justa. Não podemos permitir que centenas de famílias sejam retiradas de seus lares sem ter para onde ir. Isso gera um caos social sem precedentes”, afirmou o parlamentar.
Além da atuação no processo, Russi informou que pretende levar o caso diretamente à presidente do Tribunal de Justiça de Mato Grosso, Clarice Claudino da Silva, com o objetivo de sensibilizar o Judiciário sobre o impacto social da medida e tentar suspender a ordem de despejo, que prevê inclusive o uso de força policial.
Entre os moradores, o clima é de apreensão e revolta. Muitos relatam anos de luta para manter suas residências, enfrentando abandono, insegurança jurídica e dificuldades financeiras.
José Carlos, síndico do Villas das Minas, destaca que diversas famílias adquiriram os imóveis antes da falência da construtora e ficaram sem respaldo legal. Já a moradora Sandra Esther, que vive no local há 14 anos, resume o sentimento coletivo.
“São trabalhadores, pessoas simples que construíram suas vidas aqui. Ver esse apoio agora nos dá esperança, mas o medo ainda é grande”, afirmou.
A reunião contou também com a presença dos procuradores Ricardo Riva e João Gabriel, que irão atuar na construção da estratégia jurídica em defesa das famílias.
Enquanto a disputa judicial avança, o foco da Assembleia será garantir que princípios constitucionais, como a dignidade da pessoa humana e o direito à moradia, não sejam sobrepostos por interesses patrimoniais decorrentes do leilão realizado em 2024. A batalha agora se intensifica nos tribunais, mas o impacto já é sentido nas ruas — onde centenas de famílias aguardam, com incerteza, o desfecho de uma história que pode mudar suas vidas drasticamente.


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