A doença pode ser enfrentada com apoio da Terapia Ocupacional, que preserva a autonomia e reorganiza hábitos e ambientes

1,2 milhão de pessoas terão a Doença de Parkinson em 2060

A doença pode ser enfrentada com apoio da Terapia Ocupacional, que preserva a autonomia e reorganiza hábitos e ambientes

Estima-se que, em 2060, cerca de 1,2 milhão de pessoas com mais de 50 anos terão Parkinson, segundo um estudo realizado pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul, em parceria com o Hospital de Clínicas de Porto Alegre. Para quem convive com a doença, atividades simples, como se vestir, segurar talheres ou escovar os dentes, podem se tornar desafios progressivos.

De acordo com o mesmo estudo, atualmente, cerca de 500 mil brasileiros convivem com o Parkinson. O acompanhamento médico é imprescindível, mas outras terapias também são recomendadas, como a Terapia Ocupacional, que pode ajudar de diversas maneiras. Os cuidados atuam na manutenção da autonomia, na reeducação de hábitos e também na adequação de ambientes que facilitem o dia a dia. É o que alerta a terapeuta ocupacional Syomara Cristina Szmidziuk.

Segundo ela, um dos primeiros sintomas é notado pelo tremor na mão de um dos lados do corpo, na maioria dos casos. “Identificar esses primeiros sinais o quanto antes ajuda a desacelerar a progressão das sequelas que afetam tanto as funções quanto a rotina do paciente”, afirma. A doença causa rigidez muscular e pode, de forma gradativa, comprometer o equilíbrio, dificultando a realização de tarefas corriqueiras, antes tidas como automáticas.

A progressão do Parkinson não é linear e pode não acontecer da mesma maneira para todos os pacientes. É justamente nesse sentido que a Terapia Ocupacional possibilita intervenções adaptadas a cada caso, principalmente se associada a metodologias de reabilitação neurocognitiva, como o Método Perfetti. Segundo Syomara, essa abordagem propõe que a recuperação motora acontece a partir da reconexão entre mente e corpo, com o paciente atuando ativamente na reorganização das funções neurológicas. “A reorganização das redes neurais é central no tratamento do Parkinson, permitindo não só reduzir sintomas, mas também melhorar a qualidade e o controle dos movimentos”, afirma.

Comprometimento emocional e social

Mas não são somente as atividades tidas como mecânicas que ficam comprometidas quando a doença avança; a parte emocional também é afetada, pois o comprometimento dos movimentos e a rigidez muscular tendem a impactar o convívio social, uma etapa importante para manter a boa saúde mental e a mente ativa. “Estar em constante movimento, interagir com pessoas e preservar os momentos de lazer são tão vitais quanto as demais atividades. Por isso, é fundamental que pacientes com Doença de Parkinson façam tratamentos complementares”, destaca Syomara.

A terapeuta, que atua na área há mais de 30 anos e é especialista em membros superiores, explica que exercícios específicos e personalizados podem auxiliar na flexibilidade, na adaptação de utensílios e ambientes, e na reeducação de hábitos, já que há uma mudança corporal que precisa ser internalizada não só pelo paciente, mas também por todos que convivem com ele. “A conscientização é parte do tratamento, assim como aprender a conviver com a doença. Hoje temos mais conhecimento a respeito do Parkinson, e profissionais habilitados podem contribuir para uma sobrevida com mais qualidade”, conclui a especialista.

Fatores de risco

O envelhecimento populacional é o principal fator de risco e, na maioria dos casos, a doença só é descoberta em estágios mais avançados, segundo estudo da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, em parceria com o Hospital de Clínicas de Porto Alegre, publicado na revista científica The Lancet Regional Health – Americas. Isso ocorre porque nem todo caso de Parkinson apresenta tremor, o que pode dificultar o diagnóstico precoce. Outro ponto revelado no estudo é que os homens têm mais casos de Doença do que as mulheres. A medicina ainda não encontrou a cura, mas há tratamento.

O IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística) revelou, em 2024, que a expectativa de vida do brasileiro é de 76,6 anos. Em 1940, era de 45,5 anos. “Estamos vivendo cada vez mais e é importante que mantenhamos nossa autonomia pelo máximo de tempo possível”, aconselha Syomara.

 

Sobre Syomara Cristina Szmidziuk: Terapeuta ocupacional há mais de 30 anos, tem experiência no tratamento em reabilitação dos membros superiores em pacientes com lesões neuromotoras. Faz atendimentos com terapia infantil e juvenil, adultos e terceira idade. Desenvolve trabalhos com os métodos Bobath, Baby Course, Reabilitação Neurocognitiva Perfetti, Reabilitação de Membro Superior - Terapia da Mão, Terapia de Contenção Induzida (TCI) e Imagética Motora entre outros.