Dr. Christopher Shu, nutrólogo pediatra, explica como crianças que aparentemente se alimentam bem podem apresentar carência de vitaminas e minerais essenciais

Nem sempre uma criança que se alimenta regularmente está recebendo todos os nutrientes necessários para o seu desenvolvimento. Em muitos casos, mesmo quando o volume de comida parece adequado, a dieta pode ser pobre em vitaminas e minerais essenciais, uma condição conhecida como “fome oculta”.

O termo é utilizado para descrever situações em que há deficiências nutricionais que não são facilmente percebidas, porque a criança come normalmente, mas a qualidade da alimentação não é suficiente para suprir as necessidades do organismo.

Segundo o Dr. Christopher Shu, nutrólogo pediatra, esse tipo de deficiência pode passar despercebido por muito tempo.

“Muitas crianças comem quantidades adequadas de alimentos, mas a dieta pode ser pouco variada ou baseada em alimentos ultraprocessados. Nesse cenário, o organismo pode não receber vitaminas e minerais importantes para o crescimento e o desenvolvimento”, explica.

Quando a alimentação parece adequada, mas não é

A chamada fome oculta costuma estar relacionada à baixa qualidade nutricional da alimentação. Crianças que consomem frequentemente alimentos industrializados, ricos em açúcar, gordura e sódio, podem ingerir calorias suficientes, mas ainda assim apresentar carências nutricionais.

De acordo com o especialista, o problema não está apenas na quantidade de comida, mas principalmente na qualidade dos nutrientes presentes na dieta.

“Uma criança pode comer bem em termos de volume, mas se a alimentação for pouco diversificada ou pobre em alimentos naturais, existe o risco de deficiência de nutrientes importantes”, afirma o Dr. Christopher Shu.

Sinais que podem indicar deficiência nutricional

Embora muitas deficiências sejam silenciosas no início, alguns sinais podem indicar que a alimentação da criança não está suprindo todas as necessidades do organismo.

Entre eles estão cansaço frequente, dificuldade de concentração, queda na imunidade, palidez, alterações no crescimento ou baixa energia no dia a dia.

“Esses sinais não significam necessariamente uma deficiência nutricional, mas podem indicar a necessidade de avaliar a alimentação e o estado nutricional da criança”, explica o nutrólogo pediatra.

Nutrientes que costumam faltar

Entre os nutrientes mais frequentemente associados à fome oculta estão ferro, vitamina D, cálcio, zinco e vitaminas do complexo B, essenciais para funções importantes do organismo, como crescimento, desenvolvimento cerebral e fortalecimento do sistema imunológico.

“A infância é uma fase de grande demanda nutricional. O organismo precisa de diferentes vitaminas e minerais para garantir o desenvolvimento adequado”, destaca o médico.

Como prevenir a fome oculta

De acordo com o especialista, a principal forma de evitar deficiências nutricionais é priorizar uma alimentação variada e equilibrada desde os primeiros anos de vida.

“A melhor forma de prevenir a chamada fome oculta é garantir uma alimentação variada e equilibrada desde a infância. É importante priorizar alimentos naturais, como frutas, legumes, verduras, grãos e proteínas de boa qualidade, porque eles oferecem uma variedade maior de vitaminas e minerais essenciais para o desenvolvimento da criança”, explica o Dr. Christopher Shu.

O nutrólogo pediatra também alerta para o consumo frequente de alimentos ultraprocessados.

“Muitos alimentos industrializados fornecem calorias, mas são pobres em nutrientes importantes. Quando eles passam a fazer parte da rotina alimentar com muita frequência, a criança pode até comer em quantidade suficiente, mas ainda assim apresentar carências nutricionais”, afirma.

Outra recomendação importante, segundo o médico, é estimular a diversidade alimentar desde cedo.

“Quanto maior a variedade de alimentos na dieta da criança, maiores são as chances de o organismo receber os nutrientes necessários para o crescimento e o desenvolvimento adequados”, destaca.

O especialista também orienta que os pais fiquem atentos a possíveis mudanças no comportamento da criança.

“Cansaço frequente, baixa energia ou alterações no apetite podem ser sinais de que algo não está indo bem do ponto de vista nutricional e merecem avaliação”, diz.

Por fim, o acompanhamento regular com profissionais de saúde é fundamental.

“Consultas periódicas ajudam a monitorar o crescimento da criança e permitem identificar precocemente possíveis deficiências nutricionais. Uma alimentação equilibrada na infância é essencial para o desenvolvimento físico, cognitivo e imunológico”, conclui o Dr. Christopher Shu.

AI