No dia 12 de março é celebrado o Dia Mundial do Rim, uma data dedicada à conscientização sobre a importância da prevenção, do diagnóstico precoce e do tratamento adequado da Doença Renal Crônica (DRC). Considerada um importante problema de saúde pública em todo o mundo, a doença afeta milhões de pessoas e muitas vezes evolui de forma silenciosa, sem apresentar sintomas nas fases iniciais. De acordo com a Organização Mundial da Saúde (OMS), cerca de 10% da população mundial convive com doença renal crônica. Outras estimativas indicam que a prevalência pode chegar a 14% na população geral e atingir até 36% entre grupos de risco, como pessoas com diabetes, hipertensão ou histórico familiar da doença.

No Brasil, estima-se que 6,7% dos adultos apresentem algum grau de comprometimento da função renal. Entre pessoas com 60 anos ou mais, esse número pode triplicar, reforçando a importância de hábitos saudáveis e do acompanhamento médico regular. A conscientização sobre a saúde dos rins é fundamental para estimular a prevenção e o diagnóstico precoce, fatores que podem retardar a progressão da doença e melhorar significativamente a qualidade de vida dos pacientes.

No Dia Mundial do Rim, histórias reais ajudam a lembrar que a prevenção, diagnóstico precoce e o tratamento adequado podem transformar vidas. Aos 49 anos, Domeci de Paula Silva, professor do ensino fundamental e médio, carrega uma história marcada por desafios, perseverança e superação. Ele foi diagnosticado ainda na infância com hipertensão e, aos 16 anos, recebeu o diagnóstico de doença renal.

Sua primeira internação ocorreu na década de 1990. Durante cerca de dois anos, Domeci seguiu tratamento conservador, com dieta e acompanhamento médico para controle da pressão arterial. Com a progressão da doença, foi necessário iniciar hemodiálise no Hospital Santa Marcelina, onde permaneceu em tratamento por quatro anos. No terceiro ano de hemodiálise, seu estado de saúde se agravou. Filho único e com o pai já falecido, a única possível doadora de rim era sua mãe. Após a realização dos exames, foi confirmada a compatibilidade sanguínea, tornando possível a realização do transplante renal.

O tratamento também trouxe impactos importantes em sua vida. Devido à hemodiálise, Domeci precisou se afastar do trabalho. No momento mais difícil, quando parecia não haver saída, duas grandes esperanças surgiram. Ele conheceu o amor da sua vida, que não largou suas mãos e esteve ao seu lado em todas as etapas do tratamento, e recebeu a confirmação de que poderia realizar o transplante que salvaria sua vida. O transplante renal aconteceu no dia 01 de abril de 2002, o que marcou um novo começo. Depois do transplante, Domeci retomou seus sonhos. Casou-se, prestou ENEM e conquistou uma bolsa de estudos para cursar Letras. Hoje, é pai de dois filhos: uma filha de 19 anos, que está cursando Direito, e um filho de 10 anos. Para Domeci, o Dia Mundial do Rim representa muito mais do que uma data de conscientização, mas, também, um lembrete de que nunca se deve desistir. “Recomece quando for preciso e viva intensamente como se fosse o último dia”, afirmou Domeci.

A DRC é caracterizada pela perda lenta, progressiva e irreversível da função dos rins. Já a insuficiência renal aguda ocorre de forma súbita e rápida. Os principais grupos de risco incluem pessoas com hipertensão arterial, diabetes, obesidade, idosos e indivíduos com histórico familiar de doença renal ou cardiovascular.

De acordo com a Dra. Juliana Zanocco, nefrologista do Serviço de Transplante Renal do Hospital Santa Marcelina, as principais causas da doença no Brasil são hipertensão arterial e diabetes. “Como o rim é um dos responsáveis pelo controle da pressão arterial, quando ele não funciona adequadamente há alterações nos níveis de pressão, o que também sobrecarrega os rins. A hipertensão pode ser tanto causa quanto consequência da disfunção renal, e seu controle é fundamental para a prevenção da doença”, explica a especialista.

O diabetes, por sua vez, pode danificar os vasos sanguíneos dos rins e comprometer a capacidade de filtração do sangue. Outras causas incluem nefrite (inflamação dos rins), doenças hereditárias com formação de cistos, infecções urinárias frequentes e doenças congênitas.

Diagnóstico precoce é fundamental: nos estágios iniciais, a Doença Renal Crônica é silenciosa e pode não apresentar sintomas. O diagnóstico pode ser feito por meio de exames simples e acessíveis, como o exame de sangue para dosagem da creatinina - substância eliminada pelos rins -, e o exame de urina, que pode identificar a presença de proteína. Quando a creatinina está elevada no sangue, pode ser um indicativo de que os rins não estão funcionando adequadamente.

Sintomas aparecem em fases mais avançadas: a progressão lenta da doença permite que o organismo se adapte à perda da função renal, o que explica a ausência de sintomas nas fases iniciais. Quando há comprometimento mais grave, podem surgir sinais como:

  • Cansaço e indisposição
  • Alteração na cor da urina
  • Dificuldade de concentração
  • Diminuição do apetite
  • Presença de sangue ou espuma na urina
  • Inchaço nos olhos, tornozelos e pés
  • Dor lombar
  • Anemia
  • Fraqueza, náuseas e vômitos
  • Alterações na pressão arterial

Tratamento: a DRC não tem cura, mas o tratamento adequado pode retardar ou até interromper sua progressão, além de prevenir complicações. “O tratamento inclui uso de medicamentos, controle rigoroso da pressão arterial e do diabetes, ajustes na alimentação - especialmente com redução do sal -, e evitar o uso indiscriminado de anti-inflamatórios. Nos casos mais avançados, pode ser necessária a realização de diálise ou transplante renal como terapêutica de substituição da função dos rins”, orienta a nefrologista.

Prevenção: a prevenção continua é a melhor estratégia. Entre as principais medidas estão:

  • Controle da hipertensão arterial e do diabetes
  • Acompanhamento de histórico familiar
  • Avaliação médica anual com exames de sangue e urina
  • Alimentação equilibrada, com baixo consumo de sal e açúcar
  • Prática regular de atividade física
  • Não fumar
  • Controle dos níveis de colesterol
  • Evitar automedicação

Doença renal em números: de acordo com a Sociedade Brasileira de Nefrologia (SBN), mais de 140 mil pacientes realizam diálise atualmente no Brasil. A mortalidade relacionada à doença renal segue em crescimento e, segundo projeções internacionais, a condição pode se tornar a quinta principal causa de morte no mundo até 2040. A conscientização, diagnóstico precoce e o acompanhamento médico regular são essenciais para reduzir o impacto da doença e melhorar a qualidade de vida dos pacientes.

Serviço de Transplante Renal do Santa Marcelina: desde 1997, o Hospital Santa Marcelina de Itaquera realiza o transplante de rim e se tornou referência no procedimento, inclusive para doadores vivos. O cuidado com o receptor é um dos diferenciais do setor de transplantes. Na unidade, o paciente é submetido a exames complementares e de rotina para garantir que esteja em boas condições clínicas na hora de receber o órgão.

Entre em contato para obter mais informações sobre como doar ou receber um rim:

Telefone: (11) 2070-6345 |ou (11) 2070-6145.

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