Especialistas explicam como funcionam as técnicas atuais de alívio da dor e destacam alternativa com óxido nitroso, disponível em maternidade do SUS no Rio de Janeiro

O medo da dor ainda é um dos fatores que mais influenciam a decisão sobre o tipo de parto. No Brasil, esse receio pode impactar diretamente o elevado número de cesarianas no país, que representa cerca de 57% dos nascimentos, segundo o Ministério da Saúde. Especialistas apontam que ampliar o acesso à informação e às opções de analgesia durante o trabalho de parto pode contribuir para tornar o nascimento mais seguro e confortável para a pessoa gestante e o bebê.
Para especialistas, ampliar o debate é fundamental para desmistificar o parto normal e garantir acesso a diferentes estratégias de conforto durante esse momento.
Métodos de analgesia
A analgesia no parto corresponde a um conjunto de técnicas utilizadas para reduzir a dor das contrações durante o trabalho de parto, podendo ser farmacológicas ou não farmacológicas.
De acordo com o coordenador de anestesiologia do Hospital Maternidade Paulino Werneck, Dr. Rodrigo Lucas do Valle, o método tem evoluído significativamente nos últimos anos, oferecendo alternativas que permitem alívio sem comprometer a participação ativa da pessoa gestante no nascimento do bebê.
“A analgesia peridural é uma das estratégias mais eficazes. Ela permite reduzir significativamente o desconforto das contrações, mantendo a pessoa consciente e acompanhando todo o processo do nascimento”, explica.
O especialista destaca que a escolha do método depende de diversos fatores, como o estágio do trabalho de parto, condições clínicas e protocolos da unidade de saúde. “O objetivo não é retirar completamente todas as sensações, mas proporcionar conforto e segurança para que cada paciente possa vivenciar esse processo mais tranquilamente”, afirma.
Óxido nitroso: alternativa moderna e menos invasiva
Entre as opções disponíveis atualmente está o uso do óxido nitroso, também conhecido popularmente como “gás do riso”, que tem sido adotado em diversas maternidades ao redor do mundo.
No Hospital Maternidade Paulino Werneck, no Rio de Janeiro, o método já faz parte da assistência às pessoas gestantes e representa uma alternativa dentro do Sistema Único de Saúde. A unidade é atualmente a única maternidade do SUS na cidade a oferecer esse tipo de analgesia durante o trabalho de parto.
O óxido nitroso é administrado por meio de uma máscara, que pode ser segurada pela própria pessoa gestante, permitindo que ela controle o momento da inalação, geralmente durante as contrações.
Segundo Dr. Valle, o método apresenta algumas vantagens importantes. “O óxido nitroso ajuda a reduzir a intensidade da dor e da ansiedade associadas às contrações, sem causar perda de consciência. Além disso, tem início de ação rápido e é eliminado rapidamente pelo organismo, o que contribui para sua segurança”, explica.
Analgesia e humanização
Além das abordagens farmacológicas, práticas não medicamentosas também desempenham papel importante nesse aspecto. Entre elas estão o banho morno, técnicas de respiração, massagens, movimentação livre e uso de bola de exercícios.
Para a enfermeira obstetra Cora Caroline Santos Pereira, coordenadora de enfermagem do Centro de Parto Normal e do Acolhimento e Classificação de Risco do hospital, a combinação dessas medidas contribui para uma experiência mais positiva.
“A analgesia não deve ser vista apenas como um procedimento médico, mas como parte de um cuidado integral. Muitas vezes, a associação de métodos farmacológicos com ações não farmacológicas ajuda a reduzir a dor, a ansiedade e o medo que podem surgir”, afirma.
Ela ressalta, ainda, que o acesso à informação é fundamental. “Ao entender quais são as possibilidades de alívio da dor e como cada método funciona, é possível participar mais ativamente das decisões sobre o seu parto”, salienta a enfermeira.
Desmistificando a analgesia
Apesar de amplamente utilizada, a analgesia ainda é cercada por dúvidas e mitos. Um dos receios mais comuns é que possa prejudicar o bebê ou interferir no parto.
No entanto, os especialistas pontuam que, quando aplicada de forma adequada e com acompanhamento da equipe multiprofissional, o método é considerado seguro. Para a equipe da maternidade, discutir o tema de forma aberta e baseada em evidências é essencial para reduzir medos e ampliar o acesso a uma assistência mais humanizada.
“A dor do parto é uma preocupação legítima, mas hoje existem diversas formas seguras de aliviar esse desconforto. O mais importante é que cada gestante tenha acesso à informação e possa escolher, com a equipe de saúde, a melhor estratégia para o seu parto”, conclui Cora Caroline.
Sobre o Hospital Maternidade Paulino Werneck
O Hospital Maternidade Paulino Werneck, localizado na Ilha do Governador do Rio de Janeiro, é um complexo materno infantil gerenciado pelo CEJAM - Centro de Estudos e Pesquisas “Dr. João Amorim” em parceria com a Secretaria Municipal de Saúde do Rio de Janeiro.
Sobre o CEJAM
O CEJAM - Centro de Estudos e Pesquisas “Dr. João Amorim” é uma entidade filantrópica e sem fins lucrativos. Fundada em 1991, a Instituição atua em parceria com o poder público no gerenciamento de serviços e programas de saúde em São Paulo, Rio de Janeiro, Mogi das Cruzes, Osasco, Campinas, Carapicuíba, Barueri, Franco da Rocha, Guarulhos, Santos, São Roque, Lins, Assis, Ferraz de Vasconcelos, Pariquera-Açu, Itapevi, Peruíbe e São José dos Campos.
A organização faz parte do Instituto Brasileiro das Organizações Sociais de Saúde (IBROSS), e tem a missão de ser instrumento transformador da vida das pessoas por meio de ações de promoção, prevenção e assistência à saúde.
O CEJAM é considerado uma Instituição de excelência no apoio ao Sistema Único de Saúde (SUS), tendo conquistado, em 2025, a certificação Great Place to Work. O seu nome é uma homenagem ao Dr. João Amorim, médico obstetra e um dos fundadores da Instituição.
Neste ano, a organização lança a campanha CEJAM 2026: respeito à vida, respeito ao planeta. 365 dias cuidando do presente, transformando o futuro!
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