Doença é mais comum após os 50 anos, tem relação direta com obesidade e ganha novas ferramentas de diagnóstico com exames moleculares

Essa semana celebramos o Dia Mundial da Obesidade, um tema que ganha centralidade no debate sobre saúde feminina: a associação entre excesso de peso e câncer de endométrio, tumor que se origina no revestimento interno do útero e ocorre, na maioria das vezes, após a menopausa. Diretrizes da Federação Brasileira das Associações de Ginecologia e Obstetrícia (FEBRASGO) indicam que a idade média de diagnóstico gira em torno dos 60 anos, e a doença é incomum antes dos 45 e reforçam esse perfil ao apontar que menos de 5% dos casos ocorrem em mulheres com menos de 40 anos e cerca de 15% antes da menopausa1.

Para a endocrinologista e diretora de análises clínicas na Dasa, dra. Maria Helane Gurgel Castelo, esse recorte etário reflete um processo biológico acumulativo. “A obesidade não é apenas uma condição estética. O tecido adiposo é metabolicamente ativo e aumenta a conversão de hormônios androgênicos em estrogênios, além de sustentar um estado inflamatório crônico. Isso mantém o endométrio sob estímulo prolongado e cria um ambiente favorável à proliferação celular desregulada, elevando o risco de câncer ao longo do tempo.”

Peso, hormônios e risco oncológico

O vínculo entre obesidade e câncer de endométrio é considerado um dos mais consistentes entre os tumores ginecológicos. O excesso de gordura corporal está associado a maior produção periférica de estrogênios, resistência à insulina e inflamação de baixo grau — um conjunto de fatores que, somados, aumentam a probabilidade de alterações celulares no endométrio. Não por acaso, a incidência cresce justamente nas faixas etárias em que o ganho de peso e as mudanças metabólicas são mais frequentes, sobretudo após os 50 anos.

Menopausa e obesidade: uma relação de mão dupla

Esse cenário é aprofundado pelo artigo “Menopausa e obesidade: uma relação bidirecional”, publicado no portal Dasa Educa – braço de educação da Dasa, líder em medicina diagnóstica no país, que descreve como a transição menopausal e o excesso de peso se retroalimentam. A queda dos hormônios ovarianos favorece o acúmulo de gordura — especialmente abdominal — e altera o metabolismo energético; por sua vez, a obesidade intensifica a resistência à insulina e a inflamação, ampliando riscos cardiovasculares e oncológicos2.

“A menopausa é uma encruzilhada metabólica. As mudanças hormonais alteram a distribuição de gordura e o equilíbrio energético, e a obesidade funciona como um amplificador desses efeitos. Quando esses fatores coexistem, o impacto sobre o risco de doenças crônicas, inclusive o câncer de endométrio, se torna mais relevante”, explica a Dra. Maria Helane.

Diagnóstico mais preciso com exames moleculares

Além da avaliação clínica e dos exames tradicionais — como exame pélvico (avaliação ginecológica para identificar alterações no útero, vagina e ovários), ultrassonografia transvaginal (mensuração da espessura do endométrio e detecção de alterações suspeitas), biópsia endometrial (análise microscópica do tecido para confirmação diagnóstica), histeroscopia (visualização direta da cavidade uterina com possibilidade de coleta de material), tomografia computadorizada (avaliação da extensão da doença) e ressonância magnética (maior detalhamento de tecidos para estadiamento) — a medicina diagnóstica passou a incorporar ferramentas moleculares que ampliam a precisão clínica. Nesse contexto, o TARGETone®, painel de sequenciamento genético voltado a tumores sólidos, permite identificar múltiplas alterações moleculares, contribuindo para uma estratificação mais refinada dos casos e para a definição de condutas terapêuticas mais individualizadas.

O patologista dr. Cristovam Scapulatempo Neto, diretor médico de Anatomia Patológica e Genética na Dasa Genômica, destaca o papel desses marcadores no câncer de endométrio: “A incorporação de biomarcadores como POLE e β-catenina amplia nossa compreensão sobre o comportamento biológico dos tumores. Essas informações complementam o diagnóstico histopatológico e ajudam a personalizar a avaliação prognóstica, apoiando decisões clínicas mais alinhadas ao perfil molecular de cada paciente.”

Alterações no gene POLE estão associadas a subgrupos moleculares específicos com implicações prognósticas, enquanto a β-catenina, proteína-chave em vias de sinalização celular, pode indicar mecanismos envolvidos na progressão tumoral. Juntos, esses dados reforçam a tendência de uma oncologia cada vez mais precisa e orientada por perfil molecular.

Prevenção como prioridade

Especialistas lembram que a obesidade é um fator de risco modificável. Estratégias de prevenção que incluem alimentação equilibrada, atividade física regular e acompanhamento médico contínuo — especialmente no período pós-menopausa — podem reduzir de forma significativa a probabilidade de desenvolvimento de câncer de endométrio e outras doenças associadas ao excesso de peso.

“Cuidar do peso é uma medida de saúde integral. Além de melhorar o metabolismo, reduz o estímulo hormonal crônico sobre o endométrio e, com isso, o risco de transformação maligna”, conclui a dra. Maria Helane. Enfrentar o excesso de peso é também proteger a saúde da mulher ao longo do envelhecimento, combinando prevenção, informação de qualidade e acesso a diagnósticos cada vez mais avançados.

Referência

1 – Febrasgo - https://www.febrasgo.org.br/images/campanhaflor/cartilha/CARTILHA_ENDOMETRIO.pdf

2 – Dasa Educa - https://dasaeducaeventos.com.br/biblioteca-cientifica/artigos/menopausa-e-obesidade-uma-relacao-bidirecional


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