Agência de Refugiados da ONU (ACNUR) alerta para falta crítica de financiamento em meio ao aumento dos deslocamentos forçados na região
Entre 600 mil e 1 milhão de famílias iranianas estão temporariamente deslocadas dentro do Irã em decorrência do conflito em curso, segundo avaliações preliminares, representando até 3,2 milhões de pessoas. A maioria delas estariam fugindo de Teerã e de outras grandes áreas urbanas em direção ao norte do país e a áreas rurais em busca de segurança. É provável que esse número continue crescendo à medida que as hostilidades persistam, o que representa uma escalada preocupante nas necessidades humanitárias na região.
Já no Líbano, mais de 800 mil pessoas foram deslocadas em apenas uma semana pelo agravamento da crise. Segundo as autoridades, mais de 667 mil pessoas no país se registraram na plataforma online do governo para deslocados – com um crescimento de mais de 100 mil em apenas um dia – e os números continuam a subir.
A escalada recente do conflito no Oriente Médio está ampliando rapidamente uma crise humanitária já profunda na região. O aumento dos combates provocou novos deslocamentos massivos e tem colocado uma pressão crescente sobre o sistema humanitário, que enfrenta falta crítica de recursos para atender às necessidades mais urgentes da população.
“Cada novo dia de conflito aumenta exponencialmente as fragilidades dessas populações, enquanto a capacidade de resposta humanitária continua sobrecarregada”, afirma Raquel Trabazo, chefe do escritório de campo do ACNUR em Zahle, no Vale do Bekaa, no Líbano.
Sistema humanitário no limite
Quase 25 milhões de pessoas nas áreas afetadas já são refugiadas, deslocadas internas ou retornadas, o que coloca uma pressão adicional sobre a capacidade de resposta dos países de acolhida.
Grande parte dessas pessoas chega às comunidades vizinhas sem praticamente nada e depende de ajuda emergencial para atender às necessidades mais básicas, como abrigo, alimentação, medicamentos e itens de higiene.
“A maioria das famílias que chegam até nós perdeu praticamente tudo. Muitas tiveram apenas alguns minutos para sair de casa”, afirma Trabazo. “Essas pessoas precisam de apoio imediato para reconstruir suas vidas, desde abrigo e alimentação até assistência médica e proteção.”
Outro fenômeno de deslocamento gerado pela crise é o aumento do número de retornados: pessoas que haviam buscado proteção internacional em outros países e agora se veem forçadas a voltar para seus locais de origem, mesmo diante de riscos à segurança.
Estima-se que mais de 78 mil refugiados sírios e cerca de 27.400 afegãos estejam retornando em meio à nova onda de violência, muitas vezes sem condições adequadas de segurança ou apoio humanitário.
Falta de financiamento ameaça ampliar a crise
Apesar da mobilização de organizações humanitárias, a capacidade de resposta na região está seriamente comprometida pela falta de financiamento.
Em média, apenas cerca de 25% dos recursos necessários para as operações humanitárias na região foram recebidos até agora, o que significa que três quartos das necessidades estimadas da população permanecem sem cobertura.
A situação é especialmente crítica em alguns países:
- Afeganistão: 17% dos US$ 216 milhões necessários
- Irã: 8% dos US$ 140 milhões necessários
- Paquistão: 22% dos US$ 94 milhões necessários
- Iraque: 28% dos US$ 61 milhões necessários
- Líbano: 14% dos US$ 472 milhões necessários
- Síria: 28% dos US$ 323,9 milhões necessários
Sem financiamento adicional, organizações humanitárias alertam que será cada vez mais difícil garantir assistência vital para milhões de pessoas deslocadas.
“Os estoques de emergência estão prontos para serem mobilizados rapidamente”, afirma Trabazo. “Mas sem recursos suficientes, torna-se cada vez mais difícil ampliar a resposta na velocidade que a crise exige.”
Diante da deterioração da situação humanitária, o ACNUR reforça a necessidade de garantir proteção para as pessoas afetadas pelo conflito. A agência das Nações Unidas pede desescalada das hostilidades e respeito às leis internacionais de proteção, assegurando que civis possam acessar segurança e assistência humanitária.
“O mais importante neste momento é garantir que pessoas que buscam proteção possam fazê-lo com segurança e dignidade”, afirma Trabazo. “Independentemente de onde estejam, elas precisam ter acesso à proteção e aos seus direitos básicos.”
Enquanto o conflito continua, organizações humanitárias alertam que as necessidades na região devem continuar aumentando, reforçando a urgência de apoio da comunidade internacional e do setor privado para evitar que milhões de pessoas fiquem sem assistência essencial.
Sobre o Acnur
A Agência da ONU para Refugiados (ACNUR) é uma organização dedicada a salvar vidas, proteger os direitos e garantir um futuro digno a pessoas que foram forçadas a deixar suas casas e comunidades devido a guerras, conflitos armados, perseguições ou graves violações dos direitos humanos. Presente em 135 países, o ACNUR atua em conjunto com autoridades nacionais e locais, organizações da sociedade civil e o setor privado para que todas as pessoas refugiadas, deslocadas internas e apátridas encontrem segurança e apoio para reconstruir suas vidas
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