Estamos no mês das cores lilás e azul-marinho. Mais do que isso, é um momento oportuno para conscientizar a população sobre como evitar dois dos cânceres mais comuns no país. Pensando nisso, a Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO) orienta sobre como adotar medidas que evitam o surgimento do câncer do colo do útero e do câncer de intestino (colorretal)

Março reúne duas campanhas importantes de conscientização em saúde: o Março Lilás, dedicado ao câncer do colo do útero e o Março Azul-Marinho, voltado ao câncer colorretal. Apesar de afetarem órgãos diferentes e terem fatores de risco distintos, as duas doenças compartilham uma característica importante em comum. Podem não só ser prevenidas e diagnosticadas precocemente, o que aumenta de forma significativa as chances de cura, como também são doenças, de fato, evitáveis. 

Segundo estimativas do Instituto Nacional de Câncer (INCA) para o triênio 2026-2028, o Brasil deve registrar cerca de 45 mil novos casos anuais de câncer colorretal, somando homens e mulheres. Já o câncer do colo do útero deve atingir aproximadamente 19 mil mulheres por ano, permanecendo entre os tumores mais incidentes na população feminina brasileira. Diante desses números, a Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica destaca dez informações essenciais que ajudam a entender por que a prevenção e o diagnóstico precoce são decisivos para reduzir a incidência e a mortalidade dessas duas doenças.

  1. Dois cânceres comuns no Brasil

O câncer colorretal está entre os tumores mais frequentes no país quando se consideram homens e mulheres. Já o câncer do colo do útero é o terceiro tumor maligno mais incidente entre mulheres brasileiras, excluindo o câncer de pele não melanoma. 

  1. A maioria dos casos pode ser evitada

Tanto o câncer colorretal quanto o câncer do colo do útero estão entre os tumores para os quais a medicina dispõe hoje de estratégias claras e eficazes de prevenção. Diferentemente de muitos outros tipos de câncer, esses dois apresentam uma história natural bem conhecida e fatores de risco identificáveis, o que permite atuar antes mesmo do surgimento da doença.

No caso do câncer colorretal, grande parte dos tumores se desenvolve lentamente a partir de pólipos benignos que surgem na mucosa do intestino ao longo dos anos. Esses pólipos podem ser detectados em exames de rastreamento, como a colonoscopia e removidos durante o próprio procedimento, interrompendo o processo que levaria ao desenvolvimento do câncer. Além disso, fatores relacionados ao estilo de vida, como alimentação rica em carnes processadas, obesidade, sedentarismo, tabagismo e consumo excessivo de álcool, estão associados ao aumento do risco, enquanto hábitos saudáveis ajudam a reduzir a probabilidade de surgimento da doença.

Já o câncer do colo do útero tem a particularidade importante de estar diretamente relacionado à infecção persistente pelo HPV (papilomavírus humano). A vacinação contra o vírus, recomendada principalmente para adolescentes antes do início da vida sexual, é considerada a principal estratégia de prevenção primária. Paralelamente, exames de rastreamento, como o Papanicolau e o teste de DNA-HPV, permitem identificar alterações celulares precursoras do câncer anos antes de sua evolução para doença invasiva. Nessas fases iniciais, o tratamento costuma ser simples e altamente eficaz. Por essa razão, especialistas destacam que políticas públicas voltadas à vacinação, ao rastreamento organizado e à promoção de hábitos de vida saudáveis têm potencial para reduzir de forma significativa a incidência e a mortalidade desses dois tumores na população.

  1. O câncer colorretal costuma surgir de pólipos benignos

Grande parte dos tumores colorretais se desenvolve ao longo de anos a partir de pólipos (pequenas lesões benignas que aparecem na parede do intestino). Quando identificados e removidos precocemente, esses pólipos deixam de evoluir para câncer.

  1. A colonoscopia permite prevenir o tumor antes mesmo de ele aparecer

Exames de rastreamento, como a colonoscopia, permitem identificar e retirar pólipos antes que se transformem em câncer. Por isso, especialistas recomendam iniciar a avaliação a partir dos 45 ou antes, dependendo do risco individual e familiar. “O câncer colorretal é um exemplo efetivo de como o rastreamento pode salvar vidas. Quando identificamos pólipos ou lesões iniciais, conseguimos intervir precocemente e impedir a evolução da doença”, afirma o cirurgião oncológico Paulo Henrique de Sousa Fernandes, presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO).

  1. Hábitos de vida influenciam diretamente o risco

Obesidade, sedentarismo, dieta rica em carnes processadas, tabagismo e consumo excessivo de álcool estão associados ao aumento do risco de câncer colorretal. Em contrapartida, alimentação rica em fibras e prática regular de atividade física ajudam a reduzir esse risco.

  1. O câncer do colo do útero está ligado ao HPV

Quase todos os casos de câncer do colo do útero estão associados à infecção persistente pelo HPV (papilomavírus humano), um vírus transmitido principalmente por contato sexual.

  1. A vacinação é a principal forma de prevenção

A vacina contra o HPV é considerada hoje a estratégia mais eficaz de prevenção primária do câncer de colo do útero, pois atua diretamente na causa da doença. A infecção persistente pelo papilomavírus humano está presente em praticamente todos os casos desse tipo de câncer, especialmente pelos subtipos de alto risco oncogênico, como o HPV 16 e o HPV 18. Ao induzir a produção de anticorpos contra o vírus, a vacinação reduz de forma significativa a probabilidade de infecção e, consequentemente, o desenvolvimento das lesões precursoras que podem evoluir para câncer ao longo dos anos. No Brasil, a vacina está disponível gratuitamente no Sistema Único de Saúde (SUS) e integra o calendário nacional de imunização. A recomendação prioritária é para meninas e meninos de 9 a 14 anos, faixa etária em que a resposta imunológica é mais robusta e a vacinação costuma ocorrer antes do início da vida sexual, momento em que ainda não houve exposição ao vírus. Estudos internacionais e programas de vacinação já consolidados mostram que países com alta cobertura vacinal têm registrado quedas expressivas na incidência de infecções por HPV e nas lesões precursoras do câncer de colo do útero No Brasil, a vacina é oferecida no SUS para meninos e meninas dos 9 aos 19 anos em dose única, com a proposta de aumentar a cobertura vacinal. Especialistas ressaltam que a vacinação não substitui o rastreamento, mas funciona como uma camada adicional de proteção. Quando combinada à realização periódica de exames preventivos, como o Papanicolau ou o teste de DNA-HPV, a estratégia amplia de forma significativa a capacidade de evitar a doença e reduzir o número de casos de câncer do colo do útero nas próximas décadas.

  1. O exame preventivo detecta lesões antes do câncer surgir

Exames de rastreamento, como o Papanicolau e o teste de DNA-HPV, permitem identificar alterações nas células do colo do útero antes que evoluam para câncer, possibilitando tratamento precoce e altamente eficaz. “O câncer de colo do útero é um dos tumores com maior potencial de prevenção na oncologia. Vacinação contra o HPV e rastreamento regular permitem identificar lesões precursoras e tratá-las antes que se transformem em câncer”, explica a cirurgiã oncológica Viviane Rezende de Oliveira, vice-presidente da Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica.

  1. Diagnóstico precoce aumenta muito as chances de cura

Quando diagnosticados em estágios iniciais, tanto o câncer colorretal quanto o câncer do colo do útero apresentam altas taxas de cura. Por isso, a ampliação do acesso ao rastreamento é considerada uma estratégia essencial de saúde pública.

  1. A informação é uma aliada da prevenção

Campanhas como o Março Lilás e o Março Azul-Marinho têm justamente o objetivo de levar informação de qualidade à população, estimular hábitos saudáveis e reforçar a importância da vacinação e dos exames preventivos.

A Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica reforça que a sensibilização é um passo fundamental para reduzir o impacto dessas doenças no Brasil.  

Sobre a SBCO - Fundada em 31 de maio de 1988, a Sociedade Brasileira de Cirurgia Oncológica (SBCO) é uma entidade sem fins lucrativos, com personalidade jurídica própria, que agrega cirurgiões oncológicos e outros profissionais envolvidos no cuidado multidisciplinar ao paciente com câncer. Sua missão é também promover educação médica continuada, com intercâmbio de conhecimentos, que promovam a prevenção, detecção precoce e o melhor tratamento possível aos pacientes, fortalecendo e representando a cirurgia oncológica brasileira. É presidida pelo cirurgião oncológico Paulo Henrique de Sousa Fernandes (2025-2027).


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