Especialistas explicam por que o tumor está entre os mais frequentes no país e quais atitudes podem ajudar na prevenção e no diagnóstico precoce
O câncer colorretal, que acomete o cólon e o reto, já ocupa a segunda posição entre os tipos de tumor mais frequentes no Brasil, tanto entre homens quanto entre mulheres. Estimativas do Instituto Nacional de Câncer indicam que mais de 53 mil novos casos devem ser registrados no país em 2025, cenário que reforça a importância da prevenção e do diagnóstico precoce.
De acordo com o oncologista Dr. Matheus Baptista, da Croma Oncologia, um dos principais desafios do câncer colorretal é o fato de a doença evoluir de forma silenciosa nas fases iniciais, o que dificulta o diagnóstico precoce. “É comum atribuir gases, constipação ou episódios isolados de diarreia à alimentação ou ao estresse. O alerta surge quando esses sinais se repetem por semanas ou aparecem associados a sangramento, dor abdominal ou anemia. Nesses casos, a investigação médica é fundamental”, alerta.
Para o oncologista Dr. Antônio Dias, especialista em tumores do trato gastrointestinal, esse movimento levou à antecipação da recomendação de início do rastreamento. “Trata-se de um fenômeno multifatorial, diretamente associado ao padrão alimentar e ao estilo de vida contemporâneo”, afirma.
A seguir, veja curiosidades importantes sobre o câncer colorretal e o que pode ajudar a reduzir o risco da doença.
1. O câncer colorretal está entre os tumores mais diagnosticados no Brasil.
A doença já ocupa a segunda posição entre os tipos de câncer mais frequentes em homens e mulheres no país. Somados, os números ultrapassam 53 mil novos casos estimados para 2025, o que reforça a relevância do tumor no cenário oncológico brasileiro.
2. Ele também está entre as principais causas de morte por câncer.
Além da elevada incidência, o câncer colorretal apresenta mortalidade expressiva. Quando homens e mulheres são analisados separadamente, ele é a terceira principal causa de morte por câncer. Quando considerados em conjunto, ocupa a segunda posição, atrás apenas do câncer de pulmão.
3. Nos estágios iniciais, a doença pode não apresentar sintomas evidentes.
O câncer colorretal costuma evoluir de forma silenciosa no início. Quando surgem, os sinais de alerta mais comuns incluem sangue nas fezes, alterações persistentes do hábito intestinal, fezes mais finas, dor abdominal recorrente, sensação de evacuação incompleta, anemia sem causa aparente e perda de peso involuntária. A persistência desses sintomas por semanas deve ser sempre valorizada.
4. O risco aumenta com a idade, mas casos em pessoas mais jovens têm crescido.
Embora seja mais frequente em faixas etárias mais elevadas, o câncer colorretal não se restringe aos idosos. Histórico familiar, especialmente em parentes de primeiro grau, e fatores ligados ao estilo de vida, como alimentação pobre em fibras e rica em ultraprocessados e carnes vermelhas, sedentarismo, obesidade, consumo excessivo de álcool e tabagismo, exercem influência relevante. Esse conjunto de fatores ajuda a explicar o aumento de diagnósticos em pessoas com menos de 50 anos.
5. A colonoscopia é uma das principais ferramentas de diagnóstico e prevenção.
O rastreamento é uma das estratégias mais eficazes para reduzir o impacto do câncer colorretal. Com o aumento de casos em pessoas mais jovens, instituições como a American Cancer Society passaram a recomendar que indivíduos com risco médio iniciem a colonoscopia aos 45 anos, mesmo sem sintomas. Pessoas com histórico familiar devem começar aos 40 anos ou dez anos antes da idade em que o parente foi diagnosticado, prevalecendo o que ocorrer primeiro. O exame permite identificar lesões precoces e remover pólipos antes que evoluam para câncer, atuando de forma preventiva.
Quando o câncer colorretal é identificado precocemente, as chances de tratamento bem sucedido são maiores, podendo envolver cirurgia e, em alguns casos, quimioterapia. Mesmo em estágios mais avançados, o avanço das terapias tem permitido controlar a doença e preservar a qualidade de vida dos pacientes.
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