Especialista em reprodução humana alerta para a sobrecarga emocional feminina e defende abordagem mais equilibrada e informada nos tratamentos

São Paulo, março de 2026 – Quando um casal enfrenta dificuldades para engravidar, ainda é comum que o olhar e, muitas vezes, a culpa recaiam primeiro sobre a mulher. Mesmo com os avanços da medicina reprodutiva e a ampla disseminação de informações sobre infertilidade masculina, o imaginário coletivo continua associando a fertilidade quase exclusivamente ao corpo feminino. O resultado é uma sobrecarga emocional silenciosa que pode tornar a jornada ainda mais difícil.

De acordo com o médico especialista em reprodução humana do Grupo Huntington, Dr. Matheus Roque, essa dinâmica é frequente no consultório. “Embora a infertilidade seja um diagnóstico do casal, culturalmente ainda existe a tendência de responsabilizar a mulher. Isso gera um peso emocional muito grande, porque além de lidar com exames, procedimentos e expectativas, ela também carrega a sensação de estar falhando”, afirma.

Segundo o médico, cerca de 40% dos casos de infertilidade estão relacionados a fatores femininos, 40% a fatores masculinos e os demais a causas mistas ou sem explicação aparente. Ainda assim, a investigação costuma começar e, muitas vezes, se concentrar no corpo da mulher, o que reforça a percepção equivocada de que a dificuldade para engravidar é essencialmente feminina.

“O homem também precisa ser investigado desde o início. O espermograma é um exame simples e fundamental, mas ainda vemos resistência ou adiamento por parte de alguns parceiros. Isso contribui para que a mulher se sinta sozinha no processo”, explica o Dr. Matheus.

A pressão do tempo e o impacto na saúde mental

Outro fator que intensifica o peso emocional é a relação entre idade e fertilidade feminina. A partir dos 35 anos há uma redução mais acelerada da quantidade e da qualidade dos óvulos, o que costuma aumentar a ansiedade. Para muitas mulheres, o tratamento de fertilidade se mistura com a sensação de que o tempo está contra elas.

“Existe uma cobrança social muito forte em torno da maternidade. Quando a gravidez não acontece no momento esperado, a mulher tende a internalizar isso como uma falha pessoal. É fundamental reforçar que infertilidade é uma condição médica, não um fracasso individual”, destaca o especialista.

Além da ansiedade, não são raros os casos de sintomas depressivos, alterações no sono, irritabilidade e conflitos conjugais. O processo pode envolver ciclos de esperança e frustração a cada tentativa, especialmente em tratamentos como a fertilização in vitro, que exigem preparo físico e emocional.

O papel do casal e da equipe multidisciplinar

De acordo com o Dr. Matheus, enfrentar a infertilidade como um projeto do casal é um dos principais fatores de proteção emocional. “Quando ambos se reconhecem como parte ativa do processo, compartilhando exames, decisões e expectativas, o peso deixa de recair sobre uma única pessoa. Isso fortalece a relação e torna a jornada mais saudável.”

Ele também ressalta a importância do suporte psicológico especializado. “O acompanhamento emocional não deve ser visto como algo secundário. Cuidar da saúde mental é parte do tratamento. Muitas vezes, o acolhimento adequado ajuda o casal a tomar decisões mais conscientes e a atravessar as etapas com menos sofrimento”, reforça.

Para o especialista, ampliar o debate público sobre infertilidade é essencial para desconstruir mitos e reduzir estigmas. “Precisamos falar mais sobre infertilidade masculina, sobre causas mistas e sobre o fato de que nem sempre há um culpado. A medicina evoluiu muito, mas a cultura ainda precisa evoluir junto”, conclui.

 

Sobre a Huntington Medicina Reprodutiva

Com 30 anos de história e tradição, a Huntington Medicina Reprodutiva é uma das principais referências em reprodução assistida no Brasil. Ao longo de sua trajetória, construiu reconhecimento nacional pela excelência médica, rigor científico e pelo cuidado humano oferecido a pacientes e famílias que buscam realizar o sonho da parentalidade.

A clínica atua com um portfólio completo de tratamentos em reprodução assistida, contemplando infertilidade feminina, masculina e do casal, congelamento de óvulos, fertilização in vitro, inseminação intrauterina, doação de gametas, oncofertilidade, aconselhamento genético e tecnologias avançadas de laboratório, como o sistema time-lapse, sempre com uma abordagem individualizada e acolhedora.

Atualmente, a Huntington integra o Grupo Eugin, uma das maiores e mais respeitadas redes de reprodução assistida do mundo, presente em nove países. Essa conexão internacional fortalece o intercâmbio científico, a inovação contínua e o compromisso da Huntington com a evolução da medicina reprodutiva, mantendo o paciente no centro de todas as decisões.


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