Rastreabilidade de gado, plataformas de investimento e monitoramento da sustentabilidade da produção; soluções brasileiras ganham destaque no mercado

São Paulo, janeiro de 2025 – A agropecuária brasileira é muito mais modernizada do que pode parecer a quem não participa ativamente da área. As inovações surgem a todo momento: segundo o último Radar Agtech Brasil, os investimentos em AgFoodTechs na América Latina cresceram 25% no ano passado, e foram identificados 451 hubs, incubadoras, parques tecnológicos e aceleradoras que impulsionam a inovação no agro. O movimento não vem à toa: um estudo da pesquisadora Maira de Souza Regis, da Universidade de Brasília (UnB), mostra que mais de 90% dos produtores rurais utilizam algum tipo de tecnologia ou sistema digital no dia a dia. O brasileiro, também dentro da porteira, gosta de testar coisas novas.

Embora o setor ainda seja percebido como mais conservador, a adoção de tecnologias vem ganhando velocidade, especialmente em propriedades onde novas gerações já participam da gestão. E, nesse cenário, quem resistir às mudanças corre sério risco de ficar para trás. E alguns modelos de produção simplesmente não sobreviverão sem inovação. Antecipar tendências permite reorganizar processos, ajustar estruturas e preservar competitividade num mercado que evolui depressa.

As soluções que estão redefinindo o agro não surgem somente de grandes corporações. Cada vez mais, startups especializadas assumem protagonismo. Para Mario Casale, conselheiro da Casale e responsável pelo CasaleTech — programa de aceleração de startups de tecnologia para o agro, realizado em parceria com a IAM — essa descentralização da inovação é um sinal de maturidade do setor. “As organizações mais consolidadas, quando buscam garantir sua perenidade, precisam estar permanentemente atentas a novas soluções e tendências. Criamos o CasaleTech justamente para acompanhar de perto esse movimento, investir em boas ideias e estimular o desenvolvimento da agropecuária”, afirma.

Desde o início do programa, inúmeras startups já passaram pela aceleração. Em 2025, o ciclo foi encerrado com o 1º Casale Startup Day, evento presencial que aproximou empreendedores, membros do Conselho e executivos da empresa. “Esse contato direto faz nossa área de inovação ganhar velocidade e criatividade para trazer novidades ao campo”, complementa Mario.

O CasaleTech reúne algumas das startups com potencial para transformar ainda mais a área. A seguir, veja três soluções que devem virar tendência em 2026.

1- Rastreabilidade de gado com propósito

Green Track oferece uma tecnologia de rastreabilidade individual de bovinos, por meio de um dispositivo com GPS que registra a localização do animal ao longo de todo seu ciclo de vida: nascimento, criação, engorda e até o abate. Com os dados capturados, a startup consegue cruzá-los com o Cadastro Ambiental Rural (CAR), mapas do Prodes e áreas embargadas do Ibama. Isso permite a geração de certificados de conformidade socioambiental que comprovam que o gado não provém de áreas desmatadas ou embargadas.

“O que fazemos é dar previsibilidade e transparência a um processo que sempre foi fragmentado, acompanhando o animal desde o nascimento e cruzando essas informações com bases oficiais”, explica Antonio Victuri Junior, CEO da Green Track.

2- Agricultura regenerativa

4bases é uma startup voltada à agricultura regenerativa e de baixo carbono que surgiu da necessidade de ampliar a adoção dessas práticas em larga escala. A empresa usa tecnologia, ciência de dados e inteligência artificial para organizar informações, conectar produtores e dar visibilidade a quem já produz de forma sustentável, resolvendo entraves operacionais e burocráticos que ainda dificultam o avanço desse modelo no campo.

“A solução da 4bases é um bom exemplo de inovação aparentemente simples, mas que resolve um problema enorme nas fazendas brasileiras. Ela tira o produtor da burocracia que ele muitas vezes não consegue entender e da dependência de prestadores de serviço ruins, permitindo que o foco esteja onde realmente importa: na produção”, afirma Casale.

3- Monitoramento de sustentabilidade

ESGpec atua com diagnóstico e monitoramento de práticas sustentáveis, pegada de carbono, bem-estar animal e conformidade com critérios ESG. Por meio de diferentes ferramentas, a startup consegue calcular as emissões de gases do efeito estufa, criar um sistema de pontuação e fornecer um painel de visualização estratégica com relatórios, gráficos e acompanhamento da evolução de propriedades ou grupos de fazendas.

“O trabalho com dados é fundamental para dar visibilidade às práticas sustentáveis que já existem no campo. A ESGpec desenvolveu uma calculadora adequada à realidade da produção brasileira, e as informações geradas ajudam grandes empresas a avaliar melhor seus fornecedores e a criar modelos de reconhecimento e premiação para quem adota práticas mais sustentáveis”, afirma Heloise Duarte, cofundadora da ESGpec.

4- Conexão entre investidores e produtores

Algumas inovações não focam em equipamentos para o campo, mas em outros desafios enfrentados pelo setor. É o caso da plataforma de financiamento peer-to-peer (P2P) GiroLend. Ao conectar investidores interessados com produtores rurais ou agroempresas que buscam crédito, ela permite a captação de recursos que podem ser convertidos em projetos de modernização. 

“O acesso a crédito impacta milhares de produtores todos os anos”, aponta Mario. “Muitos possuem ideias e propostas inovadoras, além do interesse em adquirir equipamentos de ponta ou trabalhar com novas ferramentas. Tudo isso pode ser facilitado com investimentos externos”.

Sobre a Casale

Fundada em 1964, a Casale é uma referência em tecnologia para a pecuária bovina na América Latina, oferecendo misturadores de ração total, distribuidores de ração, colhedoras de forragem e distribuidores de esterco. A empresa lidera o mercado nacional e exporta para países como Argentina, Bolívia, Paraguai e África do Sul. A Casale é uma empresa familiar de gestão profissionalizada, exemplo em trabalho de sucessão familiar. Utiliza o sistema de gestão SAP B1 e é auditada por uma das empresas Big Four, com Conselho Consultivo ativo desde 2019. Ronis Paixão, diretor-presidente desde novembro de 2023, lidera a empresa, junto ao time executivo. Mais informações estão disponíveis em casale.com.br e nas redes sociais @casalebrasil.


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