Psicólogo destaca cuidados essenciais para reduzir ansiedade e facilitar a readaptação dos pequenos no início do ano letivo

Mudanças no sono, irritabilidade e resistência para voltar à escola são reações comuns nas primeiras semanas do ano letivo. Segundo o psicólogo Filipe Colombini, especialista em orientação parental, o período exige mais do que organizar mochila e uniforme: é preciso preparar emocionalmente a criança para a transição das férias para a rotina.
“O retorno às aulas representa uma quebra importante de ritmo. Quando acontece de forma brusca e repentina, pode gerar insegurança emocional, estresse e até sintomas físicos, como dores de cabeça ou de barriga”, explica.
Ajustar gradualmente os horários é uma das medidas mais eficazes, sendo que o sono é um dos pontos essenciais deste processo. “O ideal é antecipar o horário de dormir em cerca de 15 a 20 minutos por noite até alcançar o despertar da rotina escolar. O mesmo vale para refeições, banho e momentos de descanso. A previsibilidade reduz a ansiedade porque a criança passa a saber o que esperar do dia”, indica Colombini.
Criar pequenos rituais também pode ajudar no retorno às aulas, conforme o psicólogo. “Separar o material juntos, escolher a roupa na noite anterior e conversar sobre quem ela encontrará na escola tornam a volta mais concreta e ajuda a diminuir a ansiedade”, explica.
Outro ponto fundamental é acolher os sentimentos. “Nem toda resistência é birra, muitas vezes é ansiedade. Quando o adulto minimiza ou apressa a criança, ela se sente sozinha diante do medo”, afirma Colombini. Perguntas abertas como “o que você acha que vai ser mais difícil?” ou “tem algo que te preocupa?” facilitam a expressão emocional.
Segundo o especialista, alguns comportamentos merecem atenção dos pais. São eles, choro intenso por mais de duas semanas, queixas físicas frequentes antes de sair para a escola, regressões (voltar a fazer xixi na cama, por exemplo) e alterações persistentes no sono ou apetite. “Nesses casos, vale conversar com a escola e considerar avaliação profissional”, diz.
A parceria com professores também contribui para a adaptação. Avisar sobre mudanças recentes — nascimento de um irmão, divórcio dos pais ou estar de casa nova — permite que a equipe escolar ofereça acolhimento mais adequado.
Para o psicólogo, o principal é evitar pressa. “A adaptação é um processo, não um dia específico. Quando a criança se sente segura emocionalmente, o aprendizado acontece com mais naturalidade.”
Preparar a volta às aulas, portanto, vai além da lista de materiais: envolve sono, rotina previsível, escuta ativa e presença emocional dos cuidadores. “São fatores que tornam o início do ano mais leve e positiva para toda a família”, conclui Colombini.
Mais sobre Filipe Colombini: psicólogo, fundador e CEO da Equipe AT, empresa com foco em Acompanhamento Terapêutico (AT) e atendimento fora do consultório, que atua em São Paulo (SP) desde 2012. Especialista em orientação parental e atendimento de crianças, jovens e adultos. Especialista em Clínica Analítico-Comportamental. Mestre em Psicologia da Educação pela Pontifícia Universidade Católica (PUC-SP). Professor do Curso de Acompanhamento Terapêutico do Grupo Interdisciplinar de Estudos de Álcool e Drogas – Instituto de Psiquiatria Hospital das Clínicas (GREA-IPq-HCFMUSP). Professor e Coordenador acadêmico do Aprimoramento em AT da Equipe AT. Formação em Psicoterapia Baseada em Evidências, Acompanhamento Terapêutico, Terapia Infantil, Desenvolvimento Atípico e Abuso de Substâncias.
PRESS MANAGER

0 Comentários