Falta de preparo para o envelhecimento leva aposentados ao isolamento. Mas há caminhos possíveis para uma vida plena na terceira idade
Com mais de 25 milhões de brasileiros aposentados em 2025, cresceram também os desafios emocionais e funcionais enfrentados por quem deixa o mercado de trabalho. A aposentadoria, para muitos, não representa descanso, mas sim uma perda de rotina, função social e autoestima. A sensação de “estar perdido” após décadas de trabalho ativo é cada vez mais comum. Mas é possível ressignificar esse novo ciclo com saúde, propósito e autonomia.
Para a terapeuta ocupacional Syomara Cristina Szmidziuk, especialista em reabilitação neuromotora com mais de 30 anos de experiência clínica, a aposentadoria deveria ser encarada como um novo projeto de vida, e não como um encerramento.
“Muitos idosos entram na aposentadoria com sensação de vazio. Mas esse é justamente o momento de se reconectar com desejos que ficaram suspensos durante a vida produtiva. É possível planejar atividades que resgatem autoestima, independência e saúde emocional, mesmo se surgirem limitações físicas ou de saúde”, afirma Syomara.
Segundo o Instituto Nacional do Seguro Social (INSS), o Brasil ultrapassou a marca de 25,5 milhões de aposentadorias ativas em 2025, sendo que mais de 60% dos beneficiários têm 65 anos ou mais. O dado é acompanhado por outra realidade: muitos aposentados seguem trabalhando informalmente ou buscam novas rotinas para preencher o tempo, mas sem suporte adequado, podem enfrentar sintomas de depressão, isolamento e regressão funcional.
Para Syomara, um dos maiores erros é confundir descanso com inatividade. “O cérebro e o corpo continuam precisando de estímulos. Aposentar-se não é parar de viver, mas viver diferente. E isso exige estrutura como novas rotinas, propósito diário, atividades que promovam bem-estar físico, social e mental”, reforça.
A terapeuta ocupacional destaca que uma das estratégias mais eficazes nesse processo é o planejamento de uma rotina que una funcionalidade com prazer: desde o cuidado com as tarefas da casa, até passeios, aprendizado de novas habilidades ou participação em atividades coletivas.
“A reorganização do tempo deve incluir movimentos que estimulem a independência, como preparar a própria refeição, cuidar do jardim ou fazer caminhadas, junto com momentos que tragam pertencimento, como grupos de leitura, oficinas de arte ou trabalho voluntário. Isso preserva a identidade e dá sentido aos dias”, explica Syomara.
Condições de saúde física
A especialista alerta também que muitos idosos se aposentam com sequelas físicas acumuladas pelo ritmo de trabalho e condições de saúde crônicas, o que exige atenção redobrada à reabilitação e à prevenção.
“É comum que aposentados convivam com dor crônica, mobilidade reduzida ou doenças como Parkinson e AVC. A terapia ocupacional é essencial nesses casos para readaptar o dia a dia, recuperar movimentos e prevenir perdas funcionais. Isso influencia diretamente na autoestima e na segurança para continuar ativo”, afirma.
Por fim, Syomara destaca que a aposentadoria pode ser uma oportunidade de viver experiências antes adiadas. “Muitos chegam à terceira idade com sonhos engavetados. Viajar, estudar, criar. A autonomia é o que dá sustentação para transformar esse momento em um novo começo, e não em um fim”, conclui.
Sobre Syomara Cristina Szmidziuk: Terapeuta ocupacional há mais de 30 anos, tem experiência no tratamento em reabilitação dos membros superiores em pacientes com lesões neuromotoras. Faz atendimentos com terapia infantil e juvenil, adultos e terceira idade. Desenvolve trabalhos com os métodos Bobath, Baby Course, Reabilitação Neurocognitiva Perfetti, Reabilitação de Membro Superior - Terapia da Mão, Terapia de Contenção Induzida (TCI) e Imagética Motora entre outros.
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