Eles são finos, arroxeados, avermelhados e, muitas vezes, tratados como um detalhe puramente estético. Mas os microvasos, também chamados de telangiectasias, fazem parte da mesma doença venosa que dá origem às varizes e podem ser um sinal precoce de que a circulação não está funcionando como deveria.
Reduzir os microvasos a um problema de aparência é um erro frequente, e uma das principais causas de frustração nos tratamentos.
Microvasos não surgem sozinhos
Ao contrário do que muitos imaginam, os microvasos raramente são um fenômeno isolado. Mais de 80% deles são “nutridos” por microvarizes, pequenas veias doentes que alimentam esses vasos visíveis na pele.
Segundo a Dra. Dafne Leiderman, médica e cirurgiã vascular formada pela USP, com doutorado pelo Hospital Israelita Albert Einstein e diretora da SBACV regional São Paulo, esse é um ponto decisivo que costuma ser ignorado:
“Os microvasos fazem parte da mesma doença venosa. Quando tratamos apenas o que aparece na pele, sem identificar a veia que os nutre, estamos tratando o efeito, não a causa.”
Essa interpretação equivocada transforma uma doença vascular em um ‘problema estético simples’, o que compromete os resultados e aumenta as recidivas.
Quando tratar apenas o visível piora o resultado
É comum que pacientes procurem tratamentos rápidos, muitas vezes após avaliações superficiais, inclusive em ambientes não médicos, onde os microvasos são abordados apenas como algo a ser “apagado”.
O problema é que aplicações isoladas, como escleroterapia simples sem avaliação vascular adequada, podem piorar o aspecto estético da perna, além de gerar frustração.
“Quando não tratamos a microvariz que alimenta o vasinho, ele tende a voltar, ou outros surgem no lugar. Em alguns casos, o aspecto da perna pode até piorar após o procedimento”, alerta a especialista.
É por isso que a avaliação correta não é um detalhe: é parte essencial do tratamento.
Microvasos podem indicar problemas maiores
Outro dado pouco conhecido chama atenção: até 20% das pessoas que apresentam apenas microvasos visíveis podem ter comprometimento de veias mais profundas, como a veia safena.
A safena doente é uma causa frequente de sintomas como:
Dor nas pernas
Sensação de peso
Cansaço ao final do dia
Inchaço
Ignorar essa possibilidade significa deixar de tratar a origem de sintomas que impactam diretamente a qualidade de vida.
“Qualquer vasinho precisa ser encarado como parte de um sistema. Ele pode ser o primeiro sinal de algo maior”, explica a Dra. Dafne.
Genética e hormônios: o terreno da doença venosa
A maior incidência de microvasos em mulheres não é coincidência. Hormônios femininos influenciam o tônus das veias, facilitando sua dilatação, especialmente em pessoas com predisposição genética.
Gravidez, uso de anticoncepcionais, terapia hormonal e histórico familiar contribuem para a progressão da doença venosa, mesmo em mulheres ativas e com hábitos saudáveis.
A medicina vascular moderna entende que genética e hormônios preparam o terreno, enquanto fatores externos apenas aceleram o processo.
Laser: ferramenta moderna e segura quando bem indicada
O laser vascular representa um avanço importante no tratamento dos microvasos, justamente por permitir precisão e seletividade, atingindo o vaso sem danificar a pele ao redor.
No entanto, o sucesso do laser depende de um princípio básico: ele deve ser usado dentro de uma estratégia médica, e não como solução isolada.
“O laser é extremamente eficaz quando faz parte de um plano de tratamento bem indicado, após uma avaliação completa da circulação”, reforça a especialista.
Tratar como doença muda tudo
A grande virada no tratamento dos microvasos está na forma como eles são interpretados. Quando encarados como parte de uma doença vascular e não como um incômodo estético, os resultados se tornam mais duradouros, seguros e satisfatórios.
Avaliação adequada, identificação das veias nutridoras e escolha correta da técnica são o que diferenciam tratamentos pontuais de tratamentos eficazes.
“Microvasos precisam ser avaliados e tratados por um especialista. Informação correta evita erros, frustração e retrabalho”, conclui a Dra. Dafne Leiderman.
Hoje, tratar microvasos é unir estética, ciência e responsabilidade médica, um reflexo da evolução da cirurgia vascular.
Sobre a Dra. Dafne Leiderman
Médica e cirurgiã vascular formada pela USP, com doutorado pelo Hospital Israelita Albert Einstein. Diretora da SBACV regional São Paulo, é referência na capital paulista em tratamentos modernos de varizes sem internação, laser para microvasos e manejo clínico do lipedema sem cirurgia.

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