Inteligência artificial, integração de dados e analytics preditivo avançam como pilares da transformação digital no setor

A transformação digital na saúde entra em uma nova fase em 2026. Com hospitais pressionados por custos crescentes, profissionais sobrecarregados e pacientes mais exigentes, tecnologias como inteligência artificial, integração de dados e automação avançada deixam de ser tendência para se consolidar como infraestrutura essencial do cuidado.

Especialistas apontam que o principal avanço está menos na adoção de ferramentas e mais na forma como dados clínicos, algoritmos e fluxos digitais passam a estruturar toda a jornada do paciente.

  1. IA para diagnóstico e apoio clínico

Na avaliação da Biologix, healthtech especializada em medicina do sono com uso de machine learning, a inteligência artificial assume papel estratégico na ampliação do acesso a diagnósticos. “Em 2026, a inteligência artificial passa a integrar diretamente a decisão clínica, especialmente em áreas como a medicina do sono, em que a análise de grandes volumes de dados é essencial para identificar padrões e antecipar riscos”, afirma a co-fundadora Talita Salles.

A empresa desenvolveu a Bix, assistente virtual que orienta profissionais e pacientes sobre apneia do sono, além de um prontuário digital que integra a jornada clínica no ambiente B2B. “Ao conectar exames, histórico clínico e interações com o paciente, conseguimos acelerar diagnósticos e apoiar condutas mais precisas e personalizadas”, completa.

  1. Plataformas integradas e coordenação do cuidado

Outro avanço que se consolida em 2026 é a adoção de plataformas capazes de organizar, em um único ambiente, informações hoje dispersas entre sistemas, exames e especialidades. Para Isadora Kimura, CEO da Nilo, essa integração redefine a experiência assistencial. 

“A inteligência artificial passou a estruturar a jornada do paciente de ponta a ponta. O que vemos agora são fluxos mais contínuos, com dados em tempo real apoiando desde a triagem até o acompanhamento pós-consulta”, afirma. Segundo a executiva, a IA generativa amplia esse potencial ao transformar dados em suporte operacional e clínico. “Mais do que armazenar informação, a tecnologia passa a orientar decisões e priorizações dentro dos serviços de saúde”, diz.

  1. Analytics e prevenção como estratégia

No campo da saúde ocupacional, tecnologias de analytics preditivo e modelos explicáveis ganham espaço como ferramentas centrais de prevenção e gestão de riscos.

Para Ricardo Queiroz, CEO da Flora Insights, a combinação entre dados psicossociais e inteligência artificial reposiciona o papel do RH. “As novas tecnologias permitem identificar sinais precoces, reduzir afastamentos e orientar ajustes contínuos que elevam performance e previsibilidade. Quando esses dados alimentam o planejamento estratégico, decisões passam a ser guiadas por evidências, com menos custo e mais resultado”, afirma.