Prominauris é um termo pouco conhecido e que utilizado para definir a condição de pessoas que possuem orelhas proeminentes, as famosas "orelhas de abano"

A condição popularmente conhecida como “orelha de abano” recebe, na medicina, o nome de prominauris termo técnico utilizado para descrever o posicionamento excessivamente projetado do pavilhão auricular em relação à cabeça. Apesar de pouco conhecido pelo público em geral, trata-se de uma alteração relativamente comum e que pode impactar não apenas a aparência, mas também a autoestima e o bem-estar emocional de crianças e adultos.
O termo prominauris deriva do latim prominere (projetar-se) e auris (orelha) e passou a ser utilizado ainda no século XVI, quando o cirurgião italiano Gaspare Tagliacozzi realizou os primeiros registros de intervenções cirúrgicas para correção dessa condição. Desde então, a técnica evoluiu significativamente, acompanhando os avanços da cirurgia plástica moderna.
Evolução histórica da correção auricular
Embora o aprimoramento técnico tenha ocorrido de forma mais expressiva no século XX especialmente após a Primeira Guerra Mundial, há registros ainda mais antigos sobre reconstruções auriculares em textos atribuídos a Sushruta, considerado o precursor da cirurgia na medicina tradicional indiana. Ao longo dos séculos, nomes como Tagliacozzi, Dieffenbach e, mais tarde, Gillies contribuíram para o desenvolvimento de técnicas que moldaram os princípios atuais da otoplastia.
Hoje, a cirurgia de correção das orelhas proeminentes é um procedimento seguro, consolidado e amplamente realizado em todo o mundo.
Por que evitar o termo “orelha de abano”?
A advogada Dra. Beatriz Guedes, especialista em Direito Médico e Hospitalar, chama atenção para o impacto psicológico e social da nomenclatura popular.
“O termo ‘orelha de abano’ é pejorativo e pode gerar constrangimento, discriminação e até episódios de bullying, principalmente na infância e adolescência. O uso da terminologia correta prominauris ou orelhas proeminentes é uma forma de respeito e conscientização”, explica.
Segundo ela, a linguagem utilizada para descrever condições físicas não deve reforçar estigmas, especialmente quando há impacto direto na formação emocional do indivíduo.

O que caracteriza a prominauris?
Estima-se que entre 3% e 5% da população apresente algum grau de deformidade auricular perceptível do ponto de vista estético. A prominauris ocorre quando a orelha se projeta excessivamente a partir do osso mastoide, localizado atrás do pavilhão auricular.
O Dr. Hugo Sabath, cirurgião plástico da Clínica Libria, explica que a condição geralmente não altera o tamanho da orelha, mas sim sua angulação e dobras anatômicas.
“As orelhas proeminentes costumam ter tamanho normal, mas apresentam alterações na anti-hélice e maior projeção lateral. Essas características já podem ser observadas desde o nascimento e tornam-se mais evidentes com o crescimento”, esclarece.
Há ainda um forte componente genético envolvido: cerca de 59% dos casos apresentam histórico familiar, sendo a condição geralmente herdada como um traço autossômico dominante.
O único tratamento é cirúrgico?
Sim. A correção definitiva da prominauris é feita por meio da otoplastia, cirurgia plástica que reposiciona e remodela as orelhas.
“A otoplastia é realizada, na maioria dos casos, com sedação associada à anestesia local e tem duração média de uma hora. O procedimento deve ocorrer em ambiente hospitalar, com todos os critérios de segurança”, explica Dr. Hugo Sabath.
A técnica consiste em uma incisão discreta na parte posterior da orelha, acompanhando a dobra natural da pele. A partir desse acesso, o cirurgião remodela a cartilagem, podendo afiná-la, reposicioná-la ou, em casos específicos, remover pequenas porções para melhorar a proporção e o formato.
“Cada orelha precisa ser avaliada individualmente, pois a deformidade nem sempre é igual dos dois lados”, ressalta o médico.
Otoplastia em crianças: quando é indicada?
De acordo com o especialista, a cirurgia pode ser realizada a partir dos seis anos de idade, quando o crescimento da orelha já está praticamente completo.
“Nessa fase, a cirurgia não interfere no desenvolvimento e pode prevenir impactos emocionais importantes, especialmente em crianças que sofrem com comentários ou bullying”, afirma Dr. Sabath.
Apesar de ser classificada como cirurgia estética, a otoplastia possui um papel social relevante, pois contribui diretamente para a saúde emocional do paciente.
A Dra. Beatriz Guedes reforça que episódios de bullying relacionados à aparência podem deixar marcas profundas.
“A agressão psicológica na infância pode gerar traumas duradouros, refletindo em insegurança, baixa autoestima e dificuldades emocionais na vida adulta”, alerta.

Cicatriz e recuperação
A cicatriz da otoplastia é discreta e fica posicionada atrás da orelha, no sulco natural entre o pavilhão auricular e o crânio.
“O pós-operatório costuma ser tranquilo e pouco doloroso. A medicação prescrita é suficiente para controle da dor e do desconforto”, explica o cirurgião.
Após a cirurgia, é comum o uso de curativo inicial, retirado entre 24 e 48 horas no consultório. Em seguida, o paciente deve utilizar uma faixa compressiva específica por cerca de 30 dias, retirando-a apenas para higiene.
Principais cuidados após a cirurgia
Evitar exposição solar, frio intenso e traumas locais por cerca de 30 dias
Seguir rigorosamente as orientações médicas
Comparecer às consultas de acompanhamento
Manter higiene cuidadosa da região operada
Utilizar a faixa compressiva conforme orientação
As atividades rotineiras costumam ser retomadas poucos dias após o procedimento, respeitando as recomendações médicas.
Quando o resultado final aparece?
“Logo após a retirada do curativo, o paciente já consegue visualizar cerca de 70% do resultado. O resultado definitivo é percebido por volta de três meses após a cirurgia”, finaliza o Dr. Hugo Sabath, cirurgião plástico da Clínica Libria.
Conclusão
A correção da orelha de abano vai muito além da estética. Trata-se de um procedimento que impacta diretamente a autoestima, o bem-estar emocional e a qualidade de vida do paciente, especialmente quando realizado ainda na infância, período em que a cartilagem auricular já está formada e o impacto psicológico pode ser evitado.
De acordo com o Dr. Hugo Sabath, cirurgião plástico da Clínica Líbria, a otoplastia é uma cirurgia segura e com alto índice de satisfação, desde que indicada corretamente e realizada por um profissional qualificado. “A avaliação individual é fundamental para definir o melhor momento da cirurgia e a técnica mais adequada, sempre priorizando a harmonia facial e a segurança do paciente”, destaca o especialista.
Buscar informação, entender as indicações e escolher um cirurgião plástico habilitado são passos essenciais para garantir um resultado natural, seguro e duradouro. Quando bem planejada, a cirurgia de orelha de abano pode representar não apenas uma mudança estética, mas um ganho significativo na confiança e na saúde emocional do paciente.

Dr. Hugo Sabath
Cirurgião Plástico – CRM 131.199/SP

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