Iniciativa da Enactus UFPA, com apoio da Praticagem da Barra do Pará, promove inclusão energética, segurança e desenvolvimento sustentável em comunidade ribeirinha


Na Amazônia, cerca de 990 mil pessoas vivem sem acesso ao Sistema Nacional de Energia Elétrica, dependendo majoritariamente de geradores a diesel para suprir uma necessidade básica. Diante desse cenário de invisibilidade energética enfrentado por comunidades isoladas, surge o Projeto Biolume, iniciativa desenvolvida pela Enactus UFPA, que atua com soluções sustentáveis de geração de energia voltadas à promoção de dignidade, segurança e desenvolvimento social.


O Biolume desenvolve e implementa postes fotovoltaicos movidos a energia solar, uma tecnologia social de baixo custo, baixa emissão de carbono e adaptada à realidade amazônica. A proposta busca não apenas levar iluminação pública acessível, mas também mapear e dar visibilidade a comunidades sem acesso à eletricidade ou com fornecimento ineficiente, promovendo inclusão energética e preservação ambiental.


“O Projeto Biolume foi criado em março de 2024 com o objetivo de levar energia limpa e acessível às comunidades amazônicas. Inicialmente, estudamos a possibilidade de trabalhar com biodiesel, a partir do reaproveitamento do óleo de cozinha para abastecer geradores. No entanto, ao longo do processo, repensamos a estratégia e chegamos à solução dos postes fotovoltaicos, por serem uma tecnologia de baixo custo, acessível e que nos permite implementar a iniciativa de forma mais eficiente, alcançando nosso principal objetivo”, explica Evelyn Mesquita, presidente da Enactus UFPA.


Nesta etapa, a tecnologia chegou à Ilha de Itauaçú, no município de Marapanim (PA), por meio de uma parceria com a Praticagem da Barra do Pará, que foi essencial para assegurar a viabilidade logística e operacional, permitindo que o projeto fosse levado e instalado na comunidade. A empresa ofereceu apoio logístico, viabilizando o transporte dos voluntários, a aquisição dos postes fotovoltaicos e a instalação dos equipamentos no local. A ação contou com a participação direta de estudantes da Enactus UFPA, moradores da comunidade e profissionais da Praticagem da Barra do Pará, em um trabalho colaborativo que uniu inovação, tecnologia e engajamento comunitário.


Segundo Jorge Luiz Barbeito, superintendente da Praticagem da Barra do Pará, a empresa mantém um compromisso permanente com o desenvolvimento social e ambiental da região amazônica. “Oferecer apoio ao Projeto Biolume foi essencial para que a iniciativa se tornasse realidade, superando desafios relacionados ao deslocamento e à infraestrutura. Acreditamos que colocar nossa expertise operacional a serviço de ações como essa é uma maneira concreta de promover mais segurança, dignidade e qualidade de vida às comunidades ribeirinhas”, destaca.


Um dos maiores benefícios do Projeto Biolume é levar segurança e qualidade de vida a comunidades ribeirinhas que não têm acesso à energia elétrica, permitindo que os moradores possam circular com segurança mesmo à noite. Além de melhorar a infraestrutura local, o projeto promove valorização social e fortalece a segurança pública, oferecendo condições para que as pessoas vivam com mais dignidade e autonomia. Mais do que a instalação de equipamentos, o Projeto Biolume simboliza a construção de caminhos iluminados por desenvolvimento sustentável, acessibilidade e oportunidades, mostrando como parcerias entre universidade, iniciativa privada e população podem transformar realidades históricas na Amazônia.


O morador da Ilha de Itauaçú, Max Mota Cordovil, destaca que a chegada da iluminação no local melhorou a qualidade de vida de toda a comunidade. “Tem ajudado muito, principalmente para a locomoção à noite. Quando faço a minha pescaria ou volto de Vista Alegre, os postes tem ajudado demais no meu ir e vir e nos dá mais segurança”, afirma ele. 


“A importância de iniciativas sustentáveis como o Biolume está no fato de que, muitas vezes, o poder público não consegue chegar a todas as localidades ou atender plenamente demandas básicas, como a energia pública. Por isso, nos sentimos profundamente impactados e motivados a oferecer soluções práticas, sustentáveis e adaptadas à realidade amazônica. Queremos ampliar cada vez mais esse impacto positivo na vida das pessoas amazônidas. Esse é o propósito da Enactus”, conclui Evelyn. 


Sobre a Barra do Pará

A Barra do Pará atua na Zona de Praticagem 03 (ZP3), que abrange Belém e o Complexo Portuário de Vila do Conde e adjacências, conforme as normas da Marinha do Brasil, que regulamentam o serviço de Praticagem, em conformidade com a Lei de Segurança do Tráfego Aquaviário (LESTA). A atividade é fiscalizada pela autoridade marítima, por meio das normas e procedimentos da Capitania do Portos da Amazônia Oriental – NPCP 2022. 


Atividade essencial à navegação na Amazônia, a praticagem tem importância, também, para a própria segurança ambiental e prevenção de acidentes nas áreas de navegação. De forma isolada ou em cooperação com os órgãos públicos, as empresas têm atuação constante na realização de salvamentos, inclusive de pescadores envolvidos em acidentes e naufrágios, colaborando para a segurança da navegação e salvaguarda da vida humana nos rios. Além disso, a Barra do Pará realiza diversas outras ações na área da saúde, meio ambiente e geração de renda.


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Fonte:  AGÊNCIA EXOS Raphaela Aguiar