Estado está entre os
que registram as maiores taxas proporcionais de feminicídio do país; medo, dependência e falhas na rede de proteção dificultam denúncias
Mesmo com o
endurecimento das leis de proteção, a violência contra a mulher segue fazendo
vítimas em Rondônia. O estado está entre os que registram as maiores taxas
proporcionais de feminicídio do país, com cerca de 1,43 caso por 100 mil
habitantes, segundo dados de 2025 do Ministério da Justiça e Segurança Pública,
consolidados pelo Sistema Nacional de Informações de Segurança Pública
(Sinesp).
Os números mostram
que o problema vai além da legislação. O medo do agressor, a dependência
financeira e as falhas na rede de proteção ainda dificultam a denúncia,
especialmente em cidades do interior do estado.
A advogada e
professora Patrícia Machado, coordenadora do curso de Direito da Estácio FAP,
em Pimenta Bueno, explica que o feminicídio se diferencia do homicídio comum
por estar diretamente ligado à violência de gênero. “É a morte da mulher
motivada por violência doméstica, familiar ou por discriminação em razão do
sexo feminino”, afirma.
Segundo ela, a
ausência de delegacias especializadas, profissionais capacitados e serviços
contínuos de assistência social e psicológica contribui para a subnotificação
dos casos em Rondônia.
Violência silenciosa no sistema de
saúde
A violência
doméstica também aparece nos serviços de saúde, muitas vezes de forma indireta.
A professora e coordenadora do curso de Enfermagem Emanuela Sousa, da Estácio
Unijipa, em Ji-Paraná, e professora do IDOMED FAMEJIPA, explica que raramente
os casos chegam ao Sistema Único de Saúde (SUS) como denúncia formal.
“Muitas vezes, a
violência chega como dor, ansiedade e silêncio. Os machucados nem sempre
combinam com a história relatada pela paciente”, diz.
Segundo Emanuela, a
enfermagem está na linha de frente do atendimento e tem papel fundamental na
identificação dos sinais, no acolhimento e na notificação obrigatória, que não
é uma denúncia policial, mas um instrumento para acionar a rede de proteção.
A enfermeira
reforça que a Unidade Básica de Saúde é a principal porta de entrada para
acolher mulheres em situação de violência, além das UPAs e hospitais em casos
de urgência.
Em situações de
risco, as vítimas podem buscar ajuda pelos telefones 180 (Central de
Atendimento à Mulher), 136 (Disque Saúde), 192 (Samu) e 190 (Polícia Militar).
Os serviços funcionam 24 horas e as ligações são gratuitas.

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