
Por que janeiro é o mês mais crítico para a pele e como tratar manchas que surgem após o verão
Janeiro é considerado por dermatologistas um dos meses mais críticos para a saúde da pele. É nesse período que começam a aparecer, de forma mais evidente, os efeitos acumulados da exposição solar intensa durante as férias de verão. Manchas, melasma mais escuro, queimaduras, ressecamento, acne, envelhecimento precoce e até lesões que exigem atenção médica costumam surgir semanas depois do excesso de sol, quando a rotina volta ao normal e os danos se tornam mais visíveis.
Durante o verão, é comum que muitas pessoas relaxem nos cuidados com a pele. A reaplicação do protetor solar costuma ser feita de maneira inadequada, a exposição acontece nos horários mais críticos, entre 10h e 16h, e o uso incorreto de produtos, aliado ao excesso de sol, praia e piscina, contribui para um cenário de sobrecarga cutânea. O resultado aparece de forma silenciosa e progressiva, especialmente em janeiro.
Segundo o dermatologista Dr. José Roberto Fraga Filho, membro titular da Sociedade Brasileira de Dermatologia e diretor clínico do Instituto Fraga de Dermatologia, muitas manchas surgem ou se intensificam mesmo sem a presença de queimaduras aparentes.
“ A radiação ultravioleta estimula de forma silenciosa as células produtoras de melanina, levando ao escurecimento da pele, principalmente em pessoas que já apresentam predisposição ao melasma. Por isso, nem sempre o dano solar é percebido imediatamente”, explica.
Além da hiperpigmentação, o excesso de sol acelera o envelhecimento da pele. A radiação ultravioleta atua diretamente na destruição do colágeno, favorecendo o aparecimento de rugas, flacidez e perda de viço. Ao mesmo tempo, o calor intenso e o aumento da oleosidade podem desencadear ou agravar quadros de acne, especialmente quando a limpeza da pele é inadequada ou excessiva.
Para o especialista, ao surgirem manchas após o período de férias, o primeiro cuidado deve ser interromper qualquer prática que possa agravar o quadro. O reforço da fotoproteção é indispensável, com uso diário de protetor solar com fator mínimo de 30 e reaplicação a cada duas ou três horas, sempre respeitando o tipo de pele. A suspensão de produtos agressivos, como ácidos e clareadores fortes, também é fundamental, já que o uso inadequado dessas substâncias no verão pode provocar inflamações e piorar ainda mais as manchas.
“Tentar clarear manchas por conta própria, utilizando receitas caseiras ou produtos inadequados, é um erro muito comum e extremamente perigoso. Isso pode causar inflamação, escurecimento progressivo da pele e até hiperpigmentação permanente”, alerta Dr. Fraga.
Uma rotina adequada de cuidados no verão deve priorizar limpeza, hidratação e proteção. A higienização do rosto deve ser feita duas vezes ao dia com sabonetes específicos para cada tipo de pele, evitando lavagens excessivas, que podem causar efeito rebote e aumentar a oleosidade. Mesmo peles oleosas precisam de hidratação, desde que com produtos leves, como géis ou séruns. Durante o dia, o ideal é utilizar fórmulas mais leves e antioxidantes, como a vitamina C, enquanto à noite podem ser usados produtos um pouco mais hidratantes e regeneradores.
Após a exposição à praia ou à piscina, cuidados simples fazem toda a diferença. Banhos rápidos com água morna ajudam a remover completamente o cloro e a areia, enquanto o uso de sabonetes calmantes e a aplicação imediata de hidratantes faciais e corporais favorecem a recuperação da barreira cutânea, já que a pele absorve melhor os ativos logo após o banho.
A alimentação e a hidratação também desempenham papel essencial na saúde da pele durante o verão. Uma dieta mais leve, rica em frutas, verduras e legumes, aliada à ingestão adequada de água, contribui para manter a pele mais elástica, viçosa e menos inflamada, compensando as perdas causadas pela transpiração excessiva.
Procedimentos estéticos exigem atenção redobrada nessa época do ano. Tratamentos ablativos, como lasers e peelings, geralmente são evitados no verão devido ao maior risco de manchas. Já procedimentos como toxina botulínica e ácido hialurônico podem ser realizados com segurança em qualquer estação, desde que com acompanhamento médico.
A avaliação dermatológica torna-se indispensável quando há piora significativa do melasma, surgimento de novas manchas, feridas que não cicatrizam, agravamento da acne ou quando a pele apresenta sinais intensos de ressecamento, envelhecimento precoce, rugas e flacidez após o verão.
“Janeiro é o mês em que a pele cobra a conta do excesso de sol das férias. As manchas e os sinais de envelhecimento são reflexos diretos da exposição solar sem proteção adequada, reforçando a importância do cuidado contínuo durante todo o ano”, finaliza o dermatologista.
Dr. José Roberto Fraga Filho
Dermatologista, membro titular da Sociedade Brasileira de Dermatologia e diretor clínico do Instituto Fraga de Dermatologia.
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