Com a chegada do verão, a Sociedade Brasileira de Radioterapia (SBRT) reforça que pacientes oncológicos, especialmente aqueles submetidos à radioterapia, precisam de cuidados extras com a pele. A radiação, muitas vezes combinada aos efeitos da quimioterapia ou da imunoterapia, deixa o tecido cutâneo mais vulnerável, elevando o risco de irritações, ressecamento e complicações

O verão do Hemisfério Sul e suas altas temperaturas, período que se estende até 20 de março, demanda cuidado com a saúde, incluindo da pele. Para os pacientes diagnosticados com câncer e, especialmente, àqueles com indicação de radioterapia, a Sociedade Brasileira de Radioterapia (SBRT) traz algumas recomendações.

Algumas reações como vermelhidão, coceira, descamação ou bolhas costumam surgir a partir da terceira semana de radioterapia, persistindo por algumas semanas após o término das sessões. No verão, essa situação se intensifica. A exposição ao sol, o calor excessivo, o cloro das piscinas e a água do mar são agentes que podem agravar irritações, aumentar o ressecamento da pele e favorecer infecções na área irradiada.

Cerca de 60% dos pacientes oncológicos recebem radioterapia como parte do tratamento, seja de forma isolada ou em combinação com outros métodos, como cirurgia e quimioterapia. Denise Ferreira, diretora de comunicação da SBRT e radio-oncologista do Hospital Moinhos de Vento, em Porto Alegre, destaca a importância de garantir a segurança e o conforto do paciente durante esse período. “Durante a Radioterapia, a pele da área irradiada entra em um processo inflamatório. Isso ocorre porque a radiação age sobre as células tumorais, impedindo-as de se multiplicar. Esses tecidos não têm capacidade adequada de regenerar as regiões de tecido saudável junto aos tecidos tumorais. Com isso, a exposição ao sol representa um risco altíssimo, podendo causar até queimaduras graves. Por isso, a indicação é zero exposição solar direta na área tratada”, afirma Denise.

Ainda segundo a especialista, outros cuidados são indispensáveis nesta época do ano para evitar danos à pele. “É essencial que o paciente use roupas de algodão que cubram a área afetada, evite atritos e mantenha a pele hidratada com produtos recomendados pelo médico especialista”. Ainda de acordo com Denise Alves, o uso de filtro solar pode ser indicado, mas, devido à possibilidade de a loção causar irritação, é importante procurar o médico para auxiliar na escolha do produto mais adequado. “Produtos químicos fortes, como o cloro da piscina ou o sal do mar, devem ser evitados. Além disso, a água do mar ou da piscina pode estar contaminada, o que aumenta significativamente o risco de infecções”, completa a radio-oncologista.

Após a radioterapia

Os cuidados com a pele se estendem também após o término da radioterapia, já que as reações cutâneas podem persistir por algumas semanas. A especialista reforça que a proteção deve ser mantida por um período prolongado. “A orientação médica deve ser seguida até a completa recuperação da pele irradiada. O paciente deve manter os cuidados mesmo após o término do tratamento, pois a pele ainda leva um tempo para se regenerar”, completa Denise.

A parte do corpo que recebeu a radioterapia retém uma espécie de “memória” da irradiação, permanecendo mais sensível e suscetível a danos solares por um longo período. “É recomendado que cuidados rigorosos, como proteção solar de rotina e hidratação constante, sejam mantidos por, no mínimo, quatro a seis meses após o término da radioterapia”, conclui a especialista.

LISTA DOS PRINCIPAIS CUIDADOS

  • Não expor ao sol a área irradiada, pois a pele fica mais sensível e pode sofrer queimaduras graves.
  • Usar roupas leves, largas e de algodão, cobrindo a região tratada e evitando atrito.
  • Higienizar a pele diariamente com água morna, de forma delicada, usando apenas as mãos.
  • Evitar buchas, esponjas e panos, que podem irritar a pele.
  • Usar sabonetes suaves e de pH baixo, somente se necessário e com orientação médica.
  • Não esfregar nem remover as marcações feitas na pele para a radioterapia.
  • Não depilar ou raspar a área irradiada, para evitar irritações e lesões.
  • Manter a pele hidratada, utilizando apenas cremes ou loções indicados pelo médico.
  • Não aplicar hidratantes sobre feridas, bolhas ou áreas machucadas.
  • Evitar produtos com perfume, álcool ou químicos fortes, como alguns cosméticos e maquiagens.
  • Não usar antitranspirantes, talco ou produtos adesivos (fitas, curativos colantes) na área tratada.
  • Evitar piscina, mar e banheiras de hidromassagem, por causa do cloro, do sal e do risco de infecções.
  • Usar filtro solar somente se houver orientação médica, escolhendo produtos adequados para pele sensível.
  • Evitar calor excessivo, como bolsas térmicas ou exposição prolongada ao calor.
  • Evitar frio intenso, como compressas geladas diretamente sobre a área irradiada.
  • Cuidar corretamente de feridas, seguindo rigorosamente as orientações da equipe de saúde.
  • Observar a pele diariamente e avisar o médico caso surjam vermelhidão intensa, dor, bolhas ou sinais de infecção.

Fontes: Sociedade Brasileira de Radioterapia e American Academy Dermatology Association.

Sobre a Sociedade Brasileira de Radioterapia

A Sociedade Brasileira de Radioterapia (SBRT), fundada em 1998, é uma associação civil, associativa e científica, sem fins lucrativos, que representa os médicos radio-oncologistas registrados no Brasil. Mais informações em: https://sbradioterapia.com.br/

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