Premiados da ciência da nutrição

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Prebióticos (como os presentes naturalmente no alho) podem ajudar a proteger o intestino de quem passa por uma químio (Foto: Dercílio/SAÚDE é Vital)

O Ganepão, um dos maiores congressos de alimentação e cuidados nutricionais no país, chega à sua 40ª edição trazendo os principais avanços da área. Em sua premiação, um júri composto por mais de 20 nomes de referência elegeu os trabalhos vencedores em duas categorias: estudo experimental e clínico

Categoria experimental

Prebiótico para aliviar o intestino

Os quimioterápicos usados contra o câncer costumam infligir alguns efeitos adversos. Um deles é a mucosite, uma inflamação do tecido que reveste o intestino, quadro que causa dor e pode levar ao abandono do tratamento. Sem contar o risco de infecções e piora do estado nutricional.

No experimento vencedor, liderado pela nutricionista Flávia Peradeles, da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG), foi avaliada, em camundongos, a capacidade de prebióticos evitarem essa complicação. Prebióticos são fibras e compostos que interagem positivamente com as bactérias do intestino.

A equipe testou um tipo específico, os fruto-oligossacarídeos (FOS), e demonstrou que, mediado pelo efeito na microbiota, ele ajuda a prevenir e tratar a inflamação provocada pela químio. “No grupo de animais que receberam o suplemento antes da indução da mucosite, ocorreu até o aumento de ácidos graxos, que também têm ação anti-inflamatória”, conta Flávia.

Vale lembrar que os fruto-oligossacarídeos (FOS) são encontrados naturalmente em alimentos como cebola, aspargo, alho e chicória. Na pesquisa, foi utilizado um suplemento dessa substância na ração dos camundongos, antes e depois da quimioterapia.

Probiótico contra o tumor

Segunda colocada na categoria, a pesquisa da nutricionista Sandra Genaro, da Universidade do Oeste Paulista, em Presidente Prudente, mostrou que a presença de bactérias de ação probiótica (lactobacilos e bifidobactérias) na dieta diminuiu a agressividade de lesões malignas no intestino de camundongos.

Categoria clínica

Novo indicativo de desnutrição

Patrícia Zamberlan, nutricionista do Instituto da Criança do Hospital das Clínicas de São Paulo, foi buscar na bioimpedância elétrica (BIA) a chave para melhorar a avaliação da composição corporal de crianças e adolescentes gravemente doentes. Método não invasivo, confiável e barato, ele ainda é pouco utilizado nessa população – o que está por trás da falta de índices de referência para seu uso em UTIs pediátricas.

“A criação do escore é uma maneira não apenas de indicar a gravidade da condição mas de provar que a desnutrição está ligada a um risco maior de mortalidade”, explica Patrícia. Ao longo de um ano, foram levantados dados de 247 crianças e adolescentes internados por pelo menos 24 horas. A análise dos resultados revela que a BIA é uma ótima ferramenta para determinar o prognóstico e ajudar na elaboração de uma conduta nutricional precisa, o que aumenta as chances de vida dos pacientes mais jovens.

Como a bioimpedância elétrica pode aperfeiçoar a avaliação nutricionalO MÉTODO
eletrodos no paciente emitem uma leve corrente elétrica, que atravessa o corpo e mede índices como massa e água. Quando ela passa pelas células, ocorre um desvio que forma o chamado ângulo de fase.

ÍNDICE CRÍTICO
Quanto maior a perda da massa proteica da pessoa, menor é o ângulo de fase. Nas crianças, valores abaixo de 2,8 graus indicam risco maior de mortalidade, o que exige ainda mais atenção nutricional.

Óleo de peixe na químio

Juliana A. Pastores Silva, doutora em oncologia pelo A.C. Camargo Cancer Center (SP), atestou a eficácia das cápsulas de óleo de peixe durante tratamento quimioterápico de câncer de reto. Ricas em ômega-3, elas reduziram os sintomas e melhoraram a qualidade de vida dos pacientes.

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