Publicada em 16/05/2018 às 01:17

Veja a lista das 41 pessoas acusadas de integrar quadrilha que atuava no Detran

A organização era formada por 41 pessoas, entre elas, políticos, funcionários públicos e empresários que se utilizavam do contrato da empresa EIG Mercados LTDA junto ao Detran para conseguir o dinheiro de forma ilícita.

Foto: Rogério Florentino Pereira/Olhar Direto

 Veja a lista  das 41 pessoas acusadas de integrar quadrilha que atuava no Detran

As investigações do Grupo de Atuação Especial Contra o Crime Organizado (Gaeco) apontaram a participação de pelo menos 41 pessoas na organização criminosa responsável por instalar um esquema para lavagem de dinheiro e recebimento de propina no Departamento Estadual de Trânsito (Detran/MT). Entre os apontados estão o ex-governador Silval Barbosa, deputados e servidores públicos.


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Ao todo, conforme as investigações do Gaeco, mais de R$ 30 milhões foram pagos em propina aos alvos. A organização era formada por 41 pessoas, entre elas, políticos, funcionários públicos e empresários que se utilizavam do contrato da empresa EIG Mercados LTDA junto ao Detran para conseguir o dinheiro de forma ilícita.
 
Ainda segundo o Gaeco, estes foram os nomes que apareceram até o presente momento na investigação. Portanto, podem existir “outras pessoas ainda não identificadas”. Foram destacados no grupo de liderança: deputado estadual, Mauro Savi (DEM); deputado estadual e presidente da Assembleia Legislativa de Mato Grosso (ALMT), Eduardo Botelho (DEM); ex-governador Silval Barbosa; ex-deputado federal, Pedro Henry; ex-presidente do Detran, Teodoro Moreira Lopes (Dóia) e o ex-secretário da Casa Civil, Paulo Taques.
 
Conforme o MPE, a organização era composta por três núcleos autônomos: Liderança, Operações e Subalterno. Veja abaixo como funcionava cada um deles:
 
NÚCLEO DE LIDERANÇA
 
Sob a responsabilidade deste núcleo está a formulação e/ou a aprovação, bem como a garantia de implementação e desenvolvimento e manutenção de planos voltados à solicitação e ao recebimento de vantagens ilícitas no âmbito do Departamento de Trânsito de Mato Grosso, autarquia estadual vinculada à Secretaria de Estado de Segurança Pública do Estado de Mato Grosso. Para o desempenho destas funções, seus componentes se valiam do poder puramente político e/ou poder político-funcional decorrente diretamente dos mandatos eletivos e dos cargos políticos que ocupam, que lhes garantem a ingerência sobre a atuação do DETRAN/MT na prestação dos serviços públicos objeto da descentralização. Entre outros, faziam parte deste grupo Paulo Cesar Zamar Taques, quando estava à frente da Casa Civil, e o deputado Mauro Savi.
 
NÚCLEO DE OPERAÇÃO
 
Os integrantes deste núcleo são direta ou indiretamente responsáveis pela operacionalização dos esquemas de obtenção de vantagens ilícitas no âmbito do DETRAN/MT que são formulados e/ou aprovados, bem como tem garantia de implementação e desenvolvimento pela liderança. São eles quem materializam a vontade da liderança tomando as medidas necessárias para que os esquemas de corrupção sejam realizados, bem como atuam direta ou indiretamente a fim de esconder a atividade dos líderes a quem são vinculados, inclusive, para atos de lavagem de dinheiro, o que fazem seja em razão de sua vinculação a algum dos líderes, seja porque também obtêm lucro com as vantagens ilícitas obtidas pelo grupo. Entre outras pessoas faziam parte deste núcleo Pedro Jorge Zamar Taques, Roque Anildo Reinheimer, José Kobori, Claudemir Pereira dos Santos.
 
NÚCLEO SUBALTERNO
 
Os agentes constantes nesta célula exercem funções de menor complexidade, porém vitais ao funcionamento da organização criminosa, atividades meramente executivas de auxílio ao desenvolvimento dos esquemas de obtenção de vantagens ilícitas operados pela OCRIM. Eles são responsáveis por fazer fluir o dinheiro relacionado às vantagens ilícitas obtidas pela OCRIM, sendo os destinatários primários da propina que tem a incumbência movimentar o dinheiro, seja para que ele chegue aos destinatários finais, seja para esconder a sua origem ilícita. Além disso, os integrantes deste núcleo ocupantes de mandato de Deputado Estadual recebem parcela das vantagens ilícitas angariadas pelo organismo criminoso para deixarem de exercer sua função parlamentar de fiscalização dos contratos fraudulentos oriundos dos esquemas ilícitos operados pelo DETRAN-MT.
 
Operação Bônus
 
O ex-secretário da Casa Civil Paulo Taques e o deputado estadual Mauro Savi (DEM) foram presos em ação conjunta do Grupo de Atuação Especial contra o Crime Organizado (Gaeco) e do Núcleo de Ações de Competência Originária (Naco), na segunda fase da 'Operação Bereré', deflagrada na manhã desta quarta-feira (09). Além deles, outras quatro pessoas também tiveram mandados de prisão.
 
A segunda fase da 'Operação Bereré' foi batizada de 'Bônus'. Foram expedidos pelo Tribunal de Justiça de Mato Grosso seis mandados de prisão preventiva e cinco de busca e apreensão em Cuiabá, São Paulo (SP) e Brasília (DF). As ordens partiram do desembargador José Zuquim Nogueira.
 
A 'Operação Bônus' é resultado da análise dos documentos apreendidos na primeira fase da Bereré, dos depoimentos prestados no inquérito policial e colaborações premiadas. Tem como objetivo desmantelar organização criminosa instalada dentro do Detran para desvio de recursos públicos.
 
Bereré
 
A ‘Bereré’ é desdobramento da colaboração premiada do ex-presidente do Departamento Estadual de Trânsito de Mato Grosso (Detran-MT), Teodoro Lopes, o “Doia". Dentre as informações prestadas por Doia, consta suposto esquema de cobrança de propina com uma empresa que prestava serviços de gravame - um registro do Detran.
 
Na primeira fase, os mandados foram cumpridos na Assembleia Legislativa de Mato Grosso e na casa de Savi e Eduardo Botelho (DEM). O ex-deputado federal Pedro Henry também foi alvo na ocasião.
 
O governador Pedro Taques (PSDB) decretou a intervenção do Estado no contrato que o Departamento Estadual de Trânsito (Detran) havia firmado com a EIG Mercados para registro dos contratos de financiamento de veículos com cláusula de alienação fiduciária, de arrendamento mercantil, de compra e venda com reserva de domínio ou de penhor no Estado. A empresa foi alvo da ‘Operação Bereré’ e é apontada como pivô do esquema que teria desviado R$ 27,7 milhões.
 
Confira o nome das 41 pessoas apontadas pelo Gaeco como integrantes do grupo:

  1. MAURO LUIZ SAVI

  2. JOSÉ EDUARDO BOTELHO

  3. SILVAL DA CUNHA BARBOSA

  4. PEDRO HENRY NETO

  5. TEODORO MOREIRA LOPES

  6. ANTONIO DA CUNHA BARBOSA FILHO

  7. PAULO CESAR ZAMAR TAQUES

  8. PEDRO JORGE ZAMAR TAQUES

  9. JOSÉ KOBORI

  10. CLAUDEMIR PEREIRA DOS SANTOS

  11. ANTONIO EDUARDO DA COSTA E SILVA

  12. MARCELO DA COSTA E SILVA

  13. SILVIO CESAR CORREA DE ARAÚJO

  14. RAFAEL YAMADA TORRES

  15. ROQUE ANILDO REINHEIMER

  16. MERISON MARCOS AMARO

  17. DAUTON LUIZ SANTOS VASCONCELLOS

  18. HUGO PEREIRA DE LUCENA

  19. JOSÉ HENRIQUE FERREIRA GONÇALVES

  20. JOSE FERREIRA GONÇALVES NETO

  21. HUGO PEREIRA DE LUCENA

  22. JOÃO ANTONIO CUIABANO MALHEIROS

  23. CLEBER ANTONIO CINI

  24. JANAINA POLLA REINHEIMER

  25. ODENIL RODRIGUES DE ALMEIDA

  26. TSCHALES FRANCIEL TSCHA

  27. CLAUDINEI TEIXEIRA DINIZ

  28. MARCELO HENRIQUE CINI

  29. ROMULO CESAR BOTELHO

  30. VALDIR DAROIT

  31. JOSÉ DOMINGOS FRAGA FILHO

  32. WILSON PEREIRA DOS SANTOS

  33. JOSÉ JOAQUIM DE SOUZA FILHO

  34. ONDANIR BORTOLINI

  35. ROMOALDO ALOISIO BORACZYNSKI JUNIOR

  36. JORGE BATISTA DA GRAÇA

  37. ELIAS PEREIRA DOS SANTOS FILHO

  38. LUIZ OTAVIO BORGES

  39. WILSON PINHEIRO MEDRADO

  40. VALDEMIR LEITE DA SILVA

  41. JURANDIR DA SILVA VIEIRA

Autor: Olhar Direto
Fonte: Olhar Direto

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