Publicada em 18/05/2017 às 12:58

Senador do Acre que se reuniu com Temer após escândalo diz que ele está ‘tranquilo’

Antes de cancelar agenda desta quinta-feira (18), presidente recebeu senadores Gladson Cameli (PP-AC), Sérgio Petecão (PSD-AC) e Flaviano Melo (PMDB-AC), do Acre.

Michel Temer recebeu senadores do Acre nesta quinta-feira (18) antes de cancelar compromissos  (Foto: Iryá Rodrigues/G1)Um dia após o jornal "O Globo" informar que os donos do frigorífico JBS gravaram Temer dando aval para comprar silêncio de Cunha, o presidente disse que está “tranquilo” e que vai se posicionar perante a nação. A informação foi repassada pelo senador do Acre Gladson Cameli (PP-AC), que se reuniu com Temer nesta quinta-feira (18) antes de Temer cancelar todos os compromissos que constavam na agenda oficial para este dia.

Ao G1, o senador disse que a reunião tinha sido solicitada há 30 dias e que se tratava de um compromisso da bancada federal. Segundo ele, o objetivo era tratar sobre as emendas de bancada que se referem a melhoria de ramais e questão da segurança pública do estado. A reunião teve início por volta das 8h (horário de Brasília) e durou de 20 a 30 minutos, segundo Cameli.

“Ele nos recebeu muito bem, se comprometeu no empenho das nossas demandas para o estado e perguntou como estavam as obras do governo federal. A única coisa que o presidente comentou sobre a polêmica foi que estava muito tranquilo, que vai aguardar os áudios que dizem que tem e que vai se posicionar perante a nação pública”, disse o senador.

Ao chegar ao Palácio do Planalto, por volta das 8h05, o presidente tinha 18 encontros previstos na agenda. Os encontros estavam marcados para ocorrer a cada meia hora, sem intervalos nem para almoço.

Temer chegou a receber os senadores Gladson Cameli (PP-AC), Sérgio Petecão (PSD-AC) e Flaviano Melo (PMDB-AC). A reunião era o primeiro dos 18 compromissos e já estava prevista na quarta, antes de as primeiras informações envolvendo Temer terem sido divulgadas.

“Nosso compromisso com o presidente Temer já tinha sido solicitado há 30 dias. Fomos ao encontro do presidente para tratar do contingenciamento e empenho das nossas emendas de bancadas que se referem a melhoria dos ramais do nosso estado e a questão da segurança”, afirmou Cameli.

Logo após a reunião com os parlamentares do Acre, porém, os outros 17 compromissos que constavam na agenda foram cancelados.

Entre os compromissos, estavam encontros com deputados federais, estaduais, senadores, presidentes de partidos. No site do Planalto, a agenda foi substituída para “despachos internos”.

 

Entenda o caso

 

Pronunciamento

Depois de cancelar os encontros, o presidente se reuniu com os ministros Eliseu Padilha (Casa Civil), Moreira Franco (Secretaria-Geral da Presidência) e Antonio Imbassahy (Secretaria de Governo).

Na reunião com o núcleo político do governo, Temer discutiu sobre a possibilidade de fazer algum pronunciamento oficial, como informou a colunista do G1 Andréia Sadi.

O Salão Leste do Palácio, local onde normalmente são realizadas as entrevistas à imprensa, está preparado desde a noite de quarta.

A segurança do Planalto também foi reforçada. Na parte externa, grades foram colocadas cercando o prédio para evitar a ação de manifestantes.

Na parte interna, seguranças e integrantes do Batalhão da Guarda Presidencial, do Exército, também circulam pelo prédio a fim de limitar a circulação dos jornalistas.

O primeiro pronunciamento de Temer sobre o caso foi dado por meio de nota divulgada na noite desta quarta pela Secretaria Especial de Comunicação Social da Presidência.

No texto, a assessoria do Planalto afirmou que Temer "jamais solicitou pagamentos para obter o silêncio do ex-deputado Eduardo Cunha. Não participou nem autorizou qualquer movimento com o objetivo de evitar delação ou colaboração com a Justiça pelo ex-parlamentar".

 

Pressão de aliados

A reunião do presidente com o núcleo político do Planalto ocorre em meio à pressão de vários grupos aliados do governo.

De acordo com o colunista do G1 e da GloboNews Gerson Camarotti, articuladores políticos do governo foram avisados no fim da noite desta quarta que vários grupos de parlamentares que integram o núcleo duro da base aliada querem a renúncia de Temer.

Em uma reunião com conselheiros políticos, na noite desta quarta, o presidente já disse que não tem disposição em renunciar.

Segundo o colunista, o Planalto foi avisado que, se Temer não der sinalização rápida de solução para a crise política, através da renúncia, haverá forte movimento nesse sentido pelos próprios aliados, o que deixaria a situação do presidente insustentável.

Autor: Por Iryá Rodrigues
Fonte:  G1 AC, Rio Branco

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