Publicada em 16/03/2017 às 17:15

Remédios de até R$ 16 mil eram desviados de hospitais no Amazonas

Esquema foi revelado durante Operação 'Hígia' deflagrada em Manaus. Organização também desviava materiais hospitalares da rede pública.

A Polícia Civil do Amazonas informou que medicamentos que custam até R$ 16 mil eram desviados de unidades hospitais de Manaus e Iranduba pela organização criminosa presa nesta quinta-feira (16). Três homens foram detidos suspeitos de envolvimento no esquema. Entre eles, um servidor público do Ponto-Atendimento Médico da Codajás (PAM), apontado como líder da organização. À polícia, o homem, de 25 anos, negou o crime. Um suspeito segue foragido.

O servidor público atuava no PAM há 14 anos. Os outros envolvidos eram funcionários do Instituto da Mulher Dona Lindu e SPA da Zona Sul de Manaus. Eles não foram apresentados à imprensa durante coletiva realizada nesta quinta.

As investigações sobre o esquema tiveram início há cerca de três meses depois que o Ministério Público do Estado do Amazonas (MPE-AM) recebeu denúncia sobre o desvio nas unidades hospitalares, em dezembro de 2016.

A denúncia aponta a participação de funcionários públicos nos desvios de placas de raio-x, seringas, agulhas, soros, lençóis, medicamentos, luvas e mascas cirurgias de unidades hospitalais da rede pública de saúde de Manaus e Iranduba.

De acordo com as investigações, o homem apontado como líder fazia desvios no PAM da Codajás, no Hospital João Lúcio e ainda articulava os crimes em outras unidades.

 

Materiais hospitalares apreendidos com os suspeitos (Foto: Adneison Severiano/G1 AM)
Materiais hospitalares apreendidos com os suspeitos (Foto: Adneison Severiano/G1 AM)



Denis Pinho, diretor-adjunto do Departamento de Repressão ao Crime Organizado (DRCO), disse que o alto padrão de vida do suspeito chamou atenção da polícia durante as investigações. O delegado disse que o funcionário público recebia um salário de R$ 1.600 por mês, mas tinha carros de luxo, situação incompatível com a remuneração que ele recebia.

Os medicamentos e insumos furtados das unidades estaduais de saúde eram vendidos para clínicas particulares. "Um instituto de radiologia no Centro de Manaus é um das receptores do materiais e medicamentos desviados. Um laboratório de análises clínicas e um consultório odontológico também estariam comprando os medicamentos e materiais furtados da rede pública de saúde", disse Denis Pinho.

 

Esquema criminoso ocorredia em unidades de saúde na capital e interior (Foto: Adneison Severiano/G1 AM)
Esquema criminoso ocorredia em unidades de saúde na capital e interior (Foto: Adneison Severiano/G1 AM)
 

A polícia disse que o esquema existe há anos. No entanto, ainda não foi possível estimar o período nem o volume de prejuízos causados pelo grupo.

A promotora do MPE-AM disse que o esquema afetou o atendimento público nas unidades com a falta de medicamentos. "O que chamou atenção da Promotoria de Saúde foi exatamente a falta de medicamentos para população. Havia a compra pelo governo do estado, havia a entrega dos materiais nos hospitais, mas a população não recebia. Foi daí, juntando com denúncia, que se chegou a todo esse esquema. Os materiais eram comprados, chegavam aos hospitais, eram desviados e revendidos para clínicas particulares. O que se sabe é que o padrão de vida de um dos suspeitos era incompatível com ganho salarial dele", afirmou a procuradora de Justiça do MPE-AM, Karla Fregapani.

Os homens foram presos e indiciados por peculato, furto e organização criminosa. A polícia informou que as investigações irão continuar para identificar mais envolvidos no crime.

 

Esquema foi revelado durante Operação 'Hígia' deflagrada em Manaus (Foto: Adneison Severiano/G1 AM)
Esquema foi revelado durante Operação 'Hígia' deflagrada em Manaus (Foto: Adneison Severiano/G1 AM)
 

Operação "Hígia"


O esquema criminoso foi descoberto durante a Operação "Hígia", deflagrada, na manhã desta quinta-feira (16). Ao todo, foram cumpridos 9 mandados de busca e apreensão, três mandados de prisão preventiva e de condução coercitiva - quando a pessoa é obrigada a ir depor. 

Um médico, um dentista, além de três empresários e um farmacêuticos, foram levados para a Delegacia Geral da Polícia Civil, onde foram ouvidos. Eles poderão ser indiciados por receptação se comprovado envolvimento deles no esquema.

"Até então estão todos colaborando, inclusive indicando nomes de outros envolvidos que fazem parte da estrutura criminosa. O Antônio foi apontado pelos outros como chefe e o que lucrava mais. Ele negou os crimes e disse que não conhece ninguém e outros confessaram", afirmou Denis Pinho.

Autor: Do G1 AM
Fonte: Do G1 AM

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