Publicada em 09/01/2017 às 12:13

Há 16 anos, Forró do Senadinho é ‘terapia’ para idosos em Rio Branco

Ao som de forró, idosos se entregam à dança na Esquina da Alegria. Tradição no Centro da capital do Acre, virou ponto de encontro da 3º idade.

Ao som de forró e chorinho, mais de 100 idosos não deixam de ir ao Senadinho todas as quartas e sextas  (Foto: Iryá Rodrigues/G1)Ao som de forró e chorinho, mais de 100 idosos não deixam de ir ao Senadinho todas as quartas e sextas (Foto: Iryá Rodrigues/G1).

Quem passa pelo Centro da capital acreana nas manhãs de quartas e sextas-feiras se encanta ao ver centena de idosos dançando ao som do forró pé de serra e dos melhores clássicos do chorinho. Tradição há 16 anos em Rio Branco, o Forró do Senadinho, na Esquina da Alegria, virou ponto de encontro da 3ª idade que se entrega à dança como terapia, na tentativa de ir além dos limites impostos pelo avanço da idade.

“Dançar é uma terapia. Faz bem para o corpo, mente e coração”, garante a aposentada Maria Dias Vasconcelos, de 76 anos, que há 15 é uma das participantes assíduas do Forró do Senadinho. A idosa contou que é viúva há sete anos e que a dança a ajuda em todos os sentidos.

Com um vestido vermelho de renda, sandália de salto e maquiada, Maria disse que faz questão de estar sempre bem arrumada para encontrar os amigos e forrozear.

“Quando chego ao Senadinho danço até a hora de ir embora. Estando com saúde, venho todas as quartas e sextas. Nesse lugar a gente fica muito alegre, não tem esse negócio de estar com raiva”, afirmou.

Aos 76 anos, José Bezerra Maciel contou que não perde o forró há cinco anos, desde que um médico indicou a dança como uma forma de fisioterapia, para melhorar as dores que ele sentia nas pernas. Bem humorado e entre risos, o idoso afirmou que não tem uma parceira de dança fixa, e que a ideia é trocar de dançarina a cada música.

“Sempre gostei de dançar, mas fazia uns 20 anos que eu não dançava, daí tive uma infecção muscular e o médico pediu que eu fizesse dança para desenvolver os nervos. Depois que comecei a dançar, me sinto feliz e não sinto mais nada de dor. Quando passo duas semanas sem dançar, a perna já começa a doer. Então, agora, enquanto eu tiver vida, estou dançando”, disse Maciel.

Desde que se divorciou pela segunda vez há cinco anos, o aposentado Aldemar Félix de Araújo, de 81 anos, afirmou que não perde um dia de forró na Esquina da Alegria. Ele contou que também conheceu o local após indicação médica. Para ele, o que mais chama a atenção são as mulheres bonitas. Em apenas um dia, ele disse que chega a dançar com ao menos dez mulheres.

“Gosto de fazer amizade e dançar com todas as mulheres, não tenho uma parceira fixa. Durante a dança, a gente faz aquele conhecimento e depois me identifico, pergunto o nome dela e às vezes acontece de trocar os números de telefone para conversar depois. Sou hipertenso e o médico disse que eu tinha que dançar e conversar e que isso era bom para o corpo e para a mente”, contou Araújo.

 

Aos 76 anos, Maria é uma das participantes assíduas do Forró do Senadinho há 15 anos  (Foto: Iryá Rodrigues/G1)
Aos 76 anos, Maria é uma das participantes assíduas do Forró do Senadinho há 15 anos (Foto: Iryá Rodrigues/G1)
 

Um dos coordenadores do Senadinho, José Bernardo Filho, conhecido como Panelada, afirmou que mais de 300 idosos são cadastrados no Senadinho e têm uma carteirinha. “Senadinho para mim é tudo, eu não saberia viver se não tivesse o Senadinho. Aqui tudo me faz bem. O espaço tem também função social, os idosos cadastrados têm direito a descontos em uns estabelecimentos que são parceiros e também ajudamos de alguma forma quando eles precisam”, disse.

Com um mandato de mais seis anos, o Senadinho tem até uma rainha escolhida pelos próprios participantes. Aos 67 anos, Terezinha Maria da Silva se orgulha de dizer que representa o local. “O título é muito importante para mim e eu fico satisfeita de ser aceita há tanto tempo como rainha deles”, falou.

 

Especialista diz que dançar é uma atividade importante na prevenção de demências  (Foto: Iryá Rodrigues/G1)
Especialista diz que dançar é uma atividade importante na prevenção de demências (Foto: Iryá Rodrigues/G1)
 

Dançar é importante para prevenção de demências, diz gerontóloga


Para a gerontóloga Mariazinha Leitão ir para o Senadinho dançar, ouvir música, se encontrar e interagir com os amigos acaba sendo, além de terapia, uma prevenção contra demências e doenças para os idosos. Segundo ela, estudos apontam que em 2030, cerca de 80% da população envelhecida vai ter alguma demência.

"Temos que trabalhar a prevenção das demências e doenças. É uma coisa maravilhosa que os idosos participem do Senadinho. Acaba sendo uma prevenção contra as demências, porque lá estão alegres, participando, interagindo com os outros e amando também. Isso tudo é muito bom", disse Mariazinha.

A especialista alerta que, além da dança, é importante que os idosos tenha uma alimentação saudável e, principalmente, que haja integração com a família. Ela falou ainda que é preciso se preocupar com aqueles idosos que estão em casa, deprimidos e acamados.

"Essa dança é uma terapia e não deixa de ser um ponto de encontro, renovação e alegria. Entretanto, não atinge a todos os idosos, abrange apenas aos que estão totalmente independentes. É importante se preocupar com os que estão deprimidos em casa e que haja a integração da família com essas pessoas", explicou a gerontóloga.

Autor: Do G1 AC
Fonte: Do G1 AC

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