Publicada em 19/06/2017 às 10:14

Grupos sanguíneos: quais são? Como são a compatibilidade e a incompatibilidade entre sangues de tipos diferentes?

Até fins do século XIX ainda não se sabia porque alguns doentes morriam após uma transfusão de sangue, enquanto outros não.

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O que são grupos sanguíneos?

Até fins do século XIX ainda não se sabia porque alguns doentes morriam após uma transfusão de sangue, enquanto outros não. No início do século XX (1900 - 1901) o cientista austríaco Karl Landsteiner demonstrou que nem todos os sangues são bioquimicamente iguais, há diferenças entre o sangue de diversos indivíduos. Ele verificou que certos tipos de sangue provocavam uma aglutinação ou hemólise (dissolução) das hemácias dos sangues que recebiam a transfusão, enquanto outros tipos não o faziam. Continuando suas pesquisas, verificou que algumas hemácias possuem certos tipos de antígenos aderidos a suas superfícies, os quais atraem anticorpos específicos que as destrói. (Antígenos são substâncias que o organismo entende como ”invasoras” e anticorpos são proteínas encontradas no plasma sanguíneo que têm a função de neutralizar ou destruir essas substâncias). A isso se deviam as mortes ou não, observadas após algumas transfusões. Ele descobriu dois tipos de antígenos carregados pelas hemácias, gerando tipos distintos de sangue, a que ele denominou A e B. Ao sangue cujas hemácias não carregavam nenhum antígeno Landsteiner denominou “zero”, cuja grafia acabou sendo conhecida como sangue tipo O. Cada tipo sanguíneo carrega anticorpos contra antígenos que o indivíduo NÃO possui e, assim, não lhe causa problemas. É comum usar-se os termos aglutininas para se referir aos anticorpos e aglutinógenos para se referir os antígenos. Em 1930, Landsteiner ganhou o Prêmio Nobel de Medicina por essa descoberta.

Assim, reconheceu os seguintes tipos sanguíneos:

  • Sangue tipo A, cujas hemácias possuem o antígeno A e não podem, por isso, possuir o anticorpo A, embora possuam o anticorpo anti-B.
  • Sangue tipo B, cujas hemácias possuem o antígeno B e não podem, por isso, possuir o anticorpo B, embora possuam o anticorpo anti-A.
  • Sangue tipo AB, cujas hemácias possuem os antígenos A e B e não podem, por isso, possuir anticorposanti-A nem anti-B.
  • Sangue tipo O, cujas hemácias não possuem antígenos e podem, pois possuir anticorpos anti-A ou anti-B.

Os tipos sanguíneos do sistema ABO de classificação são transmitidos geneticamente e determinados por dois alelos, um deles recebido do pai e o outro da mãe, podendo cada um ser dominante e outro recessivo. Isso determina o tipo de sangue herdado pelo filho, segundo esse método classificatório.

Outro fator antigênico importante, independente e diferente do sistema ABO, que também tipifica o sangue, foi isolado no macaco Rhesus, denominado fator Rh e marcado com os sinais positivo (+) ou negativo (-), conforme esteja ou não presente nos humanos. Assim, uma pessoa que tenha o antígeno Rh, NÃO POSSUI anticorpos anti-Rh; e uma pessoa Rh negativa POSSUI anticorpos anti-Rh. Sendo assim, pessoas Rh + podem receber transfusões de outras Rh + ou Rh -. Já os portadores de Rh - só podem receber transfusão do seu tipo, caso contrário haverá risco de aglutinação sanguínea e hemólise, pois haverá sensibilização e formação de anticorpos anti-Rh.

Os sistemas ABO e Rh são os dois principais sistemas relacionados aos temidos problemas com as transfusões. A associação desses dois sistemas criou os tipos sanguíneos A+, A-, B+, B-, AB+, AB-, O+ e O-, em que as notações positivo (+) ou negativo (-) indicam a presença ou não do antígeno Rh, os quais são os principais tipos tomados em consideração quando se trata de transfusão de sangue.

Na população mundial a grande maioria das pessoas pertence aos grupos A+ e O+ e uma menor percentagem é dividida nos outros tipos. Em geral, se os indivíduos Rh- não possuem aglutininas anti-Rh, mas se receberem sangue Rh positivo, passam a produzi-las e elas então danificarão as hemácias. Como a produção dessas aglutininas ocorre de forma relativamente lenta, na primeira transfusão de sangue de um doador Rh+ para um receptor Rh-, geralmente não haverá grandes problemas, mas, numa segunda transfusão poderá haver considerável aglutinação das hemácias doadas. O mesmo acontece na gestação, se o filho for Rh+ e a mãe Rh-. A Doença Hemolítica do Recém-nascido é uma complicação gerada por essa incompatibilidade sanguínea geralmente (mas nem sempre) causada por pelo fator Rh+ do pai e da criança e o Rh- da mãe. Os antígenos do filho podem atingir a mãe, através da placenta e ela passa então a fabricar anticorpos anti-Rh que atingirão a criança. Como esse processo é lento, é possível não haver problemas no primeiro nascimento, mas já a partir do segundo podem ser necessárias algumas intervenções médicas para evitar problemas graves.

A determinação do grupo sanguíneo de uma pessoa não só tem várias aplicações na medicina, como ajuda a antropologia no estudo das diversas raças e suas inter-relações evolutivas e a medicina legal a determinar, por exemplo, o tipo sanguíneo de um criminoso a partir de material colhido na cena do crime. Além disso, dá uma ajuda relativa na determinação de paternidade, porque a análise dos tipos sanguíneos do pai e do filho permite afirmar que tal indivíduo NÃO É o pai de tal filho embora não permita, no sentido contrário, afirmar que tal indivíduo É o pai de tal filho.

Como se transmitem os grupos sanguíneos?

Os grupos sanguíneos são transmitidos geneticamente, por genes dominantes e recessivos, segundo métodos complicados, só dominados pelos especialistas no assunto. Eis algumas das múltiplas possiblidades, a título de exemplos: se mãe e pai são do tipo A, com dois genes dominantes para o tipo A, o descendente obrigatoriamente será também do tipo A. Se um dos genitores for do tipo A, também com dois genes dominantes para o tipo A, e o outro for do tipo O, ainda assim o descendente será do tipo A. O mesmo acontece com o tipo B, se tiver dois genes dominantes para o tipo B. Finalmente, se o descendente for filho de pais (mãe e pai) do tipo O, terá necessariamente o tipo O.

Compatibilidade e incompatibilidade dos grupos sanguíneos

Para realizar-se uma transfusão de sangue é necessário que se conheça o tipo sanguíneo ABO e Rh do receptor e do doador, uma vez que em casos de incompatibilidade pode haver aglutinação ou hemólise do sangue, podendo levar à morte. Mas como há outros fatores que influenciam nas transfusões, um teste de compatibilidade sanguínea é sempre recomendável antes de qualquer transfusão. Por exemplo, associando a classificação ABO com o fator Rh, temos os oito tipos de sangue citados: A+, A-, B+, B-, AB+, AB-, O+ e O-. Os tipos Rh+ não devem doar para tipos Rh-. Destes, apenas o tipo O- é um doador universal, isto é, pode doar para pessoas de qualquer outro tipo sanguíneo e só os tipos AB+ podem receber sangue de quaisquer outros tipos sanguíneos. Devido à combinação dos diversos tipos de antígenos e anticorpos tem-se o seguinte quadro, segundo a Fundação Pró-Sangue de São Paulo:

 

Tipo sanguíneo: Pode receber sangue de indivíduos: Pode doar sangue para indivíduos:
A+ A+, A-, O+ e O- A+ e AB+
A- A- e O- A+, A-, AB+ e AB-
B+ B+, B-, O+ e O- B+ e AB+
B- B- e O- B+, B-, AB+ e AB-
AB+ A+, A-, B+, B-, AB+, AB-, O+ e O- AB+
AB- A-, B-, AB- e O- AB+ e AB-
O+ O+ e O- A+, B+, AB+ e O+
O- O- A+, A-, B+, B-, AB+, AB-, O+ e O-

 

Se a transfusão for incompatível, o sangue do doador será aglutinado pelo do receptor e poderá causar obstruções de vasos sanguíneos. Por outro lado, os glóbulos brancos do receptor destroem as hemácias do doador que seriam reconhecidas pelas células de defesa como “invasoras”. Preferentemente, a transfusão deve ser feita com os sangues do doador e do receptor tendo a mesma tipagem ABO e Rh, só se usando grupos compatíveis diferentes se isso não for possível. 

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Autor: abc.med.br
Fonte: abc.med.br

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