Publicada em 13/03/2018 às 18:18

Funerária troca corpo de bebê e família descobre erro ao chegar em necrotério no Acre

Agricultora Marcionília percebeu o erro quando foi ao necrotério da Maternidade Bárbara Heliodora. Funerária Morada da Paz disse que houve uma falha humana.

Criança passou uma semana internada na UTI da maternidade e morreu na segunda (12) (Foto: Marcionília da Costa/ Arquivo pessoal)

Criança passou uma semana internada na UTI da maternidade e morreu na segunda (12) (Foto: Marcionília da Costa/ Arquivo pessoal)

A agricultora Marcionília da Costa ainda tentava assimilar a perda da filha de 9 dias quando percebeu que o corpo da bebê havia sido retirado do necrotério da Maternidade Bárbara Heliodora, em Rio Branco, sem autorização. O corpo foi levado por engano pela Funerária Morada da Paz e levado a outra família.

"Quando fui atrás do corpo da menina não estava mais na pedra, tinham liberado para outra família. Tinha outra criança lá. Disse que não queria aquele bebê, queria a minha. Acho que o erro foi na maternidade que entregaram o corpo errado, mas dizeram que não foi", contou a mãe.

A direção da maternidade afirma que o erro foi da funerária que não checou a identificação no corpo da bebê. Já a funerária disse que ao serem avisados do erro, ainda no caminho, voltaram para devolver a criança e buscar o cadáver do bebê correto. A informação é contestada pela família.

A filha de Marcionília, Nayana Lyz, nasceu aos nove meses de uma cesária. O parto ocorreu entre a noite de sábado (3) e madrugada de domingo (4) e a recém-nascida foi levada direto para a UTI. Na segunda (5), a família foi informada de que a criança nasceu sem cérebro. A bebê passou uma semana internada e morreu na manhã desta segunda (12).

'Falha humana', diz funerária

O gerente administrativo da funerária Morada da Paz, Antônio Sobral Dourado, negou que o corpo tenha sido entregue a outra família, como acreditam os familiares da bebê. O G1 não conseguiu localizar a outra família.

Dourado explica que a assistência social da maternidade solicitou a doação de um serviço para o hospital. A família que receberia o serviço foi até a funerária preencher a documentação e um funcionário foi enviado para buscar o bebê dessa família. Ao chegar, o funcionário viu só um corpo na pedra e deduziu que fosse o da família.

“Quando chegou no hospital só havia uma criança. Enquanto estava com a criança dentro do carro de transporte, recebemos uma ligação do pai perguntando onde estava o motorista. Ligamos para o motorista e ele informou que já estava com a criança. Daí então, percebemos que havia uma falha humana. O motorista retornou com a criança, pegou a correta e seguiu com o processo”, alegou.

Só que o corpo da criança não foi devolvido de imediato, segundo a funerária Santa Luzia, do município de Senador Guiomard, contratada pela família da bebê para procedimentos de velório e enterro. O proprietário Gilson Pessoa afirma que quando chegaram ao necrotério o corpo ainda não havia chegado. O funcionário esperou pelo menos duas horas até a outra funerária chegar.

Troca

A tia da criança, Ocelina Alves, disse que a família ficou surpresa ao chegar no necrotério e ser informada que o corpo tinha sido liberado para outra família.

"A assistente social falou que o corpo não tinha sido liberado. Mas, a funcionária da maternidade disse que sim, que já era até para gente estar velando ela. Eu disse ‘foi para onde que a mãe da criança está lá fora esperando e a funerária que contratamos nem chegou?’ A mulher mostrou um papel para a assistente social e falou que a criança tinha sido trocada. Pediram para esperar e iriam trocar as crianças”, relata.

Ainda segundo a tia, a família só veio ter acesso ao corpo da criança por volta do meio-dia de segunda. Os familiares reclamaram da demora para entregar o corpo, pois tiveram pouco tempo para velar a criança, que foi enterrada às 17h de segunda.

"O cara da funerária colocou a criança de volta na pedra – ela estava até vestida – e pegou a outra criança. Não sei se foi velada pela outra família”, questiona.

'Eventualidade', diz maternidade

A diretora da maternidade, Serlene Gonçalves, disse que houve uma 'eventualidade' nesse caso. Ela explicou que a maternidade prepara a declaração de óbito (DO), avisa a família e leva o corpo das crianças para o necrotério identificado com o corpo da mãe. No necrotério, as funerárias entram e pegam os corpos conforme a identificação na DO.

"Quando a gente coloca o bebê lá, a funerária já tem acesso ao necrotério e é obrigação da funerária pegar. Segundo a funerária, era um funcionário novo que foi pegar o corpo. Foi uma eventualidade ontem", argumentou.

Autor: G1 AC, Rio Branco
Fonte: G1 AC, Rio Branco

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