Publicada em 13/08/2017 às 02:22

Comemore: ano que vem você pode ser pai - Por Dr. Edson Borges Jr.

Avanço das técnicas de reprodução assistida permite que quase todos os problemas que causam infertilidade masculina possam ser resolvidos

Avanço das técnicas de reprodução assistida permite que quase todos os problemas que causam infertilidade masculina possam ser resolvidos

Resultado de imagem para ser paiCom a proximidade do Dia dos Pais e todo mês especial deles, aumenta a ansiedade daqueles que estão tentando ter um filho, mas ainda não conseguiram atingir seu objetivo. Se isso está acontecendo há mais de 12 meses de tentativas, o ideal é procurar uma clínica especializada em Reprodução Assistida. A boa notícia é que cerca de 90% dos casos de infertilidade têm solução.

Segundo o Dr. Edson Borges Jr., diretor científico da Fertility Medical Group, existe um certo preconceito em se achar, inicialmente, que o problema é da mulher. “Isso não é verdade. Cerca de 15% dos casais em idade reprodutiva apresentam algum distúrbio que resulta em infertilidade. Destes, 40% decorrem de causa feminina, 40% de causa masculina e 20% de ambos”, explica o médico.

Embora os percentuais sejam os mesmos, se fala e se conhece muito mais as causas da infertilidade feminina, bem como os tratamentos existentes.  Isso acontece também porque, na maioria dos casos, a infertilidade masculina não apresenta sintomas. Assim, é importante que ambos façam os exames necessários para se detectar quem é o portador do problema.

No caso do homem, se deve fazer inicialmente o exame físico dos órgãos reprodutivos e o espermograma, para que sua capacidade reprodutiva possa ser corretamente avaliada pelo médico. Geralmente, são diversos fatores associados que geram a redução do seu potencial fértil. Mas acontece também de haver apenas uma causa.

Conheça as principais causas da infertilidade masculina, todas passíveis de solução:

Idade

Embora os homens produzam espermatozoides a vida toda, a idade interfere na sua capacidade reprodutiva. Quanto mais velhos, menor é a qualidade dos espermatozoides produzidos e, consequentemente, suas chances de engravidar uma mulher. Portanto, se ele pretende ter um filho com mais idade, será importante pensar sobre esta possibilidade e, uma opção é o congelamento de seus espermatozoides enquanto for jovem. M ais tarde, poderá utilizar a técnica da Fertilização in Vitro (FIV), onde os materiais congelados serão implantados nos óvulos retirados da mulher, em laboratório, e depois introduzidos em seu útero.

Hipogonadismo masculino

Falta desejo sexual, perda de memória e de massa muscular, cansaço e disfunção erétil são alguns dos sintomas desta doença, que afeta de 1% a 2% dos homens brasileiros. Sua principal característica é a ausência ou baixa produção de testosterona pelos testículos, levando à esterilidade e alterações seminais.

Geralmente, se manifesta após os 45 anos e não é hereditário. Quando associado a uma doença genética, surge ainda no início da puberdade, retardando a entrada na adolescência. “Por se tratar de uma diminuição dos hormônios sexuais, o diagnóstico é feito pelas dosagens de testosterona, estradiol e seus derivados”, diz o Dr. Borges.

O tratamento é a reposição hormonal. É necessária a verificação dos níveis hormonais e a contagem de espermatozoides, a cada seis ou 12 meses. Quando a hipófise não gera os hormônios que estimulam os testículos a produzir testosterona, o procedimento é a administração gonadotrofinas. Quando os testículos não funcionam, faz-se a reposição de testosterona. O hipogonadismo afeta de 10% a 25% dos homens com mais de 50 anos.

Obesidade e Cirurgia Bariátrica

A obesidade diminui as taxas de fertilidade dos homens. Estes ejaculam em média oito milhões de espermatozoides por mililitro menos do que aqueles que estão dentro do peso ideal. Além disso, a qualidade do sêmen é mais baixa. Alimentação balanceada e saudável e exercícios podem ser suficientes para o emagrecimento e a solução do problema.

Entretanto, hoje em dia, muita gente opta pela cirurgia bariátrica, principalmente nos casos de obesidade mórbida. É importante saber que os homens que se submetem a ela podem ter sua fertilidade comprometida. O número de espermatozoides produzidos pode diminuir (oligozoospermia) ou mesmo desaparecer (azoospermia).

“Como ele perde peso muito rapidamente, há uma mudança drástica em seu metabolismo, o que afeta bastante os testículos. Não é incomum que o homem que já tinha uma alteração seminal pela obesidade não produza mais espermatozoides”, explica o especialista em reprodução humana assistida.

A recomendação do médico para quem vai fazer essa cirurgia e pretende ter filhos é que faça uma avaliação seminal e congele seus espermatozoides. Após o procedimento, deve fazer uma avaliação seminal a cada dois ou três meses, Se, após um ano, quando seu peso estiver estabilizado, sua produção espermática estiver normal, ele não corre mais o risco de ficar azoospérmico. Aí, o congelamento pode ser desprezado.

Varicocele e outras causas

Entre as principais causas da esterilidade masculina está a Varicocele (varizes na região escrotal), que é diagnosticada por um simples exame físico e é responsável por até 40% dos casos. Outras são a Falência Testicular Primária,Infecções Seminais, Criptorquidia (testículos fora da bolsa testicular) e Obstruções do Epidídimo (ou canal deferente).

A evolução das técnicas de Reprodução Assistida permite hoje que muitos destes problemas seminais sejam resolvidos, possibilitando que o homem consiga ter filhos. Dentre essas técnicas estão o Processamento do Sêmen para Inseminação Artifi cial e a Fertilização In Vitro com ICSI (quando se injeta um único espermatozoide dentro do óvulo).

Segundo o Dr. Borges Jr., de uma forma geral, cada um destes processos resulta em uma probabilidade de gravidez que varia de 25% a 50%, levando em conta também a condição da mulher.

Ao fazer o espermograma, uma pequena parcela de homens inférteis apresenta ausência de espermatozoides (azoospermia). Quando isso

acontece, as causas podem ser doenças que impedem a saída dos espermatozoides, como a ausência de ductos reprodutivos (forma atenuada da Fibrose Cística), alterações genéticas, número anormal dos cromossomos, como a Síndrome de Klinefelter, a vasectomia, processos inflamatórios, entre outras. Eles também podem ser filhos biológicos, por meio da punção do testículo ou epidídimo (órgão vizinho ao testículo), por que a espermatogênese está ocorrendo normalmente.

Já nos pacientes com azoospermias não obstrutivas ou secretoras, a produção de espermatozóides é extremamente comprometida. É o caso daqueles com criptorquidia, que sofreram radiação, quimioterapia, de orquite, varicocele, trauma testicular, causas genéticas e hormonais. Algumas vezes, a causa nem é encontrada. O diretor científico do Fertility Medical Group destaca que, nesses casos, em alguns túbulos seminíf eros (regiões do testículo onde essas células são produzidas), a espermatogênese continua acontecendo. Por isso, também podem ser pais.

Estilo de vida

É importante saber também que hábitos de vida pouco saudáveis, como tabagismo, uso de drogas recreativas (maconha e cocaína, por exemplo), uso de anabolizantes, exercícios físicos em excesso, obesidade, exposição a produtos tóxicos e à poluição, estresse e má nutrição também afetam negativamente a produção de espermatozoides.

De acordo com Dr. Borges Jr., ainda existe o recurso da Cessão Temporária de Útero, conhecida “barriga de aluguel”, nos casos em que não existe a condição de nenhuma das envolvidas em gestar. Vale lembrar que o Conselho Federal de Medicina estabelece normas para esse procedimento. “As doadoras temporárias do útero devem pertencer à família de um dos parceiros, num parentesco consanguíneo até o quarto grau (primeiro grau - mãe; segundo grau - irmã/avó; terceiro grau - tia; quarto grau - prima). Além disso, não pode haver caráter

lucrativo nem comercial”, explica o médico.

“Se o casal homoafetivo for do sexo masculino, a única possibilidade de ter um filho biológico é a fertilização in vitro e os óvulos devem ser doados e implantados em uma mulher, seguindo as mesmas regras estabelecidas pelo CFM&rdquo ;, finaliza o especialista.

- Dr. Edson Borges Jr., especialista em reprodução humana e diretor científico do Fertility Medical Group

Autor: Dr. Edson Borges Jr.
Fonte: O NORTÃO

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